27 de fev de 2009

O Carnaval é uma enfermidade social

Por que o carnaval é uma festa da carne? Porque o carnaval é a festa da resistência, mas entenda-se ‘resistência’ num outro sentido. Eu explico: Quem nunca conheceu aquele tipo incrivelmente bem-humorado, brincalhão, piadista e extremamente “de bem com a vida”? Aquele tipo que nunca antes foi visto reclamando, chorando, xingando, pedindo ajuda ou fazendo terapia. Mas precisamos nos lembrar que os "pierrôs" são palhaços tristes!
Quem nunca se surpreendeu ao descobrir, em geral acidentalmente, que esse mesmo tipo é, no fundo, um dos sujeitos mais detonados e infelizes da vida? Mas este tipo de pessoa é tão destruída e tão infeliz que sequer consegue olhar para si mesmo, e ver a porcaria onde está enfiado. Talvez eu esteja exagerando, mas acho que muitos brasileiros são parecidos com esse sujeito.
Um país que resiste em encarar seus problemas e em tentar solucioná-los com menos sorrisos delirantes e com mais lágrimas; um país onde o carnaval, mesmo sendo celebrado por poucos dias, dura eternamente no coração das pessoas. Um país onde as boas lembranças tem muito mais a ver com bebida, suor e cantorias e sexo livre, do que com saúde, segurança, educação e cidadania.
Creio que precisamos refletir sobre a realidade social e mental que o carnaval nos passa. Em um país com problemas tão agudos quanto o nosso, o carnaval se torna a festa mais hipócrita e sem sentido deste mundo. Peço à Deus que em lugar de alegria, haja mais pranto e mais consciência e transformação social.

18 de fev de 2009

O que é o "mistério" da iniquidade?

Ao falar sobre o “mistério da iniqüidade”, Paulo descreve a apostasia como uma rebelião “a tudo que se chama Deus, ou objeto de culto” (2Ts 2.4). Um investimento em educação ou mesmo em infra-estrutura não será suficiente para conter o avanço do “mistério da iniqüidade”. O que está por trás das graves crises que a humanidade vem sofrendo não é fruto apenas da falta de escolas ou de investimentos em infra-estrutura, mas de um processo de exclusão de Deus e de sua verdade, bem como da irrelevância e do silêncio da igreja diante dos grandes temas que envolvem o ser humano.

Em suas Confissões, Agostinho declara que “fizeste-nos para ti, ó Deus, e nossa alma não encontrará repouso enquanto não descansar em ti”. Talvez um dos mistérios centrais de nossa humanidade esteja no fato de que fomos criados por Deus e para Deus, e que somente Deus, por meio da humanidade do seu Filho Jesus Cristo e da presença do seu reino, pode nos devolver o significado de sermos verdadeiramente humanos.

A resposta dos cristãos ao mistério da iniqüidade ou da apostasia é o seu compromisso radical com o chamado de Jesus Cristo. Dietrich Bonhoeffer, pouco antes de sua morte em 1945 num campo de concentração, prevendo os rumos da igreja na Europa, escreveu a um amigo: “Durante estes anos, a igreja vem lutando pela sua autopreservação, como se isto fosse um fim em si mesmo e, conseqüentemente perdeu a oportunidade de pronunciar uma palavra de reconciliação para a humanidade e para o mundo como um todo. Por isso, nossa linguagem tradicional se tornará inevitavelmente impotente e condenada ao silêncio; o cristianismo ficará confinado às orações e à prática de boas obras em relação a nossos irmãos e irmãs. O pensamento cristão, sua palavra e sua organização, precisam renascer a partir dessa oração e dessas obras… Será uma nova linguagem… a linguagem de uma nova justiça e verdade que proclama a paz de Deus com os homens e a chegada do seu reino”.

O reconhecimento de que o ser humano, por mais que negue e rejeite o evangelho de Cristo, depende dele para sua redenção e o resgate de sua dignidade, deve nos levar a priorizar sua proclamação como afirmação da verdade e nos conscientizar de que a educação requer, em última instância, um encontro com Deus.

O mistério da iniqüidade é hoje a reação da mentalidade secularizada, que se opõe a Deus e a tudo o que se refere a Deus, numa clara rebelião aos propósitos do Criador, levando as pessoas a dar mais crédito à mentira do que à verdade. O chamado de Cristo nos leva a acolher a verdade em amor e a proclamá-la com clareza e firmeza. A recomendação de Paulo aos cristãos diante da apostasia é para que permaneçam firmes na fé e na salvação em Cristo, guardando as tradições que foram ensinadas pelos apóstolos, certos de que Deus, em seu eterno amor, nos consola e nos confirma em toda boa obra e palavra.

13 de fev de 2009

Se você não sabia, fique sabendo!

Você sabia que foi apenas no ano 190 d.C. que a palavra grega ekklesia, que traduzimos como igreja, foi pela primeira vez utilizada para se referir a um lugar de reuniões dos cristãos? Sabia também que esse lugar de reuniões era uma casa, e não um templo, já que os templos cristãos surgiram apenas no século IV, após a conversão de Constantino?

