7 de fev de 2018

SAIR DA IGREJA LOCAL OU LUTAR POR ELA?

Há uma grande realidade acontecendo todos os domingos em milhares de igrejas no Brasil e quiça no mundo. Pessoas estão saindo de um ministério local e indo para outro. À isso chamamos de "trânsito eclesiástico”. Muitas igrejas recebem visitantes de outras igrejas, conhecendo, experienciando a realidade em uma outra igreja local como fruto de uma “nova possibilidade” de adorar ou se aprofundar em conhecer a Deus. Obviamente isso gera algumas perguntas, do tipo:
  1. Posso sair da minha igreja local por discordar da liderança?
  2. Posso congregar em outra igreja, simplesmente porque me sinto mais a vontade para isso lá?
  3. Posso sair da minha igreja local sem nenhum prejuízo espiritual e ir para outro ministério?
  4. Quais são as prerrogativas que me autorizam a tomar essa atitude de sair de uma igreja local?
Estas são algumas das perguntas que a maioria das pessoas fazem e que muitos possuem inúmeras dúvidas, além de criar um sem número de pessoas machucadas e até “desigrejadas”. Sabemos que todo processo espiritual de Deus começa em uma igreja física, local e terrena. Mas e depois? Permaneço ou saio? Luto pelo que acredito ou deixo a igreja seguir seu fluxo de coisas? Por isso é importante esclarecer este assunto, bíblica e teologicamente em quatro pequenos passos:

Primeiro: Quando somos batizados e reconhecemos Cristo como Salvador e Senhor de nossas vidas, ingressamos na igreja universal de Jesus, que não possui paredes ou placas, essa igreja invisível ou sobrenatural, é chamada pelo Apóstolo Paulo de Corpo (místico) de Cristo.

Segundo: Certamente esse evento acontece em uma igreja local, institucional, que possui regras e ordens baseadas em sua estrutura terrena ou fundamento institucional, e é nela e a partir dela que você servirá Jesus e será aperfeiçoado por Ele cumprindo as ordenanças, estudos e congregando em uma igreja local.

Terceiro: Mas a razão pela qual você faz parte de uma igreja local é servir a Cristo através dela e com ela. Se aperfeiçoar como cristão e melhorar como seguidor do Evangelho. Pode ocorrer que a limitação de uma igreja local, por inúmeros motivos lhe deixe sem opções de continuar crescendo, se desenvolvendo e melhorando na sua caminhada pessoal com o Mestre.

Quarto: Este é um real e perfeito motivo que justifique uma saída da igreja local. Sem contudo trazer qualquer problema para ambas as partes. Toda saída deve ser em paz e gratidão de ambas as partes. Pois assim como a igreja local contribui até aquele momento para um crescimento na vida do membro, o membro também contribui para o desenvolvimento da igreja local.

Agora é necessário percebermos que o grande erro é que se considera o pacto de membresia da igreja local com o mesmo peso do Pacto da Graça Salvadora de Deus com seus filhos. É por causa de Cristo e de sua Obra na Cruz que estamos ligados a uma igreja local, e não o contrário.

A igreja local e terrena tem a responsabilidade de supervisionar o crescimento espiritual do individuo e o bem estar de sua família. Assim como o indivíduo também possui suas responsabilidades com a igreja local. Mas por se tratar de pessoas falíveis e limitadas em ambas as partes, todo pacto entre os homens e suas instituições é dissolúvel. E passível de ser quebrado ou reavaliado.

O importante é que esta dissolução seja feita debaixo de paz e respeito mútuo. Mas não é isso que acontece, infelizmente, na maioria das vezes e por isso resolvi escrever pra ajudar aqueles que intentam ou desejam ter paz no coração. Sejam líderes que perderam membros ou membros que se desligaram de suas igrejas locais e foram para outras igrejas locais.

A única coisa que tenho absoluta certeza segundas as Escrituras é que jamais devemos deixar de congregar como nos ensina Hebreus. Por isso sair de uma igreja local e ir para outra igreja local não configura pecado nem tão pouco é leviano. Isso é apenas uma prática necessária ou até restauradora para que todos possam Adorar o Rei dos Reis e Senhor da Igreja com legitimidade e verdade em seus corações.


Há ainda outras razões para o desligamento da igreja local, como mudança de endereço, chamado missionário para outra região ou ainda uma heresia grave que comprometa o líder local ou o chamado da igreja local, mas estas questões trato numa outra oportunidade, e sei que elas não são a grande maioria das causas da saída de alguém de uma igreja local. 

