31 de jul de 2008

A Igreja de Betânia

Deve existir em cada cristão um desejo de “pensar” o que é ser igreja. No último século vivemos mais mudanças e quebras de paradigmas do que em todos os outros séculos anteriores. De que forma isso afeta a nossa compreensão e jeito de ser igreja?

Um renomado capelão do senado americano a três décadas atrás chamado Richard Halverson disse: “No início a igreja era uma comunhão de homens e mulheres centrados no Cristo Vivo. Quando a igreja chegou a Grécia se tornou uma filosofia de vida, quando foi até Roma se tornou em uma grande instituição. Na Europa tornou-se uma cultura, e chegando a América virou um empreendimento”. (1)

No Brasil a igreja tem sido um acontecimento, um evento. Hoje existe uma insatisfação no meio da igreja brasileira quanto à busca de um modelo ideal ou que fosse mais coerente com o caráter de Jesus. Que igreja seria essa?

Quais são os indicadores de uma igreja guiada por Jesus?
- Uma igreja que se é ou uma igreja aonde se vai?
- Uma igreja que divide o pão, ou uma igreja que divide o palco?
- Qual seria o ambiente da igreja presidida por Jesus?
- Como era a funcionalidade desse modelo de igreja?
- Seria Betânia um modelo de vida comunitária?
- A igreja de Jesus seria a Comunidade de Betânia?

Betânia nos dá parâmetros dos caminhos comunitários dos quais devemos percorrer, e quais curvas devemos evitar. É no dinamismo da relação de Jesus com a sua igreja de Betânia que se concretiza a vivência comunitária ideal aos olhos do Mestre. A comunidade de Betânia desafia todas as comunidades a olharem seus modelos e orientação, para o coração e os desejos do Dono da Igreja, a saber, Jesus.


1- Betânia é um lugar de unção.
Toda a narrativa gira em torno de uma atitude extravagante, mas que comove o coração de Jesus. O ambiente era hostil, mas havia alguém ali se derramando pra Jesus. Havia alguém identificando que era preciso deixar tudo de lado, era preciso entregar tudo de mais valioso à Ele (não havia nada mais valioso e pessoal do que os cabelos de uma mulher).
Um lugar de unção não é um lugar onde se manifestam carismas, mas onde se manifesta amor, aquele amor de entrega, amor de ter a Jesus como o bem mais precioso, ainda que isso nos custe o trabalho de um ano inteiro. Jesus foi tocado por um ato de amor, num momento de profunda angustia. Maria o cativou e se tornou imortalizada por essa atitude.


2- Betânia é um lugar de alimento e comunhão.
O culto dessa comunidade não possui dispersão, todos estão reunidos a volta de Jesus. Ele é a centralidade e a razão das pessoas estarem ali. Esse era o ambiente de vida daquela comunidade, viviam em volta da mesa da comunhão.
A igreja de Betânia é uma igreja de gente que gosta de estar junto. Uma refeição celebrada em casa é uma refeição de família. Há intimidade na troca de olhares. A Diaconia da igreja era composta de irmão de sangue: Marta, Maria e Lázaro.
3- Betânia se opõe a uma vida religiosa aparente.
Na narrativa de João conhecemos as motivações de Judas e dos discípulos que reepreendem tamanho desperdício. Uma vida com Deus sem amor é uma vida sem generosidades.
Uma vida mentirosa ou aparente é uma vida de amor calculado. Se calcula mais o que se perde, do que aquilo que se faz. Uma vida religiosa mentirosa é geralmente egoísta. Por isso vemos uma avareza latente nas ações da maioria das igrejas.
4- Betânia é um lugar de transformação.
Lázaro é uma das figuras mais conhecidas daquela região. Ele não havia apenas sido ressuscitado, mas já em conhecido processo de decomposição, o que torno o milagre ainda mais poderoso.
Lázaro prefigura o destino do crente, que apesar de estar morto sofre o milagre da ressurreição. Tem a alegria de viver a nova vida ao lado do Mestre. A igreja de Betânia é uma igreja de pessoas “nascidas de novo”.


Soli Deo Gloria
Pr. Bruno dos Santos

30 de jul de 2008

Fugindo da falsidade

1Pe 3:10 “Pois, quem quiser amar a vida e ver dias felizes, guarde a sua língua do mal e os seus lábios da falsidade”.

