30 de set de 2008

Cristianismo Ilimitado.

Ao passar as Suas últimas horas com os discípulos, Jesus lhes diz: "Em verdade, em verdade vos digo, se pedirdes alguma cousa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome" (João 16:23). E então acrescenta: "Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa" (16:24).
Que declaração incrível. A cena se desenvolve e Cristo avisa Seus seguidores de que está partindo, e que não os veria por um curto tempo.Ainda assim, no mesmo esforço de voz lhes assegura que tinham acesso à toda bênção dos céus. Tudo que teriam de fazer era pedir em Seu nome.
O exemplo mais claro é o do desconhecido que operou obras poderosas no nome de Jesus. Os discípulos tentaram parar esse homem porque ele não era do seu círculo. João comunica a Jesus: "Mestre, vimos um homem que, em teu nome, expelia demônios, o qual não nos segue; e nós lho proibimos, porque não seguia conosco" (Marcos 9:38).
Este homem se apropriou das promessas de Cristo, e agiu sobre elas. E milagres aconteceram. Ele tinha a expectativa de o Senhor realizar milagres através dele, tudo em nome de Jesus Cristo.
É por isso que Jesus agora diz a João e aos outros: "Até agora, vocês nada pediram em Meu nome. Então, peçam e receberão. E a sua alegria será completa" (v. 16:24). Ele estava dizendo: "Peçam já. Não fiquem esperando chegar uma outra hora. E não tentem esclarecer isso teologicamente. Entendam: o Meu nome tem poder sobre o diabo. E vocês têm esse poder, porque estão em Mim. Peçam, e o Pai o fará".
O nosso Senhor é afligido pela crescente falta de fé em Suas promessas...pelas dúvidas cada vez maiores quanto a se Ele responde as orações ou não...e por um povo que reivindica cada vez menos o poder que está em Cristo.
O mundo jamais conheceu uma época mais necessitada. Contudo há menos petições do que nunca em nome de Jesus. Com o passar do tempo, os cristãos estão pedindo cada vez menos do Senhor.
A Bíblia diz que nestes últimos tempos, o diabo cairá sobre a humanidade "cheio de grande cólera, sabendo que pouco tempo lhe resta" (Apocalipse 12:12). A minha pergunta é: esse diabo furioso encontrará uma igreja passiva, manquitolando? Será que encontrará um povo fiel que exalta o nome de Cristo, mas que não resiste ao inimigo pelo poder que está nesse nome? Encontrará ele um povo de Deus que desistirá facilmente, dizendo: "Cheguei ao máximo que eu podia chegar. Agora sou obrigado a ficar assim até que o Senhor volte"?
Reflita sobre isso...

22 de set de 2008

Inimigos invisíveis nos problemas concretos!

Desde o Éden, existe um plano intenso de fazer com que o homem não desenvolva seu pleno potencial para as coisas de Deus, nem para os projetos de Deus. Temos três inimigos bem conhecidos: O mundo, a carne e o Diabo.
O mundo: Significa o universo de valores, idéias, conceitos, princípios contrários a Palavra de Deus. Ideologias humanas. A Carne Corporativa.
A carne: Significa os nossos próprios hábitos caídos, nossas escolhas que são fruto de um desejo carnal, de um desejo libidinoso ou injusto para a nosso próprio prazer sagaz.
O Diabo: Um ser espiritual, pai da mentira e que promove a acusação e confusão no meio da criação de Deus e de suas criaturas.

Essa guerra intensa acontece com muito mais força na vida do cristão, daquela pessoa que está batalhando para ter uma vida coerente com o Evangelho de Deus.

As 4 falhas na nossa compreensão diante dos problemas:

Antes de entrarmos no cerne da nossa discussão sobre uma espiritualidade verdadeiramente atingível, vamos deixar cla­ro o que a vida cristã não é. Existem quatro concepções errôneas sobre a espiritualidade e a maturidade cristã que simplesmente não são à prova d'água.

