31 de jan de 2010

Entrevista a revista Célebre - Divórcio! Quem disse que é errado?

http://www.revistacelebre.com.br/online/
Ainda hoje um dos maiores tabus na igreja evangélica, e que causam não só divergência, mas que sobretudo, compromete a felicidade e o futuro de uma pessoa, é a questão do divórcio. O que pensar sobre o divórcio? Obedecer ao texto bíblico de Mateus 19:6 “Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem”, é suficiente para sustentar uma relação infeliz ou que fere outros princípios como respeito, companheirismo e saúde física e emocional?

Para esclarecer este assunto, consultamos o Pr. Bruno dos Santos, um teólogo contemporâneo, consultor de obras acadêmicas em língua portuguesa, professor nas áreas de Novo Testamento e Teologia Sistemática, escritor e conferencista nas áreas de liderança e vida cristã. Ele exerce o pastoreio da Conexão Vida Associação, uma igreja de Missão Integral na zona Leste de São Paulo. Natural de Portugal é casado com Silvia Regina e pai do Lucas, da Laís e Ana Luiza. Nesta entrevista, ele expõe sua opinião e quais princípios bíblicos devem ser observados acerca do divórcio.

Revista CELEBRE: Pr. Bruno, o que o Senhor pensa a respeito do divórcio? E por que apesar da maioria das igrejas evangélicas não o aceitarem, cresce o número de divorciados no meio evangélico?
Bruno dos Santos: Creio que a igreja está isolada em um paradigma que já não responde a realidade social presente. A igreja não trabalha mais a premissa da prevenção nos relacionamentos. Eu pessoalmente, não enxergo o divórcio como uma possibilidade qualquer, mas como a última instância de uma relação falida, em que a dureza do coração de um ou de ambos, rompeu com o respeito e até mesmo com o amor próprio, inerentes em uma relação saudável. A Igreja deveria possuir uma posição de prevenção nos relacionamentos investindo pesadamente em cursos e programas para casais e novos casais, evitando assim ter que trabalhar esta questão, e não permitindo que seus membros cheguem a última instância da relação, que é o divórcio.

RC: Realmente existem textos bíblicos que evidenciam essa “liberdade” para se divorciar?
Bruno dos Santos: Aqui precisamos salientar alguns pontos importantes que esta pergunta envolve. Todos os textos que falam do divórcio possuem um objetivo direto, a moralização do tema entre os homens. Precisamos compreender que as civilizações antigas, em sua maioria eram patriarcais e davam apenas ao homem a oportunidade de escolha. Não posso simplesmente pegar um texto fora do contexto como pretexto, para afirmar aquilo que penso. Além da pesquisa do texto em si, preciso analisar conceitos e valores culturais. As civilizações mais antigas não davam a mulher qualquer chance de sobreviver longe do casamento. Uma mulher repudiada era uma pessoa morta, socialmente falando, sua vida estava sempre a mercê daquele que a podia repudiar. Os homens se separavam por motivos banais, como por exemplo, uma comida fria ou sem sal. Imagine o número de casamentos que terminavam por puro egoísmo masculino. O que Deus faz é colocar normas para a separação e não negar essa possibilidade. Até Deus, de uma forma alegórica, afirma ter dado uma carta de divórcio ao reino do Norte (Jr 3:8). Isso demonstra que a possibilidade de uma relação falir é um fato real para Deus.

RC: Algumas igrejas impõem que só deve haver separação se uma das partes cometer adultério, outras exigem que se perdoe e que em nenhum caso deve haver separação. Permanecer casado e infeliz, não é “errado” tanto quanto se divorciar?
Bruno dos Santos: Veja bem, o alvo do casamento segundo a perspectiva bíblica não é a minha alegria, mas a alegria do outro. Minha felicidade é fazer o outro feliz. Se na minha relação, eu priorizo a minha felicidade na frente da felicidade do outro, então sempre estarei infeliz, pois como posso desejar colher algo que não planto. A diferença básica do namoro para o casamento, é que no namoro o amor sustenta a relação, enquanto que no casamento a relação sustenta o amor. Todo casamento atravessa crises de compreensão, sem crise nenhuma relação pode amadurecer. Creio que nenhum líder ou igreja está autorizado a determinar o que é certo ou errado, uma vez que a relação envolve apenas o casal, e apenas o casal consegue ponderar a gravidade da relação que vive. O nosso papel como comunidade terapêutica é apoiar a decisão do casal e levá-los ao melhor desfecho possível, seja ele qual for.

