Entre a Graça e a Desgraça.

Caro Pastor Bruno;

Recentemente ouvi um cd contendo uma mensagem sua sobre Livre-Arbítrio e Pré-destinação e gostaria que o senhor esclarecesse este assunto de uma forma mais clara pra mim. Somos livres ou não? Podemos escolher a Cristo ou não? Caso suas respostas sejam afirmativas, isso não seria fundamentalismo religioso?

Susana Gomes – São Vicente/SP

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Querida Susana; Graça e Paz do Senhor.

Não sou um fundamentalista religioso, apenas alguém (sem demagogia nenhuma) que necessita desesperadamente da graça de Deus que em salva Nele e para Ele. Creio sim, na escolha soberana de Deus sobre os homens (que a teologia nomeou de Pré-destinação), e para ser sucinto, vou tratar das seguintes proposições: Deus escolheu um número definido de pessoas para a salvação; o homem não tem livre-arbítrio que o capacite a crer no evangelho; os que crêem é porque foram previamente escolhidos; e os que não foram escolhidos não crêem.


1. Deus escolheu um número definido de pessoas para a salvação

Esta é uma verdade cristalina da Bíblia. Paulo escreveu que "devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação" (2Ts 2:13). Vemos aí que Deus fez uma escolha pessoal de pessoas para salvá-las. Qualquer tentativa de enfraquecer essa verdade, seja alegando que se trata de eleição para uma obra ou ofício, ou que se refere à eleição de um povo e não de indivíduos ou ainda que se trata de eleição de toda a humanidade, é lutar contra a clareza e a contundência da Bíblia, não apenas nesta passagem como em tantas outras onde a eleição soberana e graciosa é ensinada.

2. O homem não tem livre-arbítrio que o capacite a crer no evangelho

Igualmente verdadeiro é o fato de ninguém tem uma capacidade intrínseca de crer em Jesus Cristo por si mesmo. O próprio Cristo afirmou que "ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6:44). É significativo que a palavra traduzida por trazer é a mesma que em outras partes da Escrituras é traduzida arrastar (Jo 21:11; At 16:19; 21:30; Tg 2:6), indicando que o homem só vai a Jesus arrastado por Deus. A fé não é uma faculdade do homem, mas algo que lhe é concedido. Por isso se diz que "a fé vem" (Rm 10:17) como um "dom de Deus" (Ef 2:8)


3. Os que crêem é porque foram previamente escolhidos

O testemunho bíblico é que apenas os que foram escolhidos na eternidade crêem em tempo oportuno. Lucas, pesquisador e historiador cuidadoso, registra que "creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna" (At 13:48). Vemos aí uma ordem entre eleição e fé. Essa mesma ordem aparece nos escritos de Paulo. Aos romanos ele escreveu "aos que predestinou, a esses também chamou" (Rm 8:30). Mais tarde, ao dizer que Deus "nos salvou e nos chamou com santa vocação" deixou claro que isso se deu "conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos" (2Tm 1:9).

4. Os que não foram escolhidos não crêem

Finalmente, a Bíblia ensina que "a fé não é de todos" (2Ts 3:2), mas os que crêem é pela "fé que é dos eleitos de Deus" (Tt 1:1). Jesus disse "mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas" (Jo 10:26). Somente quem foi escolhido por Deus recebe a capacidade de crer no evangelho, pois como já dito anteriormente, crer no evangelho e ir a Cristo não é uma habilidade natural do homem, chame-se isso livre-arbítrio ou qualquer outro nome que lhe queiram dar.

Quando se trata de verdades espirituais, não devemos nos apegar aos nossos pressupostos ou conceitos arraigados em nossa mente, mas devemos nos render ao que a Bíblia nos ensina. Graças a Deus pelo Seu Filho que me amou e a si mesmo se entregou por mim.

A Deus, toda a Glória.

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