Os pobres mais ricos e os ricos mais pobres.

O IBGE publicou no dia 29/08/2007 a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003, que traça um perfil das despesas e rendimento segundo características da pessoa de referência, tais como inserção no mercado de trabalho, escolaridade, idade, sexo, cor e raça e religião.
Segundo a pesquisa, do ponto de vista da religião, o maior rendimento médio mensal familiar foi registrado quando a pessoa de referência era espírita (R$ 3.796,00), enquanto nas pertencentes à evangélica pentecostal era o menor (R$ 1.271,00). Entre católicos apostólicos romanos, o rendimento correspondia a R$ 1.790,56. As maiores e menores despesas seguiram este mesmo padrão, com espíritas apresentando gasto de R$ 3.617,28 e evangélicos pentecostais, R$ 1.301,35. Católicos gastaram cerca de R$ 1.769,32.
O estudo, baseado na POF 2002-2003, concluiu que famílias em que a pessoa de referência pertencia às religiões evangélicas apresentaram os maiores percentuais, dentro do grupo outras despesas correntes. Os gastos neste grupo, como pensões, mesadas e doações – que incluem, entre outros itens, dízimo e outras contribuições às igrejas – foram os mais elevados, variando entre 21,4% (R$ 22,79) a 34% (R$ 59, 16).
Esta pesquisa constata dois fatores interessantes os quais devemos observar, para uma profunda reflexão:
Creio que em parte esta pesquisa representa a maior liberalidade dos evangélicos em contribuir com doações, dízimos e ofertas, mesmo sendo eles os religiosos com a menor renda. Sei que em muitos casos, isto é um reflexo do amor deste povo ao seu Deus e à causa do Evangelho. Não posso crer que todas as pessoas que estão ofertando e dizimando fielmente em suas igrejas, estejam fazendo isto por puro comércio ou buscando apenas o favor divino, mas o fazem com consciência limpa, diante do Senhor e compreendem o princípio espiritual inserido neste ato de fé, que não está relacionado à quantia doada, mas sim ao coração grato.
Mas também creio que estes dados, de certa maneira, comprovam a exaltação das teologias humanistas apregoados por muitos, e de um triunfalismo inconseqüente e imaturo. Dando espaço cada vez maior a chamada teologia da prosperidade dentro dos arraiais evangélicos, transformando a Graça salvífica em pura libertinagem para a manipulação das massas, e o enriquecimento ilícito das lideranças “ditas” evangélicas.
Parafraseando Paulo, “que sejamos os pobres mais ricos”, pois o nosso verdadeiro tesouro não está nas condições existenciais terrenas, mas guardado nos céus.

Soli Deo Gloria.
Pr. Bruno dos Santos.

Nenhum comentário: