O maior inimigo do Evangelho é o próprio crente!

Existe uma famosa frase atribuída a Gandhi que diz: “Amo o cristianismo, mas abomino os cristãos, pois não vivem segundo os ensinamentos de Cristo. Eu seria cristão, sem dúvida, se os cristãos o fossem vinte e quatro horas por dia."

A distorção entre a prática dos crentes e a Palavra de Deus é gritante. Vivemos tempos que nos faltam exemplos, e os poucos que restam, nostalgia a alma das lembranças de que houve um tempo em que a Igreja Evangélica Brasileira tinha gigantes. Gigantes da ética, do caráter e da destreza e pureza da Palavra.

Hoje o gigantismo é doença da alma. Pastores e líderes querem ser grandes na mídia, na disputa da maior igreja, e no ego que jamais se afaga com ninharias. Impessoalidade e personalismo é o tom da nova era de estrelas (caídas) que impera nas igrejas de hoje.

Recentemente fui a um destes cafés de pastores, e não encontrei ninguém ali que me lembrasse Jesus Cristo, mas vi vários, malafarisianos, jabesianos, marcosinfelicianos e terranovianos da vida. Seus ternos reluzentes e seus egos ofuscantes buscavam espaço nas primeiras cadeiras. Faziam tudo aquilo que Jesus advertiu seus seguidores que fizessem.

Não sejamos tolos, as pessoas reparam mais no que fazemos do que naquilo que dizemos. A ótica de Gandhi é a mesma ótica com que as pessoas olham pra nós. Nossos valores são altruístas, mas nossas ações são péssimas. A práxis cristã está em baixa. Estamos interessados em coisas que Deus não se interessa.

Na igreja do primeiro século, seus freqüentadores foram chamados de “cristãos”, porque se pareciam com Cristo, e esse nome foi dado pelos de fora. Hoje temos vários nomes: crentes, pentecostais, históricos, arminianos, calvinistas, vasos, varões, varoas, e outras bizarrices, mas é difícil ligar qualquer um destes nomes a Pessoa de Cristo, pois Jesus não era nada disso, ele era “apenas” Servo. Sem glórias, sem assessores, até mesmo sem “templo”. Sua igreja era “informal” para os padrões da época, ele não vinha de linhagem teológica ou nobre.

Portanto o maior inimigo do Evangelho e de Jesus, não é o Diabo como alguns advogam, mas o próprio crente, que mercadeja a Palavra e que usa a religião como trampolim triunfalista. Que adora mamom no lugar de Deus em seus templos, e que acusa com dedo em riste mandando pro inferno todos aqueles que não seguem a cartilha de sua igreja ou “visão”. Como diz o californiano Rob Bell: “Senhor Jesus, livra-me dos teus seguidores!”

A Deus toda a Glória
Bruno dos Santos