Rick Warren e os enlatados americanos

Os membros de cada geração passada tiveram a noção que sua época era um ponto fundamental na história humana e, em graus variados, cada um deles esteve correto em sua avaliação. Esse conceito aplica-se não somente à sociedade secular e à humanidade em geral, mas também a segmentos específicos da população mundial; e a atual população mundial não é exceção a essa mentalidade. No contexto deste manuscrito, as populações ocultista e cristã do mundo estão ambas profundamente cientes do fato que a posição da humanidade está no clímax da época atual e estão equipadas com um senso distinto de uma mudança revolucionária e iminente.

Muitos membros da igreja estão convencidos que este é, de fato, um momento fundamental na história humana. Aqueles que são dispensacionalistas em sua teologia e adotam a interpretação literal das Escrituras acreditam que o fim dos tempos, que se consumará com o arrebatamento da igreja, o reinado do Anticristo e a subseqüente Segunda Vinda, está muito próximo. Além disso, os eventos vistos como o cumprimento óbvio da profecia bíblica, que começaram em 1948 com a criação do Estado de Israel continuam a ocorrer.

Incorporada nessa estrutura teológica está também a percepção que a igreja de Jesus Cristo está enfrentando um grande afastamento da "religião dos velhos tempos" de seus pais e avós. Essa mudança não é um pequeno ajuste, mas, ao contrário, uma grande mudança que ameaça alterar a face do cristianismo para sempre. Tragicamente, se essa mudança continuar sem ser enfrentada, a mudança subseqüente criará um novo "cristianismo híbrido" que terá pouca semelhança com a "fé dos nossos pais", ou com a igreja descrita no Novo Testamento.
Apesar da euforia no resurgimento do ministério apostólico, e de alguns resgates liturgicos, este neo-cristianismo não está produzindo autenticidade e convergência ao caráter de Deus. O pastor John MacArthur descreveu astutamente essa mudança em seu livro Reckless Faith quando disse:

1- Ocorreu uma mudança no consenso evangélico.
2- Essa mudança é curta em doutrina e longa em experiência.
3- Pensar é considerado menos importante que sentir.
4- O amor à sã doutrina desapareceu .

A mudança que MacArthur descreve é o rumo exato percorrido por aqueles que estão envolvidos naquilo que veio a ser chamado de "Movimento de Crescimento de Igrejas" (MCI). A metodologia desse movimento entre os cristãos evangélicos materializou-se na segunda metade do século 20 e foi promovida pelo Seminário Teológico Fuller. A manifestação do movimento é agora vista nas megaigrejas sensíveis aos buscadores que estão surgindo como cogumelos por todo o país.

O "garoto propaganda" do MCI, o pastor Rick Warren, da Igreja da Comunidade de Saddleback, afirma que a igreja está no meio de uma revolução cultural transformadora; e aqueles que estão envolvidos em seus programas específicos são os líderes revolucionários que iniciarão uma "mudança de paradigma" que se expandirá por toda a cristandade.
Entretanto, fazendo-se um exame cuidadoso desses programas - "40 Dias de Propósito" e "40 Dias de Comunidade" - bem como nos livros de Rick Warren, Uma Igreja com Propósitos e Uma Vida com Propósitos - não somente começa-se a questionar a posição doutrinária deles, mas também a sutil introdução de filosofias e terminologias ocultistas em uma arena que proclama ser o cumprimento da "Grande Comissão" seu único resultado. Uma vez que tal compreensão seja obtida, então uma justa avaliação poderá ser feita dos programas que impulsionam o Movimento de Crescimento de Igrejas.
Nada contra o Rick Warren, mas pelo amor de Deus, devemos fugir das metodologias enlatadas americanas e definitivamente de ler a igreja evangélica brasileira com os nossos próprios olhos e corações. Grande ou pequeno, o importante mesmo é que o rebanho seja de Cristo!
Soli Deo Gloria