Meu avô...um sonhador.

Meu avô, sempre foi um sonhador.
Na Europa provou ser homem,
Na África, provou a guerra,
Na América, provou a dor.

Foi avô e pai, maduro e chorão.
Sempre estendeu a mão.
Conhecia muitas coisas,
Mas não conhecia o “não”.

Era forte e vaidoso
Valente, alegre e dengoso.
Tinha nome de príncipe troiano,
Heitor! Avô amoroso.

Nos últimos anos brigou pela vida,
No Alzheimer, acolheu a dor,
Rodeado de cuidado e amor,
Em junho deste ano, deixou de sonhar
o nosso sonhador.

Saudades do teu neto...
Bruno.

Fé nos sentidos ou fé nos ouvidos?

“Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem. Foi por ela que os antigos alcançaram bom testemunho. Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus, de maneira que o visível não foi feito do que se vê.” Hb. 11:1-3

O que é a fé? De forma simples, fé é a segurança no caráter de Deus, e a confiança de que Ele age de acordo com sua Palavra.
Podemos dizer que fé não é puramente uma de questão de impressões, nem de probabilidades, nem de aparências. As impressões vêm da razão humana, que, na melhor das hipóteses, não é digna de confiança. A fé, por outro lado, baseia-se na Palavra de Deus; não são as impressões, fortes ou fracas, que farão qualquer diferença. Temos de confiar na Palavra escrita, e não em nós mesmos ou em nossas impressões. Muitas pessoas estão dispostas a crer, relativamente, nas coisas que lhes parecem prováveis. Fé não tem nada a ver com probabilidade. A fé começa onde cessam as probabilidades, onde a visão e o senso cognitivo falham.

Muitos filhos de Deus lamentam sua falta de fé. Muitos afirmam que não têm impressões nem percepções, que não vêem nenhuma probabilidade de que aquilo que desejam se realize (Lc 18:27). As aparências não devem confundir nossa fé. A questão, certamente, é esta: Deus falou deste assunto em sua Palavra? Se falou, esta é a base da nossa fé. A fé dos sentidos não pode ser a fé confiável, mas a fé dos ouvidos, essa é a fé que vem de Deus e que promove a vida espiritual no mundo. Afinal, o justo viverá pela fé...não do sentir, mas de ouvir!

Os pobres mais ricos e os ricos mais pobres.

O IBGE publicou no dia 29/08/2007 a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2002-2003, que traça um perfil das despesas e rendimento segundo características da pessoa de referência, tais como inserção no mercado de trabalho, escolaridade, idade, sexo, cor e raça e religião.
Segundo a pesquisa, do ponto de vista da religião, o maior rendimento médio mensal familiar foi registrado quando a pessoa de referência era espírita (R$ 3.796,00), enquanto nas pertencentes à evangélica pentecostal era o menor (R$ 1.271,00). Entre católicos apostólicos romanos, o rendimento correspondia a R$ 1.790,56. As maiores e menores despesas seguiram este mesmo padrão, com espíritas apresentando gasto de R$ 3.617,28 e evangélicos pentecostais, R$ 1.301,35. Católicos gastaram cerca de R$ 1.769,32.
O estudo, baseado na POF 2002-2003, concluiu que famílias em que a pessoa de referência pertencia às religiões evangélicas apresentaram os maiores percentuais, dentro do grupo outras despesas correntes. Os gastos neste grupo, como pensões, mesadas e doações – que incluem, entre outros itens, dízimo e outras contribuições às igrejas – foram os mais elevados, variando entre 21,4% (R$ 22,79) a 34% (R$ 59, 16).
Esta pesquisa constata dois fatores interessantes os quais devemos observar, para uma profunda reflexão:
Creio que em parte esta pesquisa representa a maior liberalidade dos evangélicos em contribuir com doações, dízimos e ofertas, mesmo sendo eles os religiosos com a menor renda. Sei que em muitos casos, isto é um reflexo do amor deste povo ao seu Deus e à causa do Evangelho. Não posso crer que todas as pessoas que estão ofertando e dizimando fielmente em suas igrejas, estejam fazendo isto por puro comércio ou buscando apenas o favor divino, mas o fazem com consciência limpa, diante do Senhor e compreendem o princípio espiritual inserido neste ato de fé, que não está relacionado à quantia doada, mas sim ao coração grato.
Mas também creio que estes dados, de certa maneira, comprovam a exaltação das teologias humanistas apregoados por muitos, e de um triunfalismo inconseqüente e imaturo. Dando espaço cada vez maior a chamada teologia da prosperidade dentro dos arraiais evangélicos, transformando a Graça salvífica em pura libertinagem para a manipulação das massas, e o enriquecimento ilícito das lideranças “ditas” evangélicas.
Parafraseando Paulo, “que sejamos os pobres mais ricos”, pois o nosso verdadeiro tesouro não está nas condições existenciais terrenas, mas guardado nos céus.

Soli Deo Gloria.
Pr. Bruno dos Santos.