Chico Xavier - O que o filme NÃO fala!

Recentemente assisti ao filme sobre a vida e obra de Chico Xavier. Ficção ou realidade? Creio que o filme fala por si mesmo. Mas o fato é que o Chico não foi aquilo que sua religião ou religiosos desejassem que ele fosse. O filme não retrata um homem com um censo de missão, mas um indivíduo perturbado com fantasmas e aparições que alteram completamente seu estilo de vida e o aprisionam em uma demanda existencial sufocante, forçando-o a ser um canal que ele nega ser, despersonalizando-o completamente, uma vez que ao incorporar tantos espíritos, perde-se em sua própria identidade como indivíduo. 

Forçado pelos espíritos vê-se escravo dessa missão, que ele mesmo afirma no filme não querer ou receber. Suas obras literárias já foram questionadas quanto a autenticidade, sua psicografia já foi tema de várias dissertações em direito civil e psicologia contrários à essas obras, mas acima de tudo o que vejo de forma acentuada no filme é a sua infelicidade, por ter a sua privacidade invadida por espíritos não convidados. E a sua vida anulada de forma gradativa, a ponto de em sua velhice, transformar-se em um ícone do espiritismo mundial, usado e abusado até o último momento pelos espíritos que não lhe deram descanso.

Mas gostaria de deixar meu parecer à pessoa humana de Chico Xavier. Ele foi um bom homem, tocado pelo sofrimento humano e cônscio dessa realidade no mundo. Chico jamais se viu cristão, afirmava ser espírita, por conta dos espíritos. Mas ansiava o Cristianismo e a obra de Cristo em seu coração. Se não fossem os espíritos e o Espiritismo, Chico com certeza estaria na galeria dos grandes cristãos anônimos.

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