Inimigos invisíveis nos problemas concretos!

Desde o Éden, existe um plano intenso de fazer com que o homem não desenvolva seu pleno potencial para as coisas de Deus, nem para os projetos de Deus. Temos três inimigos bem conhecidos: O mundo, a carne e o Diabo.
O mundo: Significa o universo de valores, idéias, conceitos, princípios contrários a Palavra de Deus. Ideologias humanas. A Carne Corporativa.
A carne: Significa os nossos próprios hábitos caídos, nossas escolhas que são fruto de um desejo carnal, de um desejo libidinoso ou injusto para a nosso próprio prazer sagaz.
O Diabo: Um ser espiritual, pai da mentira e que promove a acusação e confusão no meio da criação de Deus e de suas criaturas.

Essa guerra intensa acontece com muito mais força na vida do cristão, daquela pessoa que está batalhando para ter uma vida coerente com o Evangelho de Deus.

As 4 falhas na nossa compreensão diante dos problemas:

Antes de entrarmos no cerne da nossa discussão sobre uma espiritualidade verdadeiramente atingível, vamos deixar cla­ro o que a vida cristã não é. Existem quatro concepções errôneas sobre a espiritualidade e a maturidade cristã que simplesmente não são à prova d'água.

Primeira Falha: Por ser cristão, todos os seus problemas serão resolvidos. Prestamos um grande desserviço a um in­crédulo quando o fisgamos com a frase: "Venha a Cristo e todos os seus problemas vão acabar". A Bíblia nunca diz isso. Ela promete que seremos novas criaturas, garante que teremos um destino seguro, mas não pressupõe uma desci­da suave ladeira abaixo uma vez que Cristo entre na vida da pessoa. De fato, em alguns casos os problemas aumen­tam e a estrada fica mais difícil!

Segunda Falha: Todos os problemas que terá de enfrentar estão mencionados na Bíblia. Não estão. É bem pouco sábio fazermos declarações amplas, abrangentes, em relação a pontos sobre os quais as Escrituras não falam. Muitas ve­zes não encontramos uma resposta explícita na Escritura para o nosso problema específico. Nessas ocasiões, somos forçados a andar pela fé, confiando no Senhor para mos­trar-nos o próximo passo conforme necessário. A Bíblia simplesmente não oferece uma resposta específica para cada problema da vida.

Terceira Falha: Se você está tendo problemas é porque lhe falta espiritualidade. Não é triste que essa idéia seja anunciada em muitos lugares hoje? A existência de um problema simplesmente mostra que você é humano! Todos temos problemas e você não deixa de ser espiri­tual porque luta com um dilema. Na verdade, muitos dos homens e mulheres mais espirituais que conheço enfrentaram alguns dos mais difíceis problemas que a vida oferece. Pense em Jó e no seu sofrimento. Ele não tinha uma resposta. Ele não compreendia o porquê. Seus conselheiros, com suas declarações rígidas e precipitadas, estavam total­mente enganados; eles também não sabiam as respostas. Embora Jó fosse espiritual, tinha problemas enormes.

Quarta Falha: A exposição a ensinamentos bíblicos sólidos resolve automaticamente os problemas. A instrução bíblica por si só não resulta em soluções instantâneas dos problemas. Por mais confiável que seja o ensino, ou quão talentoso o professor, a declaração da verdade não proporciona a re­moção das dificuldades. Pense nas Escrituras como um mapa absolutamente exa­to. O mapa lhe diz como chegar a um determinado desti­no. Mas o fato de apenas olhar um mapa não irá transportá-lo automaticamente para qualquer lugar.

Por que então perseverar?

Por que perseverar? Por que continuar enfrentando as fortes correntes da tentação, medo, ira, perda, estresse, impossibilidades, mal-entendidos e erros? Por que lutar contra a deserção? Por que vencer a inferioridade? Por que continuar esperando? Por quê?

Porque é na arena da realidade que o verdadeiro caráter é forjado, moldado, temperado e polido. Porque é nela que a vida de Jesus Cristo tem a máxima possibilidade de ser reproduzida em nós, substituindo uma teologia interna frágil por um conjunto de convicções fortes, confiáveis, que nos capacitam a lidar com a vida em vez de fugir dela.

“Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações porque sabemos que a tribulação produz per­severança, a perseverança, um caráter aprovado, e o caráter aprovado, esperança”. Romanos 5:3, nvi

Existem duas dimensões de existencia na vida:

1- A Galinha: a dimensão do enraizamento, do cotidiano, do limitado.
A galinha vive nas limitadções do terreiro dela, não voam, apenas pulam, todos os dias produzerm as mesmas coisas, esse animal é reprimido e confinado.

