A Igreja de Betânia

Deve existir em cada cristão um desejo de “pensar” o que é ser igreja. No último século vivemos mais mudanças e quebras de paradigmas do que em todos os outros séculos anteriores. De que forma isso afeta a nossa compreensão e jeito de ser igreja?

Um renomado capelão do senado americano a três décadas atrás chamado Richard Halverson disse: “No início a igreja era uma comunhão de homens e mulheres centrados no Cristo Vivo. Quando a igreja chegou a Grécia se tornou uma filosofia de vida, quando foi até Roma se tornou em uma grande instituição. Na Europa tornou-se uma cultura, e chegando a América virou um empreendimento”. (1)

No Brasil a igreja tem sido um acontecimento, um evento. Hoje existe uma insatisfação no meio da igreja brasileira quanto à busca de um modelo ideal ou que fosse mais coerente com o caráter de Jesus. Que igreja seria essa?

Quais são os indicadores de uma igreja guiada por Jesus?
- Uma igreja que se é ou uma igreja aonde se vai?
- Uma igreja que divide o pão, ou uma igreja que divide o palco?
- Qual seria o ambiente da igreja presidida por Jesus?
- Como era a funcionalidade desse modelo de igreja?
- Seria Betânia um modelo de vida comunitária?
- A igreja de Jesus seria a Comunidade de Betânia?

Betânia nos dá parâmetros dos caminhos comunitários dos quais devemos percorrer, e quais curvas devemos evitar. É no dinamismo da relação de Jesus com a sua igreja de Betânia que se concretiza a vivência comunitária ideal aos olhos do Mestre. A comunidade de Betânia desafia todas as comunidades a olharem seus modelos e orientação, para o coração e os desejos do Dono da Igreja, a saber, Jesus.


1- Betânia é um lugar de unção.
Toda a narrativa gira em torno de uma atitude extravagante, mas que comove o coração de Jesus. O ambiente era hostil, mas havia alguém ali se derramando pra Jesus. Havia alguém identificando que era preciso deixar tudo de lado, era preciso entregar tudo de mais valioso à Ele (não havia nada mais valioso e pessoal do que os cabelos de uma mulher).
Um lugar de unção não é um lugar onde se manifestam carismas, mas onde se manifesta amor, aquele amor de entrega, amor de ter a Jesus como o bem mais precioso, ainda que isso nos custe o trabalho de um ano inteiro. Jesus foi tocado por um ato de amor, num momento de profunda angustia. Maria o cativou e se tornou imortalizada por essa atitude.


2- Betânia é um lugar de alimento e comunhão.
O culto dessa comunidade não possui dispersão, todos estão reunidos a volta de Jesus. Ele é a centralidade e a razão das pessoas estarem ali. Esse era o ambiente de vida daquela comunidade, viviam em volta da mesa da comunhão.
A igreja de Betânia é uma igreja de gente que gosta de estar junto. Uma refeição celebrada em casa é uma refeição de família. Há intimidade na troca de olhares. A Diaconia da igreja era composta de irmão de sangue: Marta, Maria e Lázaro.
3- Betânia se opõe a uma vida religiosa aparente.
Na narrativa de João conhecemos as motivações de Judas e dos discípulos que reepreendem tamanho desperdício. Uma vida com Deus sem amor é uma vida sem generosidades.
Uma vida mentirosa ou aparente é uma vida de amor calculado. Se calcula mais o que se perde, do que aquilo que se faz. Uma vida religiosa mentirosa é geralmente egoísta. Por isso vemos uma avareza latente nas ações da maioria das igrejas.
4- Betânia é um lugar de transformação.
Lázaro é uma das figuras mais conhecidas daquela região. Ele não havia apenas sido ressuscitado, mas já em conhecido processo de decomposição, o que torno o milagre ainda mais poderoso.
Lázaro prefigura o destino do crente, que apesar de estar morto sofre o milagre da ressurreição. Tem a alegria de viver a nova vida ao lado do Mestre. A igreja de Betânia é uma igreja de pessoas “nascidas de novo”.


Soli Deo Gloria
Pr. Bruno dos Santos

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