Você sabia que os cristãos não chamavam seus lugares de reuniões de templos até pelo menos o século V? Você sabia que o primeiro templo cristão começou a ser construído por Constantino, sob influência de sua mãe Helena, em 327 d.C., às custas de recursos públicos, e sua arquitetura seguia o modelo das basílicas, as sedes governamentais da Grécia e, posteriormente, de Roma, e dos templos pagãos da Síria?

Você sabia que as basílicas cristãs foram construídas com uma plataforma elevada acima do nível da congregação e que no centro da plataforma figurava o altar, e à sua frente a cadeira do Bispo, que era chamada de cátedra? Você sabia que o termo ex cathedra significa “desde o trono”, numa alusão ao trono do juiz romano, e, por conseguinte, era o lugar mais privilegiado e honroso do templo?

Você sabia que o Bispo pregava sentado, ex cathedra, numa posição em que o sol resplandecia em sua face enquanto ele falava à congregação, pois Constantino, mesmo após a sua conversão ao Cristianismo, jamais deixou de ser um adorador do deus sol? Você sabia que o atual modelo hierárquico do Cristianismo, que distingue clero e laicato, teve origem e ou foi profundamente afetado pela arquitetura original dos templos do período Constantino?

Você sabia que Jesus não fundou o Cristianismo, e que o que chamamos hoje de Cristianismo é uma construção religiosa humana, feita pelos seguidores de Jesus ao longo de mais de dois mil anos de história? Você sabia que o que chamamos hoje de Cristianismo está profundamente afetado por pelo menos três grandes eras: a era de Constantino, a era da Reforma Protestante e a era dos Avivamentos na Inglaterra e nos Estados Unidos? Você sabia que é praticamente impossível saber a distância que existe entre o que Jesus tinha em mente quando declarou que edificaria a sua ekklesia e o que temos hoje como Cristianismo Católico Romano, Protestante, Ortodoxo, Pentecostal, Neopentecostal e Pseudopentecostal?

Você sabia que os primeiros cristãos se preocuparam em relatar as intenções originais de Jesus com vistas a estender seu movimento até os confins da terra? Você sabia que este relato está registrado no Novo Testamento, mais precisamente nos Evangelhos e no livro de Atos dos Apóstolos? Você sabia que o terceiro evangelho, Evangelho Segundo Lucas, e o livro dos Atos deveriam formar no princípio uma só obra, que hoje chamaríamos de “História das origens cristãs”? Você sabia que os livros foram separados quando os cristãos desejaram possuir os quatro evangelhos num mesmo códice, e que isso aconteceu por volta de 150 d.C.? Você sabia que o título “Atos dos Apóstolos” surgiu nessa época, segundo costume da literatura helenística, que já possuía entre outros os “Atos de Anibal” e os “Atos de Alexandre”?

Bem, se você não sabia...Fique Sabendo...e pense muito sobre tudo isso!



Obs. Inspirado no texto editado no Pavablog, escrito por Ed Rene Kivitz.

8 de fev de 2009

“O Diabo é o diabo de Deus”. – A luta contra o Diabo e a luta com o diabo.

É muito curioso que o título deste artigo seja estranho para a maioria dos crentes, porque na verdade, ele é uma frase de autoria de Martinho Lutero, o grande reformador. É uma pena que a maioria dos evangélicos saiba tão pouco de sua origem. Lutero, convicto da soberania de Deus, deixa claro que, conquanto Satanás seja maligno e ardiloso, ele também está sob o domínio de Deus.

Satanás é responsável por seus próprios atos, mas não pode fazer tudo o que lhe vem à mente, pois Deus é soberano. E não só isso, a sabedoria de Deus é tão elevada que muitas vezes os atos do diabo acabam, em última análise, contribuindo para os propósitos de Deus. Um exemplo clássico é o caso de Jó. Sem saber, Satanás estava contribuindo até para a formação do cânon bíblico. Se ele não tivesse se proposto a tentar Jó até os seus limites, não saberíamos quão pacientes e perseverantes devemos ser nas tribulações e não entenderíamos as dinâmicas espirituais muitas vezes envolvidas em nossas experiências diárias.

Como Deus a ninguém tenta, Jó não teria passado por aquela experiência se não fosse a “valiosa” contribuição de Satanás, que ao acusá- lo diante de Deus, perdeu uma boa oportunidade de ficar calado. Detalhe: Foi a sabedoria de Deus que transformou o mal em bem e foi a Sua soberania que controlou a fúria do Caluniador.

O que quero expressar aqui é que as vezes nos preocupamos com os intentos do Diabo, quando na verdade Deus está querendo que olhemos para o alvo de nossa fé. Para que possamos olhar um pouco mais para o nosso coração e entender a realidade espiritual de nossa vida. Jó apenas tomou a atitude de esperar em Deus. Ele mesmo disse: “Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado.” (Jó 42:2). É o que Paulo disse: “tudo é dele, por meio dele e para ele”. (Rm 11:36). Até o Diabo é o Diabo de Deus.