RC: E em sua opinião, quais motivos justificariam um divórcio?
Bruno dos Santos: Essa é uma pegadinha! (risos...) – Na verdade essa foi à pergunta feita para provar Jesus, pois ele estava desenvolvendo seu ministério na jurisprudência de Herodes Antipas, que havia decapitado João Batista por acusar o seu adultério com Herodias. Os fariseus fizeram essa pergunta a ele no Evangelho de Marcos, no capítulo 10. Essa pergunta tinha o propósito de prejudicar Jesus diante de Herodes e do povo. Enfim, não existe uma lista ou mesmo um parâmetro bíblico. Todas as tradições apóiam a idéia de um antigo raboni chamado Hilel, em que a única razão plausível era o da infidelidade conjugal. Mas creio que uma justificativa mais coerente com o ideal bíblico seja quando o casal deixa de ser “uma só carne”, segundo Gn 2:24. Essa expressão unifica o vínculo da relação, uma só carne é mais do que sexo, uma só carne é alma entrelaçada, é unidade de pensamento e de propósito. Quando o adultério acontece, é porque a plenitude da relação já se esvaiu a muito. O adultério é apenas o sinal de que tudo já estava mal.

RC: E como saber se o divórcio é certo ou não em algumas situações não citadas?
Bruno dos Santos: O divórcio não é uma questão do que ocorreu ou não com o casal, mas uma questão da dureza do coração. Aplicar o divórcio não depende do ocorrido, mas do coração de quem sofreu ou sofre por algum motivo. Já tratei casais em que apesar do adultério dele, a mulher o perdoou e a relação deles foi ainda melhor do que antes, a relação foi despertada por este incidente, que evidentemente produziu algumas feridas, mas os dois prevaleceram sobre o ocorrido, mas também já apoiei uma separação, pois sabia que se a relação continuasse os dois poderiam chegar a se agredirem fisicamente, eram apenas rancor um com o outro e não houve nenhum sinal de reconciliação. Portanto não depende de quem errou, mas de quem está disposto a perdoar, se esta possibilidade não acontecer então o divórcio é a única alternativa. O divórcio é o ajuste para a fraqueza humana quando ela desrespeita a vontade de Deus. Pois sabemos que se ele não for aceito em nosso meio precisaremos conviver com conseqüências ainda mais cruéis.

Deus Abençoe cada um ricamente. A Ele toda a Glória.

27 de jan de 2010

Que venha o Teu Reino, Senhor!

A decadência global do Ocidente começou com o abandono da cosmovisão bíblica e continuou com a influência bárbara do secularismo chegando à nossa sociedade. A ascensão da cultura pós-moderna (neo-animista) dominou a última década do século 20.
A Igreja da nossa geração abandonou a cultura muito depressa. Está esperando o céu, esquecida de sua missão. Por quê? O que aconteceu? Nos esquecemos do Reino de Deus e de que a nossa tarefa é discipular nações. Stanley Jones, estadista missionário na Índia, declarou: “O Reino é a resposta total de Deus para a necessidade total do homem”.
Paulo nos diz em Gálatas 3:8 diz que as Escrituras previam que Deus iria justificar os gentios pela fé e anunciou o Evangelho primeiro a Abraão. Qual foi o Evangelho que Ele anunciou primeiro a Abraão? Todas as nações serão abençoadas através de você. Esta é a boa notícia. A boa notícia do Reino de Deus. Jesus ensinou e pregou a boa notícia do Reino de Deus e modelou o Reino de Deus com a própria vida.
Mas o que é de fato, o Reino de Deus? O Reino de Deus é qualquer lugar onde Cristo está reinando. Cristo está reinando em sua vida? Então o Reino de Deus está aí. Cristo está reinando em sua igreja? Então o Reino de Deus está lá. O Reino de Deus pode estar numa pessoa, numa igreja local, numa comunidade alternativa, ou numa nação onde Cristo está “de fato” reinando.
Outra maneira de dizer isto é que o Reino de Deus é o lugar onde é feita a vontade de Deus. O que oramos na Oração do Pai Nosso? “Venha o Teu Reino, seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu”. Primeiro, oramos pela volta de Cristo com o Seu Reino. Depois, oramos por nós mesmos, para que o Reino possa ser manifestado hoje em nossas vidas.
Precisamos discipular cristãos do Reino e edificar comunidades do Reino se queremos que o Reino venha. Comece a ler a Bíblia para ver o que ela diz sobre vocação. Você sabia que a Bíblia tem mais a dizer sobre economia e negócios do que sobre salvação das almas? É isto mesmo. Mas nunca lemos com olhos que vêem isto. Mas, muitas vezes, uma pessoa de negócios cristã é cristã na igreja e pessoa de negócios nos negócios. Talvez seja hora de começar a desenvolver um par de óculos bíblico para a realidade do chamado vocacional. Deus criou a humanidade, e não um bando de religiosos.
Quando nos fechamos nas paredes denominacionais de nossas visões patéticas-proféticas, perdemos a verdadeira manifestação do Reino. Enquanto existem pessoas construindo medíocres impérios pessoais, Deus forja gente buscando edificar Seu Reino aqui e agora. Que teu o Reino venha, Senhor!