Primeira Falha: Por ser cristão, todos os seus problemas serão resolvidos. Prestamos um grande desserviço a um in­crédulo quando o fisgamos com a frase: "Venha a Cristo e todos os seus problemas vão acabar". A Bíblia nunca diz isso. Ela promete que seremos novas criaturas, garante que teremos um destino seguro, mas não pressupõe uma desci­da suave ladeira abaixo uma vez que Cristo entre na vida da pessoa. De fato, em alguns casos os problemas aumen­tam e a estrada fica mais difícil!

Segunda Falha: Todos os problemas que terá de enfrentar estão mencionados na Bíblia. Não estão. É bem pouco sábio fazermos declarações amplas, abrangentes, em relação a pontos sobre os quais as Escrituras não falam. Muitas ve­zes não encontramos uma resposta explícita na Escritura para o nosso problema específico. Nessas ocasiões, somos forçados a andar pela fé, confiando no Senhor para mos­trar-nos o próximo passo conforme necessário. A Bíblia simplesmente não oferece uma resposta específica para cada problema da vida.

Terceira Falha: Se você está tendo problemas é porque lhe falta espiritualidade. Não é triste que essa idéia seja anunciada em muitos lugares hoje? A existência de um problema simplesmente mostra que você é humano! Todos temos problemas e você não deixa de ser espiri­tual porque luta com um dilema. Na verdade, muitos dos homens e mulheres mais espirituais que conheço enfrentaram alguns dos mais difíceis problemas que a vida oferece. Pense em Jó e no seu sofrimento. Ele não tinha uma resposta. Ele não compreendia o porquê. Seus conselheiros, com suas declarações rígidas e precipitadas, estavam total­mente enganados; eles também não sabiam as respostas. Embora Jó fosse espiritual, tinha problemas enormes.

Quarta Falha: A exposição a ensinamentos bíblicos sólidos resolve automaticamente os problemas. A instrução bíblica por si só não resulta em soluções instantâneas dos problemas. Por mais confiável que seja o ensino, ou quão talentoso o professor, a declaração da verdade não proporciona a re­moção das dificuldades. Pense nas Escrituras como um mapa absolutamente exa­to. O mapa lhe diz como chegar a um determinado desti­no. Mas o fato de apenas olhar um mapa não irá transportá-lo automaticamente para qualquer lugar.

Por que então perseverar?

Por que perseverar? Por que continuar enfrentando as fortes correntes da tentação, medo, ira, perda, estresse, impossibilidades, mal-entendidos e erros? Por que lutar contra a deserção? Por que vencer a inferioridade? Por que continuar esperando? Por quê?

Porque é na arena da realidade que o verdadeiro caráter é forjado, moldado, temperado e polido. Porque é nela que a vida de Jesus Cristo tem a máxima possibilidade de ser reproduzida em nós, substituindo uma teologia interna frágil por um conjunto de convicções fortes, confiáveis, que nos capacitam a lidar com a vida em vez de fugir dela.

“Não só isso, mas também nos gloriamos nas tribulações porque sabemos que a tribulação produz per­severança, a perseverança, um caráter aprovado, e o caráter aprovado, esperança”. Romanos 5:3, nvi

Existem duas dimensões de existencia na vida:

1- A Galinha: a dimensão do enraizamento, do cotidiano, do limitado.
A galinha vive nas limitadções do terreiro dela, não voam, apenas pulam, todos os dias produzerm as mesmas coisas, esse animal é reprimido e confinado.

2- A Aguia: a dimensão do ilimitado, do sonho, da abertura, da realização possível.
A águia ganha as alturas, está livre e ve as coisas sobre a perspectiva do alto, não está presa, é livre das gaiolas, livre dos predadores, mora no alto e pensa no alto.

“A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam”

Assim existem também duas formas existenciais cristãs:

Um cristianismo bíblico, vivo, espiritual, que anda em coerência com a Palavra de Deus.
Esse cristianismo é real, visível, é prático. Um estilo de vida que dotado de significação, de propósito. Uma vida que testifica o que Jesus espera de nós.