2- A Aguia: a dimensão do ilimitado, do sonho, da abertura, da realização possível.
A águia ganha as alturas, está livre e ve as coisas sobre a perspectiva do alto, não está presa, é livre das gaiolas, livre dos predadores, mora no alto e pensa no alto.

“A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam”

Assim existem também duas formas existenciais cristãs:

Um cristianismo bíblico, vivo, espiritual, que anda em coerência com a Palavra de Deus.
Esse cristianismo é real, visível, é prático. Um estilo de vida que dotado de significação, de propósito. Uma vida que testifica o que Jesus espera de nós.

Viver um cristianismo bíblico implica em viver uma vida de fé, não apenas para aceitar Jesus como Salvador, mas principalmente como Senhor das nossas vidas.

Para aceita-lo como Salvador, precisamos tomar uma decisão apenas, mas para aceitá-lo como Senhor de nossas vidas, precisamos continuamente nos submeter as decisões Dele, aos desígnios Dele, e a vontade Dele. Rm 10:10.

Um cristianismo humano, morto, carnal, sem autoridade de Deus, sem Palavra de Deus.
Muitas vezes vivemos uma vida de princípios frouxos, uma vida de fé em Deus, mas de pouca fé de Deus em nós: Lc 22:31-34.

E exatamente nessa esfera de existência cristã, que somos muitas vezes derrotados, pois acreditamos que basta apenas considerar Jesus,...Deus, mas não O fazermos Deus de nossas vidas e projetos.

Os inimigos invisíveis e concretos de Paulo:

O que na verdade está em pauta nesta Palavra não é o fato de que viveremos sem problema, pois só uma esfera de existência vive sem problemas: Aqueles que estão mortos, e enterrados debaixo da terra.

A grande questão é aprender com Paulo, como passar os problemas, sem sermos afetados por eles, sem ficarmos amargurados, frustrados e sem nenhum senso de realização. E necessário sofrer, a questão é como passar pelo sofrimento? Como possuir uma alegria que não seja fruto das circunstancias, mas sim de uma confiança inabalável?

Dissertação:

Paulo inicia sua defesa da fé aos irmãos de Corinto, dizendo a grande diferença entre o cristão e o mundano, e a diferença não está no fato de sofrer, mas sim em como atravessar as dificuldades da vida. A questão não é “pare de sofrer”, mas “Sofra, mas não pare jamais”.

1- Em tudo somos atribulados, mas não angustiados;
A esfera de alcance da dor e do sofrimento parecem não poupar nada na vida do cristão. O TODO pode estar comprometido. Paulo claramente diz “Em TUDO...”.

Na verdade todos nós somos educados pelo mundo a buscar uma vida de conforto, e não de sofrimento. O que prevalece sempre é a necessidade do prazer e da satisfação.

Muitas pessoas dentro da igreja carregam o estigma de que quando estavam no “mundão” tudo parecia melhor. E de fato era, pois desconhecíamos a importância da “queda do homem”. No momento em que ganhamos o Amigo Jesus, ganhamos automaticamente três inimigos diretos: O mundo, a carne e o Diabo, e eles nos perseguem continuamente.

Por isso Paulo afirma que “Em tudo...” seremos atribulados, ou seja, todas as esferas de existência de nossa vida estão comprometidas com esses inimigos. Vivemos no mundo, agimos e convivemos com o Reino Espiritual e habitamos em um corpo.

Atribulados: 2Co 7:5 – (Significa: oprimir, afligir, pressionar) Quase sem escape.
Não-Angustiados: Angustia significa aflição (perturbado)

2- Perplexos, mas não desesperados;
Perplexidade: Estar em dúvida: Como? Porque? Isso aconteceu? A perplexidade mostra a fragilidade de nossa fé. Apesar de não ser desejável termos dúvidas, sabemos que é possível duvidar, ou mesmo ficar em dúvida, mas ainda isso não nos desespera. Ficamos perplexos, mas não totalmente perplexos.

Apesar de não entendermos algumas coisas, não nos desesperamos. Apesar de não compreender algumas situações que nos cercam, como cristãos autênticos, não nos perdemos completamente.

Considero a Escatologia (o estudo das últimas coisas) extremamente importante, pois apesar de não entender os meios, tenho plena confiança que o fim da história está nas mãos de Deus. Ele é o Alfa e o Omega, o princípio e o fim. As vezes não entendemos o processo, mas temos confiança nos resultado final de todas as coisas.