A Deus toda a Glória!

17 de mai de 2017

AS MENTIRAS EVANGÉLICAS SOBRE O DIABO


Existe no meio evangélico, ensinamentos que são transmitidos há muito, repetidos por gera­ções de mestres, recebidos por tradição, os quais jamais foram analisados com o cuidado necessário, à luz das Escrituras. Costumo sempre fazer esta pergunta: "Você crê mais na Bíblia ou naquilo que ensinam em muitos lugares?"
Será que estamos dispostos a acreditar mais na Bí­blia, mesmo que o que ela disser, seja diferente do que ensinam as autoridades da Igreja?
Até os demônios crêem em Deus e na Sua Palavra, podem estar certos disto! Eles não somente crêem que Ele existe, mas eles crêem que Deus é um Santo Deus, um Deus que odeia o pecado, um Deus de verdade, que prometeu julgamentos, e que cumprirá Sua vingança sobre eles. Esta é a razão dos demônios "estremecerem" ou tremerem - eles conhecem Deus mais claramente que a maioria dos seres humanos, e eles estão amedrontados. O Diabo sabe disso, mas muitos cristão não compreendem esta realidade espiritual. Vejamos ao menos quatro coisas que são faladas sobre o Diabo e que os evangélicos divulgam como sendo verdade, mas não são!

1. O Diabo governa o Inferno.
Esta é uma das clássicas mentiras pregadas sobre o Diabo. Na Divina Comédia de Dante, temos a impressão de que o diabo é uma gerente supervisor dos sofrimentos atribuídos as almas perdidas lançadas no inferno. Mas esse cenário contradiz as Escrituras. Sabemos que ele não supervisiona inferno algum, pois o mesmo ainda não existe. Inclusive ele será lançado no Lago que arde com fogo e enxofre (inferno em sua totalidade) de acordo com Mateus 25:41 e Apocalipse 20:10. De acordo com estes textos ele não será o rei ou governante de nenhum inferno, mas um atormentado pelo fogo ao lado dos rebeldes e pecadores.

2. O Diabo me fez fazer o que não queria.
De acordo com Tiago 1:13-15 cada um é tentado pelo seu próprio mau pensamento ou cobiça. O diabo pode até potencializar um desejo, mas ele jamais decidirá por ninguém, nem executará o mal de ninguém, isso é fruto de um coração pecaminoso. O diabo pode nos ajudar a cometer pecado, mas a decisão é sempre nossa e somente nossa. Daí a consequência de todo pecado recair sobre aquele que pratica.

3. O Diabo tem chifres é vermelho e usa tridente
A imagem do diabo em nossa sociedade é mais mitológica do que bíblica. Sabemos que a bíblia não define exatamente como o diabo é, e ele parece ter o poder de se travestir de qualquer coisa que o ajude a enganar alguém, inclusive como “anjo de luz” (2Coríntios 11:14). Portanto imaginar um formato ou corpo físico que defina Satanás parece forçar uma interpretação das escrituras. Serpentes e Dragões são alguns corpos atribuídos à ele pela Bíblia em Apocalipse 20:2.

4. O Diabo pode fazer pactos com pessoas.
Ele até pode fazer pactos verbais com pessoas, mas cumprir estes pactos são outra história. Ele não possui nenhuma legalidade para isso se do alto não for dado. De acordo com as escrituras “todas as almas pertencem ao Senhor”(Ezequiel 18:4)

13 de mar de 2017

PASTOR NÃO CHAME SUA INEFICIÊNCIA DE "VONTADE DO ESPÍRITO"

Na teologia somos filhos da reforma protestante européia, mas na organização de nossas igrejas somos bem brasileiros. Vai do jeito que dá! Fazemos como podemos! Somos rebeldes com estruturas e planejamento desde o berço pátrio. Os neo-pentecostais então, pensam que planejamento e organização são "camisas de força" do Espírito Santo. O neo-pentecostalismo buscou tanto a espontaneidade e a liberdade do Espírito Santo que qualquer reação de ordem, regras e organização tira a espiritualidade da igreja na cabeça dessa turma. Por isso hoje vivemos um "vale tudo” espiritual. Toda a atividade convive sem nenhuma organização, planejamento e objetividade.