20 de jan de 2010

Nos galhos secos de uma árvore qualquer.

O incidente da figueira sem frutos (Mt 21:19) lembra-nos a tragédia do crescimento volumoso, inchado que está acontecendo em nosso tempo. A árvore relatada nesta história perdeu o seu propósito fundamental – produzir frutos. Isso nos alerta para o julgamento que acontecerá para árvores em frutos. E o fruto aqui não está relacionada a incluir pessoas à uma nova igreja, mas fazer com que as pessoas incluídas sejam agentes de transformação e não dependentes de unções, igrejas ou pastores.

A igreja que cresce apenas numericamente mostra o fracasso do serviço. Pois sua responsabilidade não está em crescer. No livro de Atos vemos que “os que iam sendo acrescentados a cada dia” (At 2:47) era um trabalho do próprio Deus. A igreja cumpria a responsabilidade de tornar esses “acrescentados” dignos de participarem do Reino de Deus.

A missão da igreja é aperfeiçoar os santos para a obra do ministério (Ef 4:12). Preparar pessoas para o “fazer” e não apenas para o “ser” cristão. Crescer apenas numericamente é um grave sintoma de deformação e um sinal de imaturidade, pois o crescimento numérico deve estar acompanhado do aperfeiçoamento, ou seja, o crescimento em todas as áreas.
• Crescer na Graça e no Conhecimento de Cristo: 2Pe 3:18
• Crescer na Palavra de Deus: 1Pe 2:2
• Crescer até a maturidade de Cristo (caráter): Ef 4:12
• Crescer em Fé e Amor: 2Ts 1:3

Portanto o evangelho não se encerra na evangelização e sim na perfeição. Evangelizar para crescer numericamente deve envolver o aperfeiçoamento do crente como alvo a ser alcançado, sem isso, tornamo-nos árvores vistosas e grandes, mas condenadas por não darmos os frutos dignos de Nosso Senhor. O final da figueira foi secar e morrer, Por isso devemos sempre lembrar: “A expectativa dos nossos olhos não corresponde a expectativa de Deus”.

18 de jan de 2010

Você não vale nada, mas eu gosto de você! - As mentiras do avivamento moderno

É só chegar o começo de ano que algum profeta da moda fala novamente que Deus vai trazer um grande avivamento sobre o Brasil. Estou farto desse discurso triunfalista da igreja evangélica brasileira sobre o moderno avivamento que Deus está fazendo no Brasil. Isso é mentira! Basta de classificar esta balbúrdia eclesial de avivamento. Eis algumas questões que me fazem desacreditar:


Mentira número 1: A igreja evangélica brasileira está crescendo poderosamente.
Quantitativamente. A igreja brasileira está inchada, sofrendo o pior crescimento que se pode ter. O crescimento numérico apenas. Não se estão convertendo pessoas ao evangelho e sim às denominações. Está crescendo o número de pessoas religiosas e esquizofrênicas, amarguradas por aquilo que estão vendo acontecer e sofrendo dentro das próprias igrejas. O que realmente está crescendo é o mercado gospel de ofertas e procuras de bênçãos e modas passageiras que geram gente de fé doente. Não basta apenas ser sal, é preciso ter sabor. Evangelho sem compromisso não evangelho, e fé sem obras é morta.