Viver um cristianismo bíblico implica em viver uma vida de fé, não apenas para aceitar Jesus como Salvador, mas principalmente como Senhor das nossas vidas.

Para aceita-lo como Salvador, precisamos tomar uma decisão apenas, mas para aceitá-lo como Senhor de nossas vidas, precisamos continuamente nos submeter as decisões Dele, aos desígnios Dele, e a vontade Dele. Rm 10:10.

Um cristianismo humano, morto, carnal, sem autoridade de Deus, sem Palavra de Deus.
Muitas vezes vivemos uma vida de princípios frouxos, uma vida de fé em Deus, mas de pouca fé de Deus em nós: Lc 22:31-34.

E exatamente nessa esfera de existência cristã, que somos muitas vezes derrotados, pois acreditamos que basta apenas considerar Jesus,...Deus, mas não O fazermos Deus de nossas vidas e projetos.

Os inimigos invisíveis e concretos de Paulo:

O que na verdade está em pauta nesta Palavra não é o fato de que viveremos sem problema, pois só uma esfera de existência vive sem problemas: Aqueles que estão mortos, e enterrados debaixo da terra.

A grande questão é aprender com Paulo, como passar os problemas, sem sermos afetados por eles, sem ficarmos amargurados, frustrados e sem nenhum senso de realização. E necessário sofrer, a questão é como passar pelo sofrimento? Como possuir uma alegria que não seja fruto das circunstancias, mas sim de uma confiança inabalável?

Dissertação:

Paulo inicia sua defesa da fé aos irmãos de Corinto, dizendo a grande diferença entre o cristão e o mundano, e a diferença não está no fato de sofrer, mas sim em como atravessar as dificuldades da vida. A questão não é “pare de sofrer”, mas “Sofra, mas não pare jamais”.

1- Em tudo somos atribulados, mas não angustiados;
A esfera de alcance da dor e do sofrimento parecem não poupar nada na vida do cristão. O TODO pode estar comprometido. Paulo claramente diz “Em TUDO...”.

Na verdade todos nós somos educados pelo mundo a buscar uma vida de conforto, e não de sofrimento. O que prevalece sempre é a necessidade do prazer e da satisfação.

Muitas pessoas dentro da igreja carregam o estigma de que quando estavam no “mundão” tudo parecia melhor. E de fato era, pois desconhecíamos a importância da “queda do homem”. No momento em que ganhamos o Amigo Jesus, ganhamos automaticamente três inimigos diretos: O mundo, a carne e o Diabo, e eles nos perseguem continuamente.

Por isso Paulo afirma que “Em tudo...” seremos atribulados, ou seja, todas as esferas de existência de nossa vida estão comprometidas com esses inimigos. Vivemos no mundo, agimos e convivemos com o Reino Espiritual e habitamos em um corpo.

Atribulados: 2Co 7:5 – (Significa: oprimir, afligir, pressionar) Quase sem escape.
Não-Angustiados: Angustia significa aflição (perturbado)

2- Perplexos, mas não desesperados;
Perplexidade: Estar em dúvida: Como? Porque? Isso aconteceu? A perplexidade mostra a fragilidade de nossa fé. Apesar de não ser desejável termos dúvidas, sabemos que é possível duvidar, ou mesmo ficar em dúvida, mas ainda isso não nos desespera. Ficamos perplexos, mas não totalmente perplexos.

Apesar de não entendermos algumas coisas, não nos desesperamos. Apesar de não compreender algumas situações que nos cercam, como cristãos autênticos, não nos perdemos completamente.

Considero a Escatologia (o estudo das últimas coisas) extremamente importante, pois apesar de não entender os meios, tenho plena confiança que o fim da história está nas mãos de Deus. Ele é o Alfa e o Omega, o princípio e o fim. As vezes não entendemos o processo, mas temos confiança nos resultado final de todas as coisas.