3- Perseguidos, mas não desamparados;
Aqui perseguição nos dá a idéia de caçada implacável. O inimigo de nossas almas, é como um leão caçador, que está sempre rondando a nossa vida. Paulo era continuamente caçado:
2Co 10:10.
2Co 11:23-29
2Co 12:7
Mas Paulo apesar das lutas, não se sentia desamparado: 2Tm 4:17
“Mas o Senhor, me assistiu e me revestiu de forças, para que por meu intermédio, a pregação fosse plenamente cumprida, e todos os gentios a ouvissem, e fui libertado da boca do leão”.

4- Abatidos, mas não destruídos.
Abater: Cair – inclinar, vergar, dobrar. Mas jamais ser arruinado ou estar destruídos. “Envergamos, mas não quebramos” – “Lutamos, mas jamais perdemos a luta”
APLICAÇÕES PRÁTICAS


1- Nossos inimigos imaginários, as vezes são mais reais que nossos inimigos concretos.
Quantas vezes alimentamos o perigo antes mesmo do perigo chegar? Quantos de nós supra-dimensionamos os problemas e as dificuldades?

E a pessoa que tem medo de borboleta, mas não tem medo de cachorro bravo. A borboleta imaginária é maior que o cachorro real.

Toda Fobia nasce primeira na criação de um mundo imaginário e por diversas vezes esse mundo transcende a realidade (Que mal a um homem, pode fazer uma borboleta?) Mas o mal imaginário se torna mais real do que a realidade de um cachorro bravo.

Porque existem pessoas que não se levantam mais depois de certas derrotas ou perdas? Muitas vezes o mundo criado por ela, transcende o mundo real. O problema na cabeça é maior que o problema da circunstancia.

Paulo trás de novo a realidade para perto de nós: Em tudo somos atribulados, mas não angustiados – Perplexos, mas não desesperados – Perseguidos mas não desamparados – Abatidos, mas não destruídos.

Quem fica preso com seus medos e inimigos imaginários, além de nunca vence-los, jamais transcende a sua vida, nem vive a Grande Aventura. Entre o sonho e a realidade está algo chamado OUSADIA.


2- Não Seja dominado pelas suas derrotas, mas pelos grandes sonhos.

O Time de Jesus (características de alguns discípulos)
1- Mateus: Tinha uma péssima reputação, era publicano corrupto e cobrador de impostos.
2- Tomé: Tinha a paranóia da insegurança, só acreditava naquilo que tocava. Era lógico.
3- Pedro: Era inculto, intolerante, estressado, impulsivo e impaciente.
4- João: era o mais amável, porém queria ser o primeiro entre os demais, era egoísta.
5- Judas: era moderado, equilibrado e sensato, porém era ladrão (cleptomaníaco)
6- Tiago: recebeu o apelido de Boanerges (filho do trovão), quando confrontado era agraessivo)

Na verdade o que quero mostrar é que estas pessoas sofreram com seus temores, com suas dúvidas, com seus inimigos imaginários, mas não deixaram de se desenvolverem, pois Jesus não os havia chamado por aquilo que eles eram, mas sim por Aquilo que ELE ERA.

Jesus apostou tudo o que Ele tinha, naqueles que estavam lhe frustrando. Não temos o direito de desistir, podemos até reclamar, mas jamais desistir.

Conclusão:

Paulo nos mostrou que apesar das dificuldades, de nossos inimigos imaginários e de nossos problemas concretos, Deus já estabeleceu o fim da história. Portanto a nossa felicidade não está nas realizações humanas, mas sim nas realizações eternas. A nossa maior necessidade é a própria pessoa de Deus.
Hc 3:17
Soli Deo Gloria
Pr. Bruno dos Santos

2 comentários:

Pr. Valmir Alves disse...

Querido pastor;
Vou pregar a sua mensagem em minha igreja. Tudo bem né?

jaqueline disse...

Olha eu aqui mais uma vez...
Tenho lido muitos artigos neste blog,e me identificado com a maioria deles.
E como não poderia deixar de ser...este está muito contextualizado...inserido na realidade de muitos cristãos (na mentalidade e na vivência)...uns de um lado(se sentem derrotados)
...e outros em contrapartida julgando)...seriam os conceitos dos amigos de Jó que ora e outra afloram no meio do povo de Deus?

É bom "ouvir" que..."apesar das dificuldades, de nossos inimigos imaginários e de nossos problemas concretos, Deus já estabeleceu o fim da história".
Aleluias ao trino Deus!