A falsidade seja talvez um dos pecados mais comuns em nossa vida. Cotidianamente agimos em algum momento com falsidade. Se alguém pode ser verdadeiro consigo mesmo vai admitir este deslize.
O dicionário define falsidade da seguinte maneira: Falsidade é a qualidade daquilo que é falso, inexato, oposto a verdade.
Todas as vezes que agimos com inexatidão, agimos parcialmente sobre um assunto, podemos considerar que aquilo é falso. A exatidão significa seguir um modelo, ser leal a uma idéia na sua integralidade.

Amizades: Imagine se fossemos verdadeiros com todos os nossos amigos? Se nós não camuflássemos sentimentos de desaprovação sobre certas atitudes ou idéias que eles expressam?
Relacionamentos: Temos a infinita necessidade de nos mostrarmos perfeitos em nossos relacionamentos. O outro é sempre pior que a gente em todos os aspectos. Até os nossos defeitos são virtuosos: “Meu problema é que eu sou uma pessoa sincera demais!”
Conquistas: Essa nossa busca por conquistas, por dinheiro, por glamour, por glória pessoas, por proezas sexuais, por reconhecimento, por status. Tem o propósito de realçar o mérito pessoal e criar a ilusão de sucesso: “Eu dei certo na vida!”

Viver falsamente é colocar brilho nas coisas que são substanciais, são ínfimas. Nós dedicamos seis anos de nossa vida pra pagar um carro, quinze anos pra pagar uma casa, mas não dedicamos uma hora para ouvir e pensar sobre a Palavra de Deus e a eternidade.
Viver falsamente é não reconhecer que saímos com defeito de fábrica. É viver iludido, achando que é vítima da vida, quando na verdade somos nossos próprios algozes. João disse: Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós (1Jo 1:8).
Viver falsamente é estar atento ao tamanho e a forma, mais que ao conteúdo. Me preocupar mais com a aparência do que com o coração. Pro falso a aparência é tudo que o importa. É por isso que a gente conheça casamento de fachada, relacionamentos de fachada, igreja de fachada, cristianismo de fachada. A idéia é promover a aparência sempre, jamais revelar o coração.

Porque temos uma tremenda dificuldade de enfrentar a morte? Porque quando ela chega nos tira todo o propósito existencial. E pensar que o mundo vai continuar sem nós é insustentável, mas a morte nos aproxima mais da verdade de quem somos, do que da mentira em que nos tornamos.
Por isso é que um doente em depressão profunda prefere a morte, do que a vida. É por isso que muitas pessoas que no ápice da vida sofrem um acidente e ficam tetraplégicos, preferem a morte do que a vida, pois pra essas pessoas a vida perdeu o significado. Eles se tornaram improdutivas, e o mundo nos ensina que apenas os produtivos são necessários.
Nós temos um problema sério com a falsidade, pois detestar a falsidade é antes de tudo detestar a nós mesmos, detestar a idéia que as pessoas fazem de nós, por mais que isso massegeie seu ego.
O diabo não vive com peso na consciência, pois ele vive iludido com a sua condição de criatura caída, com a sua condição de detestável. Ele é o pai da mentira, o rei da ilusão. (Jo 8:44).

Bem, diante deste quadro, Pedro diz algo substancial, de fato: “Se quisermos viver dias felizes, devemos guardar o nosso lábio da falsidade” (1Pe 3:10).
O lábio só poder falar alguma coisa s o coração estiver cheio, certo? (Mt 12:34) Portanto o problema da falsidade não é um problema de boca, mas de coração, de alma.
Então ser falso é um grande problema da nossa psique, da nossa alma, do nosso entendimento, da nossa personalidade. Se desejamos ser quem não somos, encontraremos dificuldade de tratar os nossos problemas reais, pois a realidade não existe, o que existe é só uma fachada. E não existe nenhum problema com a fachada, mas sim na estrutura.
Mas Pedro afirma que uma vida sem falsidade é o caminho para a felicidade. Ser feliz antes de mais nada, é ser quem se é, sem máscaras, sem intenções escondidas, sem papéis. E o abandono da falsidade é o princípio da felicidade, pois deixamos o peso da aprovação de lado.
Muitas pessoas desconhecem estas realidades em sua vida, porque permanecem na falsidade. Deixam de ser verdadeiros consigo mesmos e com os outros. É o casal que se suporta, pra não se separar, é o pai que não enxerga no filho um viciado em drogas, mas apenas uma fase da vida inconseqüente. É o patrão que não aceita a idéia de que sua firma está falida. É o político que faz uma obra social pra calar a consciência de suas falcatruas. Etc.

