Vivendo contra o mundo para o bem do mundo

Acredito existirem duas coisas extremamente tóxicas para a igreja. O legalismo e o liberalismo. Estas duas formas de atuação são igualmente tóxicas. Durante anos a igreja viveu presa aos dogmas criados pelas mentes legalistas, anulando e redimensionando o Evangelho de Nosso Senhor à uma religião manipuladora e que observava mais a tradição do que a vida, que humilhava os que pensavam diferentemente deles e condenavam os que se levantavam contra suas práticas. A lei (segundo a mente humana) era mais forte que a vida e isso refreou o poder de alcance do Evangelho na vida cotidiana de pessoas ao longo da história.

É natural que a nossa geração se sinta na obrigação de não mais viver esse legalismo, e que a nossa leitura seja uma leitura mais inclusiva, mais dinâmica com o mundo que estamos vivendo, mas estamos caindo no outro extremo em nossas práticas. Estamos vivendo uma abertura jamais contemplada por Jesus. O liberalismo está trazendo a filosofia e a prática mundana para dentro da igreja. A igreja em sua prática litúrgica e confessional está andando de mãos dadas com os princípios gerenciais e autônomos que viabilizam as práticas no mundo. Nos relacionamentos, nas reflexões, etc, ser livre do legalismo hoje em dia parece igual a ser escravo de um jeito de ser mundano, e ai precisamos da ajuda de Paulo que asseverou aos gálatas: “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade: porém não useis da liberdade para dar ocasião à carne; sede, antes, servos uns dos outros, pelo amor.” (Gálatas 5.13).

A escravidão dos sistemas é aquela que oferece um tipo de salvação que é sempre fruto dos méritos ou obras humanas. Seja pela observação da lei, seja por meio de um liberalismo exagerado, ser “assim” ou ser “assado”, não salva ninguém, mas o Sangue do Cordeiro vertido na cruz! Cristo nos tornou livres do domínio da lei e da “não lei”. Jamais poderemos conceber ao nosso cristianismo, uma etiqueta dizendo que pertencemos a alguma coisa, pois fomos comprado somente por ele e para ele. Afinal fomos chamados para o mundo e não para ser o mundo. Fomos chamados para o bem do mundo, sendo contra aquilo que o mundo é. A oração de Jesus contemplou este estado de ser, quando disse ao Pai. “Não os tires do mundo, mas os livre do mal”

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