Nossas reuniões são feitas num clima de resolver todos os problemas, em discussões infrutíferas, sem pauta ou tempo pré-determinado para os assuntos. Projetos começam sem planejamento e terminam sem conclusão. Não há objetividade no conteúdo, e nem reflexão nas falas. Não existem limites ou discussões de verba financeira, enfim…A igreja sofre principalmente de falta de eficiência. Muito esforço e pouco resultado em tudo! Já nos avisa a Escritura Sagrada que os descrentes são, de muitas maneiras, mais sagazes e sábios que os crentes (Lc 16.8 — pois os filhos deste mundo são mais prudentes na sua geração do que os filhos da luz).

Pra amenizar creditamos à “vontade de Deus” nossos insucessos e falta de resultados. Dizemos algo como…”Deus não permitiu…” pra calar o medo e a culpa dentro de nós. Não somos eficazes na mordomia que Deus confiou a nós.  Por isso vemos organizações “seculares" darem show de resultados, crescimento e eficiência, enquanto assistimos calados e alienados a pífia influencia da igreja na sociedade. E ainda tem gente que é contra organização, pois ela “mundaniza" a igreja…Será?

Planejamento e organização possuem base bíblica. Vejamos:
  1. Deus planejou tudo e executa o seu plano (Is 46.9-11). 
  2. Ele deu ao homem o mandato de dominar a Criação (Gn 1.28) e de sujeitá-la, para sua glória. Tendo sido criado à imagem e semelhança de Deus, o homem é um ser que planeja também, mesmo em sua condição de pecador e mesmo com esta imagem afetada pelo pecado. 
  3. O homem, conseqüentemente, procura determinar metas e visualizar suas ações antes destas ocorrerem (Pv 13.19 e 16.9).
  4. Na esfera eclesiástica, Deus planejou, instituiu e determinou ao seu povo, debaixo da Antiga Aliança, toda a sistemática das cerimônias, requerendo obediência no cumprimento de todos os seus passos. Deus desejava, através dela, focalizar as atenções dos israelitas no Messias que haveria de vir e redimir o seu povo. Neste sentido, o povo foi ensinado a planejar e a organizar, em sua esfera, as festas e sacrifícios e existia considerável rigidez litúrgica, assim como sistematização e repetição. Nada de "qualquer um faz qualquer coisa, a qualquer hora", mas ações e obrigações definidas e todas relevantes ao enfoque central das práticas de adoração.
  5. Na esfera administrativa, a sobrecarga e a desorganização, temporariamente experimentadas por Moisés, quando todas as decisões e definições foram colocadas sobre seus ombros, foi prontamente estruturada por Deus, através da palavra sábia de Jetro (Êx 18.13-26). Deus fez com que um sistema de delegação e representatividade fosse rapidamente estabelecido, aliviando Moisés de uma tarefa impossível, permitindo que o grande servo de Deus se concentrasse na tarefa de realmente liderar.
  6. Deus não é, portanto, avesso ao planejamento e à sistematização da nossa parte, tanto mais porque ele próprio nos ensina que interage com a sua criação em seus tempos determinados (Ec 3.1-8), definindo, conseqüentemente, padrões de ordem e uma hierarquia de prioridades que devem nos auxiliar na execução dos nossos deveres, como seus servos.
Para poder ajudar nossos pastores e líderes de ministério proponho alguns “insights" na construção de uma mentalidade de mais eficiência.

A) Organização (igreja local, patrimônio) é humana; por isso mesmo é meio. Organismo (Igreja Espiritual, pessoas) é Divino; por isso mesmo é fim. A organização sempre serve o Organismo, nunca o contrário. A Organização é o visível e tangível, já o Organismo é invisível e transcende a localidade. Nem todos que são membros da Organização fazem parte do Organismo; e nem todos que fazem parte do Organismo fazem parte da Organização.

B) Deus não está limitado nas paredes de uma organização. Ele não é propriedade de nenhuma igreja. Nem mesmo da Evangélica. Do Organismo (Igreja), Jesus é o Cabeça. Embora seja importante a interação do homem com a igreja (organização), a sua relação com Deus não pode ser medida a partir daí. A atuação ministerial das pessoas extrapola a atuação na organização.

C) A liderança da organização (igreja local), deve ter cuidado quando tenta liderar o Organismo (Igreja Espiritual) a partir de modelos de gerenciamento organizacional. A organização deve ser a mais leve possível para não engessar o Organismo. É a organização que deve ser repensada para atender as demandas do Organismo, nunca o contrário.