Jesus afirmou a Nicodemos, que para entrar em um novo estado de vida, era necessário nascer de novo (Jo 3:3). Era necessário aceitar a idéia de que nada nesta vida está no eixo certo.
Gl 4:16-17 Paulo afirma que existem lugares que querem apenas agradar o meu ego, massagear o meu caráter, isso não é bom, pois quando agem assim nos isolam da verdade libertadora de Deus
É como pedir uma opinião de uma pessoa que te admira demais. Você acha que ela vai lhe dar a opinião certa ou errada? A admiração dela vem de onde, do que você realmente é ou apenas do que você mostra que é?

Como destruir a falsidade em minha vida?

1- Deixe-se ser guiado pelo Espírito Santo. Rm 8:14-16
· Não seja guiado por opiniões.
· Não seja guiado por amizades.
· Não seja guiado por religiões.
· Não seja guiado por parentes.
· Não seja guiado pelo próprio coração. Seja guiado pelo Espírito. Só ele vai poder demonstrar quem você é de fato.

2- Saiba que Deus jamais te abendona. Is 49:15
· Uma coisa que ninguém pode destruir em nós, é que eu e você carregamos a imagem de Deus em nossas vidas.
· Os olhos dele estão sobre nós, jamais estamos sós. Mesmo quando queremos que Deus nos deixe, ele jamais nos deixa. Mesmo em minhas transgressões ele se faz presente.
· Temos a tendência a acreditar que quando a nossa vida vai mal, Deus não está presente nela, mas isso é uma mentira. Deus esteve com Jô em todos os momentos difícieis de sua vida. Deus jamais nos abandona.
Jó 19:25Eu sei que o meu Redentor vive, e que no fim se levantará sobre a terra”.

25 de jul de 2008

Eclesiastes e o futuro

Ec 9:11: "Percebi ainda outra coisa debaixo do sol"
A vida não é matemática, não é exata. O tempo parece não ser justo muitas vezes com as pessoas. Nem todos são tratados da mesma forma pelo acaso. Isso é cruel.

Os velozes nem sempre vencem a corrida;
A correria da vida não vai sempre nos trazer resultado positivo.

os fortes nem sempre triunfam na guerra;
Uma hora o nosso orgulho será desarmado. A gente vai perder um dia.

os sábios nem sempre têm comida;
A sabedoria não nos garante o sustento. O mundo nem sempre é dos espertos.

os prudentes nem sempre são ricos;
A vida é súbita. Os prudentes não possuem garantia de que algum dia a vida não vai lhes preparar uma surpresa. Não estamos preparados pra tudo!

os instruídos nem sempre têm prestígio;
Por mais que você se esforce nem sempre haverá reconhecimento. Por mais que você se prepare nem sempre a vida lhe oferecerá privilégios.

pois o tempo e o acaso afetam a todos.
O tempo e a sua tirania (acaso) afetam o desenvolvimento da vida, afetam a continuidade dos planos.

Ec 9:12:
"Além do mais, ninguém sabe quando virá a sua hora"
A vida é surpreendida pela morte. A continuidade pela descontinuidade. O futuro pelo presente. Os planos pelo fim. Assim como os peixes são apanhados numa rede fatal e os pássaros são pegos numa armadilha; também os homens são enredados pelos tempos de desgraça que caem inesperadamente sobre eles.
Nós não temos nenhuma garantia de que o nosso futuro dará certo! Mas podemos estar certo de que o futuro virá e a minha esperança não pode estar no futuro, mas no Deus que não vive no tempo.

22 de jul de 2008

Entre a Glória e a queda.


A realidade da Guerra Espiritual só está revelada para a Igreja de Cristo, pois a guerra acirrada acontece principalmente contra a Igreja de Nosso Senhor. Muitos crentes vivem sem compreenderem a necessidade de enfrentar esta batalha. Ela acontece de forma bastante sutil. Muitas vezes sem percebermos.

Muitas pessoas vivem iludidas em suas realidade espirituais. Existe uma diferença entre sonho e ilusão. Todas as pessoas possuem sonhos, ideais, mas algumas vivem em profunda ilusão. Ilusão é quando eu estou investindo o meu potencial em algo que Deus não aprova. Sonho é trabalhar debaixo do propósito de Deus, debaixo da vontade de Deus.

O principal propósito de Deus em nossas vidas é a nossa libertação. Jesus disse no Sermão da Montanha aos seus discípulos: “Porque vês tu o argueiro no olho do teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio olho?” (Mt 7:3). Pedro mostrou com clareza o propósito da vinda de Jesus ao pregar na casa de Cornélio. (At 10:37-38). Jesus visava sempre a libertação e cura dos oprimidos pelo Diabo. (Mt 4:24 – Mt 8:16).


Jesus durante o seu ministério terreno promoveu a libertação de pessoas oprimidas e possessas de espíritos imundos ou demoníacos.
- O endemoninhado gadareno. Mc 5:1-20.
- O mudo – Mt 9:32.
- A mulher cananéia – Mt 15:21-28.
- O menino endemoninhado – Mt 17:14-21.
João afirma em 1Jo 3:8: “Jesus veio para destruir as obras do Diabo”.

Então se eu ou você estamos edificando um ministério pessoal sobre a ilusão estamos debaixo de uma sutil ação demoníaca. Porque os sonhos são de Deus, mas a ilusão vem do Diabo. Muitas pessoas estão vivendo iludidas dentro das igrejas. Acreditando que estão fazendo a obra, mas o problema é: A obra de quem? Jesus afirmou que os fariseus estavam pensando que eram representantes de Deus, quando na verdade eram filhos do Diabo (Jo 8:44).


Portanto uma auto-análise e um justo julgamento de nossas motivações é o princípio de uma libertação efetiva. Afinal Jesus sempre mostrou aos discípulos suas motivações mais nobres e seus defeitos mais podres. Ser discípulo é acima de tudo conviver com a Glória e com a queda dentro de nós.


14 de jul de 2008

Rick Warren e os enlatados americanos

Os membros de cada geração passada tiveram a noção que sua época era um ponto fundamental na história humana e, em graus variados, cada um deles esteve correto em sua avaliação. Esse conceito aplica-se não somente à sociedade secular e à humanidade em geral, mas também a segmentos específicos da população mundial; e a atual população mundial não é exceção a essa mentalidade. No contexto deste manuscrito, as populações ocultista e cristã do mundo estão ambas profundamente cientes do fato que a posição da humanidade está no clímax da época atual e estão equipadas com um senso distinto de uma mudança revolucionária e iminente.

Muitos membros da igreja estão convencidos que este é, de fato, um momento fundamental na história humana. Aqueles que são dispensacionalistas em sua teologia e adotam a interpretação literal das Escrituras acreditam que o fim dos tempos, que se consumará com o arrebatamento da igreja, o reinado do Anticristo e a subseqüente Segunda Vinda, está muito próximo. Além disso, os eventos vistos como o cumprimento óbvio da profecia bíblica, que começaram em 1948 com a criação do Estado de Israel continuam a ocorrer.

Incorporada nessa estrutura teológica está também a percepção que a igreja de Jesus Cristo está enfrentando um grande afastamento da "religião dos velhos tempos" de seus pais e avós. Essa mudança não é um pequeno ajuste, mas, ao contrário, uma grande mudança que ameaça alterar a face do cristianismo para sempre. Tragicamente, se essa mudança continuar sem ser enfrentada, a mudança subseqüente criará um novo "cristianismo híbrido" que terá pouca semelhança com a "fé dos nossos pais", ou com a igreja descrita no Novo Testamento.
Apesar da euforia no resurgimento do ministério apostólico, e de alguns resgates liturgicos, este neo-cristianismo não está produzindo autenticidade e convergência ao caráter de Deus. O pastor John MacArthur descreveu astutamente essa mudança em seu livro Reckless Faith quando disse:

1- Ocorreu uma mudança no consenso evangélico.
2- Essa mudança é curta em doutrina e longa em experiência.
3- Pensar é considerado menos importante que sentir.
4- O amor à sã doutrina desapareceu .

A mudança que MacArthur descreve é o rumo exato percorrido por aqueles que estão envolvidos naquilo que veio a ser chamado de "Movimento de Crescimento de Igrejas" (MCI). A metodologia desse movimento entre os cristãos evangélicos materializou-se na segunda metade do século 20 e foi promovida pelo Seminário Teológico Fuller. A manifestação do movimento é agora vista nas megaigrejas sensíveis aos buscadores que estão surgindo como cogumelos por todo o país.

O "garoto propaganda" do MCI, o pastor Rick Warren, da Igreja da Comunidade de Saddleback, afirma que a igreja está no meio de uma revolução cultural transformadora; e aqueles que estão envolvidos em seus programas específicos são os líderes revolucionários que iniciarão uma "mudança de paradigma" que se expandirá por toda a cristandade.
Entretanto, fazendo-se um exame cuidadoso desses programas - "40 Dias de Propósito" e "40 Dias de Comunidade" - bem como nos livros de Rick Warren, Uma Igreja com Propósitos e Uma Vida com Propósitos - não somente começa-se a questionar a posição doutrinária deles, mas também a sutil introdução de filosofias e terminologias ocultistas em uma arena que proclama ser o cumprimento da "Grande Comissão" seu único resultado. Uma vez que tal compreensão seja obtida, então uma justa avaliação poderá ser feita dos programas que impulsionam o Movimento de Crescimento de Igrejas.
Nada contra o Rick Warren, mas pelo amor de Deus, devemos fugir das metodologias enlatadas americanas e definitivamente de ler a igreja evangélica brasileira com os nossos próprios olhos e corações. Grande ou pequeno, o importante mesmo é que o rebanho seja de Cristo!
Soli Deo Gloria

1 de jul de 2008

Você deseja o que perece ou o que permanece?

Ansiedade por coisas e circunstâncias é uma fraqueza da qual nos rimos. Ela parece uma coisa tão própria da criatura, um exercício eminentemente humano. Mas Jesus não trata ligeiramente dessa ansiedade. A preocupação é vista, na perspectiva divina, como uma forma sutil, mas real, de mundanismo e o Senhor a trata sob o título de materialismo.

Algumas pessoas aspiram a ter riqueza, enquanto outras estão sob o terror da pobreza. Ambos os grupos são igualmente ocupados com coisas. Em Mateus 6:25-34, Jesus adverte seus discípulos que a ansiedade por coisas representa tão grande ameaça à devoção a Deus de todo o coração quanto a cobiça (veja Lucas 12:13-31, onde o Senhor de novo associa as duas).

Este é um fato com o qual muitos de nós tarda-os em tratar. Temos vivido muito comodamente com ataques regulares de histeria por suspeita de alguma futura privação. Aos nossos temores, como efetivamente às nossas paixões, tem sido permitido consumir nossas energias, dominar nossas vidas e furtar nossos corações. Satanás pouco se interessa se estamos consumidos pela ganância ou pela privação, desde que nossas mentes estejam postas em coisas, em vez de em Deus.

As conseqüências de tal mundana ansiedade não são só espiritualmente lamentáveis, elas podem ser fatais. “Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer ou beber” (Mateus 6:25). Três vezes, Jesus ordena aos seus ouvintes que não estejam aflitos e preocupados pelas coisas necessárias a sustentar sua vida presente: alimento, bebida e roupas (6:25,31,34). Sua advertência, tornada mais urgente pela repetição, tem a intenção de alertar-nos contra o perigo real que uma impaciência demasiada sobre as “necessidades da vida” representa para nós.

Os homens não podem servir a Deus aceitavelmente, com um coração dividido (6:24). Por esta razão, torna-se ainda mais interessante notar que a palavra grega (merimnate) traduzida como “andeis ansiosos” vem de uma raiz (meridzo) que sugere ser puxado em duas direções, distraído, e, portanto, ansioso, perturbado. Lucas usa esta mesma palavra para relatar a descrição de Jesus do estado da alma de Marta, quando muito ocupada com seus deveres na cozinha (10:41), e Mateus a usa quando registrando a explicação do Senhor do terreno espinhoso, na parábola do Semeador, como aqueles cujas vidas tenham sido afogadas “pelos cuidados [merimna] do mundo” (13:22). Deus e sua vontade são inevitavelmente retirados do coração daqueles que vivem em constante temor de que possam a qualquer momento ser privados das necessidades da vida.

A intenção do grande Mestre não é exigir absoluta abstenção de uma e a exclusiva busca da outra. Ele está simplesmente nos desafiando a decidir o que terá o lugar mais alto em nossos corações: comida, bebida e vestimenta ou a justiça do governo do céu? Ou seja, o que perece ou o que permanece? Deus tem que ser sempre o primeiro amor daqueles que escolhem o segundo.
Até aqui, Jesus tem deixado claro que podemos perder a eternidade pela avareza, ou podemos ser privados dela pelo temor ansioso. Dada a conseqüência de ambos, um desses caminhos parece tão repreensível quanto o outro.

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COBERTURA ESPIRITUAL E APOSTOLADO MODERNO