Existem momentos em que precisamos guerrear contra principados e potestades e existem momentos em que precisamos esperar em Deus, todas as coisas. Guerreando com nossos medos e temores interiores. A guerra não acontece apenas de dentro para fora, mas também de fora para dentro. As vezes lutamos contra o Diabo de Deus, e as vezes lutamos contra o diabo criado pelos evangélicos.

3 de fev de 2009

De quem é o maior pecado?

Vejo a luta constante de muitos “freqüentadores do cristianismo” impondo sobre si mesmos, metas inalcançáveis de espiritualidade. Verdadeiros “monges gospel”. Querem agir sobre sua própria força e entendimento, satisfazendo assim, sua personalidade. Não o Espírito de Deus. Eu explico!

A força com a qual lutamos não é carnal, mas poderosa EM Deus. Vem de Deus, é de Deus e sai de Deus nos alcançando no coração. Erramos porque somos pecadores, nunca o contrário. Porque pecado é coisa de coração, não de atitude. Pecado não é forma, pecado é essência. O pecado não está nos maus costumes, pecado é má consciência do ser. É por isso que pra Deus peca quem tem intenção, não quem comete um erro.

Muitos buscam através de jejum e oração mudar sua própria natureza. E natureza não se muda com jejum e oração, mas com arrependimento e mudança de mentalidade. Natureza se muda rejeitando toda e qualquer virtude que acredito possuir. Pois se continuar acreditando que alguma coisa de boa reside em mim, pensarei que sou o que sou, não pela Graça, mas por meus próprios méritos, e isso é coisa de fariseu. Pode acreditar!

Cristão que está plantado na videira, ainda peca, mas porque erra, não porque quer pecar. O mal que NÃO QUERO, esse eu faço, disse Paulo. Eu faço coisas más, mas não que eu deseje de todo coração fazê-las. Minha natureza ainda grita dentro de mim, mesmo que meu coração saiba discernir entre essência e forma, entre ser pecador e pecar.

Mas para você que não é pecador, mas ainda peca, não acumule peso sobre sua consciência. Saiba que se você peca e reconhece que pecou, o Espírito está aperfeiçoando sua consciência, mas se você acredita de todo coração que não comete pecado como um bom fariseu, sua atitude para consigo mesmo está dizendo que Deus é um grande mentiroso. E não existe um pecado maior do que esse. Por isso o maior pecado está no coração dos religiosos.

Que Deus te abençoe ricamente.

Pr. Bruno dos Santos

2 de fev de 2009

Uma viva esperança!

“Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo; Por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz perseverança, e a perseverança, experiência, e a experiência, esperança. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado”. Rm 5:1-5


Justificados pela fé! Não por mérito. Não porque fizemos ou fazemos algo que nos faça merecedores. Não porque não tenhamos feito, ou porque jamais faremos algo pelo que possamos ser acusados de culpa. Mas pelo “simples” fato de crermos. Mas crer no quê? Crer na própria justificação. Na isenção da culpa. Não porque o Juiz tenha dispensado o exercício da justiça. Mas por ter ele exercido a justiça em si mesmo! Por ter oferecido a sua condição de justo a nós, para assumir sobre si mesmo, a nossa posição de injusto. A nossa culpa. Há que preço? Graça!

Não é nada simples ter essa fé. Não é nada fácil acreditar que alguém pudesse escolher agir com uma voluntariedade tão infinitamente superior a qualquer atitude mais nobre que jamais pudéssemos ter. A magnitude desta graça é tão impactante que nos rouba a paz. E somente quando recebemos, por meio da fé, resultante da própria graça, a revelação de si mesma, é que podemos experimentar a paz que dela advêm.

Os que encontram paz com Deus não vivem mais em função do hoje. Mas vivem em função do amanhã. Do maravilhoso dia do Senhor. Dia da manifestação da Sua glória. E por não estarem mais focados no agora, encontram significado mais nobre nas tribulações. É como se eles as pudessem contemplar de cima para baixo. O quadro é mais amplo. A tribulação, seja ela um problema familiar, problema de relacionamentos, ou mesmo uma fraqueza pessoal, é sempre uma ferramenta. Um instrumento nas mãos daquele que nos escolheu para a justificação. Um meio para nos fazer chegar naquele dia, na forma em que Ele quer que cheguemos. Esta compreensão gera a perseverança. A gana de continuar remando contra a maré. A paciência de recomeçar quantas vezes seja necessário, porque o perdão me foi dado, por meio de Jesus Cristo, para ontem, para hoje e para amanhã. Foi dado, sem que tivesse sido perguntado o tamanho do delito, ou a gravidade da culpa. A paz, que a graça nos traz nos condiciona a continuar acreditando na justificação, apesar da tribulação de pensamentos, sentimentos ou emoções, de modo a nos tornarmos, não cauterizados de mente, mas gratamente experimentados, calejados do caminho que o seu autor o diz ser Ele mesmo. É uma maturidade que nos faz vivenciar a eternidade. Embora ela se manifeste ainda como uma esperança. Uma esperança certa. Viva. Esperança que tem como combustível a voz do próprio Espírito de Deus, insistentemente nos lembrando de que somos dele.


Lucas Santos - CMC Rede Apostólica

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COBERTURA ESPIRITUAL E APOSTOLADO MODERNO