Um exercito de um homem só.

Existem muitas variantes da igreja evangélica hoje. Descaracterizadas na sua identidade, muitas igrejas locais vivem a dificuldade de exercerem os mesmos ministérios que no princípio a igreja exercia. Hoje existe um “mix” ministerial. Uma confusão na aplicação das normas e princípios estabelecidos pelos apóstolos do primeiro século. Talvez seja por isso que Jesus exclamou aos discípulos: “Contudo, quando o filho do homem vier, encontrará fé na terra?” (Lc 18:8). Essa indagação é propositiva, eu explico:

Hoje, todas as igrejas possuem um corpo de obreiros, a chamada diaconia, mas já não possuem um crivo para a escolha de seus diáconos e obreiros. Sem querer ser legalista, qualquer um (literalmente) pode fazer qualquer trabalho na igreja. Já não se exige que tenham vida com Deus, que sejam “cheios” do Espírito, e que suas obras sejam “obras dignas” de arrependimento.

O que falar então da escolha de pastores? Do ser marido de uma só esposa? De possuir uma vida piedosa? De conhecer bem a Palavra da Verdade? O nível pastoral nunca foi tão baixo na história da igreja, seja esse nível, intelectual ou moral. A igreja vive o tempo áureo dos lobos em pele de cordeiros.

O renascimento do ministério apostólico, o ressurgimento do ministério profético e a ênfase na Carta de Paulo aos Efésios foi um marco na igreja moderna, pois pretendia trazer de volta a identidade da igreja do primeiro século, mas isso adoeceu ainda mais a igreja, criando gente doente e egos inflados pelo peso da ”unção”. O termo “servo de Deus” encheu-se de pompa e glamour, e assim criamos os papas evangélicos.

O que dizer da divisão dos ministérios? Diferentemente do que aconteceu entre Jerusalém e Antioquia, hoje as igrejas nascem como fruto de vingança e divisão. Bispos e Reverendos precisam de cura sem seus corações. Já perderam o sentido da palavra “perdão” em seus dicionários pessoais. Esse chamado “avivamento moderno” é resultado de igrejas divididas e dilaceradas pela falta de bom senso, respeito bi-lateral e entendimento.

O cenário é triste. A igreja precisa de uma poderosa revolução. Reformas já nos serviram, mas hoje não servem mais. Mais do que reciclar, a igreja precisa se revolucionar. Toda revolução é uma resposta radical. Jesus jamais consentiu com a religião se sua época. Lutou, brigou e viveu intensamente aquilo em que acreditava. Que o amor de Deus poderia alcançar toda criatura que recebesse sua mensagem e testemunho.

Se você já perdeu a esperança de lutar pela sua denominação, pela igreja, pelo cristianismo, lute por esse mesmo ideal de Cristo, de que Deus amou o mundo de maneira tão radical que deu o seu único Filho para que todo aquele que acredite em sua mensagem não morra eternamente. Deus ainda está convocando um exército de revolucionários. Não para lutar, mas para viver e impactar aqueles que estão a sua volta. Ainda que sejamos poucos. Somos um exercito de um homem só: Jesus Cristo, único e suficiente Salvador.

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