Existe muita gente “viva” no mercado evangélico. E essas pessoas não são vivas, porque conheceram o Espírito que vivifica, mas vivas porque em seus corações impera a lei do Gerson, o famoso ícone do Brasil dos conchavos e das falcatruas, do dinheiro da cueca, e das orações de agradecimento pela propina alcançada.

Gente “viva” que vive da exploração do incauto e do aproveitamento da fé ingênua. Gente “viva” que ganha em cima da maldição atribuída a Deus e da perseguição oriunda do Diabo. Gente “viva” que sobeja de “dons espirituais” e títulos honrosos, mas que naufraga no caráter da exposição da Palavra e na ética ministerial.

Gente “viva” que arranca a pele das ovelhas, e essas com suas esquizofrenias, apostam alto na recomendação da última revelação dada aos tais ungidos. Gente “viva” que mantém cativos aqueles que buscam suas teorias para a libertação. Gente “viva” fazendo um trabalho grandioso para alcançar um prosélito, tornando-o duas vezes mais digno do inferno.

Gente “viva”, muito viva, mas que não geram vida. Sepulcros caiados. Tiago diz que fé morta é aquela que nada faz, a não ser dizer que sabe fazer, sem nunca fazer nada. E aqueles que nada fazem, fazem muito, mas fazem apenas para si mesmos. Sendo assim crescem, mas crescem como o câncer cresce, crescem para a morte. Essa portanto é a fé morta de gente viva.

A Fome que mata e o Pão que alimenta.

Para entender o tema dessa matéria precisamos entender que somos um planeta de famintos. Essa fome destrói todo tipo de progresso, de alcance, e de vida. E a fome a qual me refiro é aquela que nasce da angústia na alma do homem moderno, que no afã de querer ser o super-homem, esquece-se de que além de alimentar o físico, é essencial que se sacie o espírito. Para isso fomos chamados por Jesus, para dar aos homens “o quê” comer.

Quantos se esquecem de se abastecerem com o conhecimento verdadeiro, que é sem dúvida, o combustível para a integralidade da existência plena e efetiva. Muitos já não lêem e não buscam, por não ter tempo, já não se aprimoram porque já sabem tudo, e ignoram o que semelhante diz, porque se satisfazem com o universo limitado do seu próprio conhecimento. São anorexos em sua fé, e já não possuem forças pra caminhar e nem ajudar alguém a subir a ladeira da vida.

Sem falar na fome de justiça que sofrem milhões de pessoas, e que se sentem ultrajados por não terem seus direitos colocados em prática, sofrem e morrem a míngua, pois existe um muro de poder maligno que impede que a justiça chegue a todos sem distinção, de credo, cor, raça ou escala social. E a igreja não exercendo o seu papel de agência do Reino, ajuda a matar de fome os pequeninos de Jesus.

Somos vitimados pela inanição dos relacionamentos, que reparte e fraciona o ser humano dando a ele uma conotação de objeto, um “pet” social. É a coisificação do homem que o transforma em animal faminto de vontade de ser gente. E nossos programas evangelísticos além de atarem o indivíduo a visão denominacional, animalizam ainda mais a sua ética existencial arrancado-o do mundo para o prenderem dentro das paredes da religião.

Por isso Jesus tem compaixão dos famintos, dando-lhes sempre o que comer e beber, saciar o homem é a Missio Dei de Cristo. Por isso ele foi dado como sacrifício vivo. Matar a fome da alma é o dever de casa do cristão, pois segundo Dostoievski, “todo homem carrega dentro de si um vazio do tamanho de Deus”. Então, ainda que a igreja ou as pessoas te matem de fome, Jesus te alimenta, pois Ele é o Pão da Vida. Nele você será completamente saciado(a).