Mentira número 2: Deus tem levantado homens de Deus para o ministério.
Homens de Deus?? Ou empresários gananciosos que percorrem o mundo atrás de um prosélito e o tornam duas vezes mais digno do inferno do que eles próprios. O que temos visto por ai são enxurradas de discípulos Macedianos, Malafarianos, Hernandianos e outras aberrações evangélicas que reinventam todos os dias a forma de arrancar as peles de ovelhas incautas e que não são capazes de discernir que estão sendo roubadas e não abençoadas. Seus testemunhos são por amostragem. Enquanto um, dois ou dez falam das “bençãos alcançadas”. Vinte mil se sentem lesados por estes tosquiadores vestidos de anjos de luz.

Mentira número 3: Deus tem feito milagres na igreja evangélica.
Deus faz milagres todos os dias! Isso não é exclusivo de nenhuma igreja, denominação ou apóstolo. Quanta gente anda saindo de sua igreja para ir “naquela” igreja dos milagres? Gente burra! Fantoches na mão de interlocutores de emoções e de fé superficial. Se Deus cura, e pode curar todo mundo, porque ele não faz isso então? Porque a nossa fé deve estar em Deus, e não naquilo que Ele faz! É por falta de compreender essa verdade que alguns vendem sua fé pela possibilidade de cura “naquela” igreja limpando lenços no suor de homens e desenvolvendo uma fé que crê só no que Deus faz.

Mentira número 4: A prosperidade alcançou o povo de Deus.
Principalmente os mega-pastores que compraram seus jatinhos particulares no ano passado. A prosperidade alcançou o Brasil pelo trabalho econômico que vem sendo feito a pelo menos oito anos, quanto ao povo de Deus, além da prosperidade, a ganância alcançou a maioria deles, que ávidos pelo lucro trocaram sua fé s EUA presença na igreja por barganhas com Deus. A verdadeira prosperidade de Deus deve vir acompanhada de Generosidade do Espírito.
 
Avivamento não tem a ver com abrir mais igrejas. Avivamento tem a ver com fechar mais botecos, prostíbulos e derrubar os níveis de vícios, corrupção e injustiça em nossa sociedade. Isso que chamamos de avivamento não passa de uma estatística furada que satisfaz o ego de muita gente por ai. O avivamento de Israel, da igreja de Atos e até mesmo o avivamento moderno de Wesley, forma assim chamados porque provocaram uma transformação social que mudou a cara de nações e continentes inteiros. Sem transformação não existe avivamento, mas religiosidade. Esse avivamento não vale nada, mas muita gente está interessado nele. Pense nisso!







13 de jan de 2010

Voltando das férias...doces férias.

Hoje estava em casa curtindo o finalzinho de minhas férias. Fui com a família para a praia e descansamos bastante pra começar o ano novo com todo o pique necessário. Eu, minha esposa e as crianças visitamos uma ilha deslumbrante a 80 km de Paraty, e celebramos a criatividade de Deus e a sua dedicação em fazer coisas maravilhosamente incríveis. Ali entendi o significado da frase: “E viu Deus que tudo era muito bom”!



Tudo estava muito bom mesmo. Do começo ao fim, as férias valeram a pena. Agradeço pelo presente de Deus de cultuá-lo observando sua generosidade conosco através das coisas criadas. A criação “prega” melhor do que qualquer hermeneuta a Glória de Deus. E depois dessa viagem confesso que me tornei um observador mais atencioso das coisas criadas. Bem, na “segundona”, Dia 18, começarei os posts 2010. À todos que freqüentam este blog, tenham um ano de grandes amizades, conquistas, reflexões e que possam desenvolver a piedade em todas as áreas da vida. A Deus toda a Glória.

Uma foto áerea da Praia e da ilha de Promirim


 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tive o privilégio de curtir este local com minha família a amigos.

COMPARTILHE

SAIR DA IGREJA LOCAL OU LUTAR POR ELA?

Há uma grande realidade acontecendo todos os domingos em milhares de igrejas no Brasil e quiça no mundo. Pessoas estão saindo de um mini...