3- Perseguidos, mas não desamparados;
Aqui perseguição nos dá a idéia de caçada implacável. O inimigo de nossas almas, é como um leão caçador, que está sempre rondando a nossa vida. Paulo era continuamente caçado:
2Co 10:10.
2Co 11:23-29
2Co 12:7
Mas Paulo apesar das lutas, não se sentia desamparado: 2Tm 4:17
“Mas o Senhor, me assistiu e me revestiu de forças, para que por meu intermédio, a pregação fosse plenamente cumprida, e todos os gentios a ouvissem, e fui libertado da boca do leão”.

4- Abatidos, mas não destruídos.
Abater: Cair – inclinar, vergar, dobrar. Mas jamais ser arruinado ou estar destruídos. “Envergamos, mas não quebramos” – “Lutamos, mas jamais perdemos a luta”
APLICAÇÕES PRÁTICAS


1- Nossos inimigos imaginários, as vezes são mais reais que nossos inimigos concretos.
Quantas vezes alimentamos o perigo antes mesmo do perigo chegar? Quantos de nós supra-dimensionamos os problemas e as dificuldades?

E a pessoa que tem medo de borboleta, mas não tem medo de cachorro bravo. A borboleta imaginária é maior que o cachorro real.

Toda Fobia nasce primeira na criação de um mundo imaginário e por diversas vezes esse mundo transcende a realidade (Que mal a um homem, pode fazer uma borboleta?) Mas o mal imaginário se torna mais real do que a realidade de um cachorro bravo.

Porque existem pessoas que não se levantam mais depois de certas derrotas ou perdas? Muitas vezes o mundo criado por ela, transcende o mundo real. O problema na cabeça é maior que o problema da circunstancia.

Paulo trás de novo a realidade para perto de nós: Em tudo somos atribulados, mas não angustiados – Perplexos, mas não desesperados – Perseguidos mas não desamparados – Abatidos, mas não destruídos.

Quem fica preso com seus medos e inimigos imaginários, além de nunca vence-los, jamais transcende a sua vida, nem vive a Grande Aventura. Entre o sonho e a realidade está algo chamado OUSADIA.


2- Não Seja dominado pelas suas derrotas, mas pelos grandes sonhos.

O Time de Jesus (características de alguns discípulos)
1- Mateus: Tinha uma péssima reputação, era publicano corrupto e cobrador de impostos.
2- Tomé: Tinha a paranóia da insegurança, só acreditava naquilo que tocava. Era lógico.
3- Pedro: Era inculto, intolerante, estressado, impulsivo e impaciente.
4- João: era o mais amável, porém queria ser o primeiro entre os demais, era egoísta.
5- Judas: era moderado, equilibrado e sensato, porém era ladrão (cleptomaníaco)
6- Tiago: recebeu o apelido de Boanerges (filho do trovão), quando confrontado era agraessivo)

Na verdade o que quero mostrar é que estas pessoas sofreram com seus temores, com suas dúvidas, com seus inimigos imaginários, mas não deixaram de se desenvolverem, pois Jesus não os havia chamado por aquilo que eles eram, mas sim por Aquilo que ELE ERA.

Jesus apostou tudo o que Ele tinha, naqueles que estavam lhe frustrando. Não temos o direito de desistir, podemos até reclamar, mas jamais desistir.

Conclusão:

Paulo nos mostrou que apesar das dificuldades, de nossos inimigos imaginários e de nossos problemas concretos, Deus já estabeleceu o fim da história. Portanto a nossa felicidade não está nas realizações humanas, mas sim nas realizações eternas. A nossa maior necessidade é a própria pessoa de Deus.
Hc 3:17
Soli Deo Gloria
Pr. Bruno dos Santos

15 de set de 2008

A responsabilidade de carregar a Glória de Deus

No primeiro livro de Crônicas, no capítulo treze, existe uma história aparentemente injusta. O rei Davi está trazendo a arca da aliança novamente para a sua cidadela, após a derrota nos tempos de Saul para os filisteus, e num determinado momento Uzá, um servo de Davi que ia conduzindo um carro de bois que carregava a arca, toca na arca para que ela não caia, devido um tropeço de um dos bois que levava o carro. Uzá ao tocar a arca simplesmente morre, a ira de Deus se ascende contra Uzá e Davi preocupadíssimo deixa a arca na casa de um homem chamado Obede-Edom, e durante o tempo em que a arca fica em sua casa, ele e sua família são ricamente abançoados. O que esta história pode nos ensinar a respeito da Glória de Deus?
Lembre-se, onde estava a arca, estava Deus, e onde Deus está, está também a sua Glória! Nós aprendemos pelo menos três coisas importantes com respeito a Glória de Deus.

