A retórica de sempre

Os líderes evangélicos dizem que igreja não salva ninguém.
Mas não acreditam realmente que alguém que não freqüenta igreja alguma possa ser salvo.

Os líderes evangélicos dizem que Deus ama quem dá $ com alegria.
Mas não acreditam que um irmão pode estar precisando exatamente do contrário: receber

Os líderes evangélicos dizem que não existe representante de Deus na Terra.
Exceto quando se trata do dízimo, pois, ao não entregá-lo para a instituição religiosa, o crente está roubando a Deus.

Os líderes evangélicos dizem que o exame das escrituras é livre.
Mas não aceitam a exposição de opiniões e interpretações diferentes na Escola Dominical.

Os líderes evangélicos dizem que o sacerdócio é universal.
Mas não acreditam que ovelhas possam viver sem se submeter às autoridades eclesiásticas.

Os líderes evangélicos dizem que Deus odeia o pecado e ama o pecador.
Mas não acreditam que Deus possa amar aos “gentios” tanto quanto aos crentes.

Os líderes evangélicos dizem que não existe “pecadinho” e nem “pecadão”.
Mas disciplinam irmãos por causa de alguns pecados considerados mais graves e ignoram outros pecados tidos como menos graves.

Os líderes evangélicos dizem que é preciso amar ao próximo como a ti mesmo.
Mas pensam que o “próximo” se refere somente aos seus irmãos de fé e não aos que confessam outra (ou nenhuma) fé.

Os líderes evangélicos pregam que é preciso dar a outra face ao inimigo.
Mas não fazem desta maneira com grupos pró-aborto, macumbeiros, homossexuais e ateus.

Os líderes evangélicos dizem que Deus é soberano e sua vontade é o melhor.
Mas não tem temor ao aconselhar ao rebanho a exigir que Deus “olhe para eles” para poder tomar posse das benção$.

Os líderes evangélicos pregam que Jesus foi pobre, andou com pecadores, venceu o diabo no deserto e sofreu morte de cruz.
Mas te fazem acreditar que você está pobre (ou no leito da morte) porque não tem fé. Provavelmente está endemoniado e anda com pecadores.

Escrito por Saulo Dias Luz no Blog: http://salcompimentas.blogspot.com

Acendendo a luz...que brilha em nós.

Fazemos conviver em nosso mundo, ambiguamente, duas crenças. Aquela que nos acomoda e conforta e a outra que permeia nossa vivência. Uma, promete-nos uma vida segura, porque é correta e piedosa, e a outra, convence-nos do que faz sentido. Uma, falante e retórica. Outra, silente e real. A vida de muitos religiosos é assim: Afirmam sua fé como sem dúvida, mas vivem sua vida como sem fé. Na fé pronunciada, esquece-se do que se vive. Na prática escamoteada, esquece-se do que confessa. Não o culpo. Ou é crente e não se suicida. Ou é honesto e relativiza seus dogmas.

Sugira a um crente evangélico que o texto bíblico é tão contingente quanto sua vida e você será tratado como uma ameaça a sua segurança. Você pode lidar com a Bíblia e toda e qualquer crença como verdades contingentes, contanto que não admita. Crenças contingentes só com a luz apagada.

Verdades contingentes são aquelas crenças que podem ser verdade lá, mas podem deixar de ser aqui. Que podem ser plausíveis quando Paulo ensina aos escravos cristãos a serem bom escravos, mas não ser em nossos dias, em que a consciência dos direitos humanos expurgou a prática da escravidão. Você pode aconselhar brasileiros vitimados pelo trabalho escravo a denunciarem seus patrões como criminosos, mas ao ler a Carta a Filemon, faz de conta que “servo” não é o mesmo que “escravo”. Ao ler o milagre realizado por Jesus de transformar água em muito e no melhor vinho, faz de conta que era suco de uva e continua a apregoar seu ascetismo.

Uma fé que só se mantém com a luz apagada é uma ficção. E João, que nos disse que Deus é luz e que nele não há treva alguma? E seu convite a andarmos na luz com a mesma coragem existencial de Jesus para termos comunhão uns com os outros? Afinal, comunhão é a arte da honestidade e a Bíblia, é verdadeira demais para ser reduzida aos quartos escuros, sectários e covardes das ficções religiosas. Oro para que um dia, Jesus acenda a nossa luz!