1- A falta da Glória de Deus em nossas vidas
Davi era um rei, um conquistador, um homem de méritos e glórias pessoais. Mas Davi também era um adorador, um homem segundo o coração de Deus. Um homem que reconhecia a sua limitação e a sua força. Davi reconhecia que qualquer conquista, sem a presença de Deus fica cinza, escura, apagada. Apesar de ser temido, de ter tido sucesso em suas empreitadas. Ele não tinha com ele a Glória de Deus. O Shekiná de Deus não estava com ele. Existirão dias que não mais buscarão a Arca (glória) de Deus disse o profeta – Jr 3:16. Nenhuma vitória é completa sem a a Glória de Deus. 1Cr 13:3

2- Não nos adianta fazermos coisas boas, mas corretas.
Uzá morreu por falta de entendimento. 1Cr 13:7 Muitas pessoas estão nas igrejas fazendo uma série de coisas boas, mas será que elas estão corretas em suas diretrizes, corretas em suas motivações? É bom buscar o Senhor na igreja, mas se apenas O buscamos para que sejamos livres de problemas, então isso é errado. Deus havia dado ordens expressas de como carregar a sua Arca. Até mesmo os pagãos flisteus procuraram SABER como proceder com a Arca de Deus. 1Sm 6:2-7. Uzá morreu porque fez do seu jeito (ainda que inconscientemente). Não haverá desculpa pela nossa falta de zelo. Deus nos deixou tudo prescrito em sua Palavra.

3- A Glória de Deus gera prosperidade em nossas vidas.
Obede-Edon era um Geteu (Ger = estrangeiro). Obede-:Edon não era um Israelita de sangue.
Era um filisteu. Era um colono filisteu prosélito. Josefo em seus escritos afirma que era um homem piedoso e pobre, mas que depois desta situação, Deus o prosperou grandemente. Isso nos mostra que Deus não escolhe os melhores, nem os mais capacitados, mas Deus escolhe os piedosos de coração para carregarem a sua Glória. Na verdade relacionar a prosperidade que vem de Deus com dinehrio é diminuir a sua Glória. A prosperidade de Deus é mais do que riquezas, a prosperidade é paz de espírito, coisa que nenhuma riqueza no mundo pode nos dar. Essa paz alcança a casa de Obede-Edom.

Portanto deixo três lições para a responsabilidade de carregar a Glória de Deus

1- Não busque conquistar qualquer coisa sem a presença de Deus.

2- Seja um cristão bíblico. Pense e aja biblicamente.

3- Consagre a sua casa para o serviço de Deus.

3 de set de 2008

Tricotomia ou Dicotomia?

Um dos aspectos mais importantes da visão cristã do homem é a de que devemos vê-lo em sua unidade, como uma pessoa total. Os seres humanos têm sido imaginados como consistindo de partes separadas e, algumas vezes, de partes distintas, que são, dessa forma, abstraídas da totalidade.
Assim, nos círculos cristãos, o homem consiste ou em “corpo” e “alma”, ou em “corpo”, “alma” e “espírito”. Tanto os cientistas seculares como os teólogos cristãos, contudo, estão reconhecendo gradativamente que tal entendimento dos seres humanos está errado, e que o homem deve ser visto como uma unidade.
O que devemos observar primeiro de tudo é que a Bíblia não descreve o homem cientificamente; na verdade, o julgamento (dos teólogos) é que a Bíblia não nos dá nenhum ensino científico a respeito do homem, nenhuma “antropologia” que deveria ou poderia estar em competição com uma investigação científica do homem nos vários aspectos de sua existência ou com a antropologia filosófica. Do ponto de vista da psicologia analítica e da fisiologia, o uso do Antigo Testamento é caótico: ele é o pesadelo do anatomista quando qualquer parte pode ser entendida
Embora não derivemos uma antropologia ou psicologia científica exata da Bíblia, podemos aprender da Escritura muitas verdades importantes a respeito do homem. Na verdade, isso é o que tentamos fazer nos capítulos anteriores deste livro. Deveríamos nos lembrar novamente que a coisa mais importante que a Bíblia diz a respeito do homem é que ele está inescapavelmente relacionado a Deus.
Berkouwer coloca este assunto da seguinte maneira: “Podemos dizer sem medo de contradição que a coisa mais notável no retrato bíblico do homem repousa nisto: que nunca chama a atenção para o homem em si mesmo, mas exige a nossa atenção mais plena para o homem em sua relação com Deus.” Em outras palavras, as Escrituras não estão primariamente interessadas nas “partes” constituintes do homem ou na sua estrutura psicológica, mas nos relacionamentos que ele mantém.
Vez por outra, entretanto, tem sido sugerido que o homem deveria ser entendido como consistindo de certas “partes” especificamente distintas. Um desses entendimentos é usualmente conhecido como tricotomia — a idéia que, segundo a Bíblia, o homem consiste de corpo, alma e espírito. Um dos proponentes mais antigos da tricotomia, é Irineu, que ensinava que enquanto os incrédulos possuiam somente almas e corpos, os crentes adquiriam espíritos adicionais, que eram criados pelo Espírito Santo.
Um outro teólogo que usualmente está associado com a tricotomia é Apolinário de Laodicéa, que viveu de 310 a aproximadamente 390 AD. A maioria dos intérpretes atribuem a ele a idéia de que o homem consiste de corpo, alma e espírito ou mente (pneuma ou nous), e que o Logos ou a natureza divina de Cristo tomou o lugar do espírito humano na natureza humana que Cristo assumiu.
Mais recentemente tem sido defendido por escritores como Watchman Nee, Charles R. Solomon (que afirma que através do seu corpo, o homem relaciona-se com o ambiente, através de sua alma com os outros, e do seu espírito com Deus), e Bill Gothard. É interessante observar que a tricotomia é também defendida na antiga e na nova Scofield Reference Bible. A despeito deste apoio, devemos rejeitar a visão tricotomista da natureza humana. A palavra em si mesma sugere que o homem pode ser separado em três “partes”: a palavra tricotomia é formada de duas palavras gregas, tricha, “tríplice” e temnein, “cortar. Alguns tricotomistas, incluindo Irineu, até sugeriram que certas pessoas tinham os seus espíritos cortados, enquanto que outras não.
Em Platão e em outros filósofos gregos havia uma aguçada antítese entre as coisas visíveis e as invisíveis. O mundo como substância material não foi criado por Deus, diziam os gregos, mas sempre esteve contra ele. Um poder intermediário se fazia necessário para que pudesse haver ligação entre o mundo e Deus, e, assim, haver harmonia entre eles — este era o mundo da alma. A idéia do homem, encontrada no pensamento grego, pensa Bavinck, é semelhante: o homem é um ser racional que possui razão (nous), mas ele é também um ser material que tem um corpo. Entre esses dois deve haver uma terceira realidade que age como mediador: a alma, que é capaz de dirigir o corpo em nome da razão.
A Bíblia, contudo, não ensina qualquer tipo de distinção aguda entre espírito (ou mente) e corpo. Segundo as Escrituras, a matéria não é má porque foi criada por Deus. A Bíblia nunca denigre o corpo humano como uma fonte necessária do mal, mas o descreve como um aspecto da boa criação de Deus, que deve ser usado no serviço de Deus. Para os gregos o corpo era considerado “uma sepultura para a alma” (soma sema) que o homem alegremente abandonava na morte, mas esta idéia é totalmente estranha às Escrituras.

continua no próximo

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COBERTURA ESPIRITUAL E APOSTOLADO MODERNO