O conto de fada da Igreja Evangélica Brasileira.

Espelhos fazem parte de quase todos os contos infantis. Um dos espelhos mais famosos dos contos encontra-se no conto da Branca de Neve, onde a malévola madrasta-rainha perguntava ao espelho – “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?” – O espelho sempre lhe dava uma resposta assertiva sobre sua afirmação, até que o dia em que a Branca de Neve se tornara a queridinha do espelho.

A pobre Branca de Neve é uma espécie de concorrente inconsciente, que sem fazer esforço algum de sua parte, se torna uma pessoa muito mais bela que a madrasta, mas não pela sua beleza exterior, e sim por causa de seu belo coração.

Hoje a igreja se encontra na mesma dimensão da madrasta. Procurando ser bela pela sua estética e exterioridade, pela superficialidade de ser o que no âmago não é. A igreja possui um espelho mágico, que é a tolerância de seus próprios algozes que fingem não ver quão feia a igreja está ficando, que a sua beleza está sendo perdida com o passar dos anos, e que a ética está perdendo pra estética, promovendo uma igreja anômala à vontade de Deus.

Esse deus do espelho mágico é o deus que concorda com a burocratização da falsidade, idealizada e criada nos impérios dirigidos pelos egos dos reis e rainhas da igreja, e não por qualquer outro espírito. Estes mesmos egos adoram envenenar qualquer concorrente que se oponha a sua beleza e estética. Mas apesar de tudo, ainda creio no mágico espelho de Deus, que é a sua Palavra. As escrituras me fazem olhar pra dentro de mim mesmo, e ver o quanto preciso mudar. Olho para estas igrejas e vejo o quando elas precisam se encontrar com “esse” espelho. Esse espelho nunca concorda que você é o melhor, e te faz reavaliar teorias e afirmações a respeito de quem você é, e porque você faz o que faz.

O Mágico Espelho de Deus é muito diferente do deus do espelho mágico. Fora as aparências e viva as Escrituras. A Ele toda a Glória.

A Teologia da Serpente

A hermenêutica sempre foi uma área que me fascinou. Interpretar e extrair dos textos bíblicos verdades imprescindíveis, sempre foram pra mim, uma oportunidade de alegria e meditação sem preço. Tenho grande apreço pelos interpretes das Escrituras.
Mas há um hermeneuta, que a séculos vem fazendo história na igreja. Sua escola de discípulos cresce paulatinamente ano após ano. Sua teologia é pregada todos os dias pelas tevês e rádios, em muitas igrejas se vê sua tendência e postura diante da Palavra. Falo da Serpente do Éden, o primeiro hermeneuta da Palavra de Deus.
Muitos pastores e líderes conhecem mais a teologia da Serpente do que a teologia bíblica. A razão porque a saúde psicológica da igreja está em choque é a má interpretação das Escrituras, inaugurada pela Serpente no Éden. Algumas características dessa teologia:

A teologia da Serpente coloca em dúvida o caráter de Deus.
A Serpente disse a mulher: “Não foi assim que Deus disse...?”. A incerteza e a dúvida são características marcantes dessa teologia que apresenta um deus, muito diferente do Deus das Escrituras.

A teologia da Serpente fala coisas que Deus jamais falou.
A grande falta de conhecimento da Palavra foi a razão do declínio de Israel. Hoje é comum escutar em púlpitos palavra oriundas da Serpente, que supostamente são chanceladas por Deus. Deus havia dito a mulher que certamente eles morreriam caso comecem do fruto da árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, enquanto a Serpente categoricamente afirmou: “É certo que não morrereis...”.

A teologia da Serpente promove um deus tirano e inconseqüente.
Muitas pessoas olham as Escrituras como um livro de mandamentos impossíveis de serem seguidos, como se Deus ao revelar, pedisse de seus filhos sandices e loucuras que não pudessem ser cumpridas. Um deus neurótico que ora abençoa ora amaldiçoa. Essa teologia que está na moda, do como “fazer sacrifícios”, de dar o “seu tudo”, de ser amaldiçoado se não cumprir a “regra da visão” ou porque “saiu da visão” não são provenientes de Deus, mas da serpente que adora jogar o homem contra Deus.
 
A teologia da Serpente esconde que Deus é a favor de nós.
Na teologia as serpente fica claro que Deus não gosta de nós e sim daquilo que fazemos. Para a Serpente o fazer vem antes do ser. Na verdade Jesus nos mostrou que ao andar com prostitutas e ladrões, glutões e cobradores de impostos, Ele estava demonstrando que o amor de Deus não possui barreiras. Deus nos ama, apesar de nós mesmos. Deus nos ama mesmo ainda sendo pecadores. A religião pede de nós regras e mandamentos, enquanto que o amor de Deus está livre de qualquer exigência pessoal. Portanto a teologia da Serpente é a teologia celebrada pelos religiosos de plantão.

A Deus toda a Glória.

Entrevista a revista Célebre - Divórcio! Quem disse que é errado?

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Ainda hoje um dos maiores tabus na igreja evangélica, e que causam não só divergência, mas que sobretudo, compromete a felicidade e o futuro de uma pessoa, é a questão do divórcio. O que pensar sobre o divórcio? Obedecer ao texto bíblico de Mateus 19:6 “Portanto, o que Deus ajuntou não separe o homem”, é suficiente para sustentar uma relação infeliz ou que fere outros princípios como respeito, companheirismo e saúde física e emocional?

Para esclarecer este assunto, consultamos o Pr. Bruno dos Santos, um teólogo contemporâneo, consultor de obras acadêmicas em língua portuguesa, professor nas áreas de Novo Testamento e Teologia Sistemática, escritor e conferencista nas áreas de liderança e vida cristã. Ele exerce o pastoreio da Conexão Vida Associação, uma igreja de Missão Integral na zona Leste de São Paulo. Natural de Portugal é casado com Silvia Regina e pai do Lucas, da Laís e Ana Luiza. Nesta entrevista, ele expõe sua opinião e quais princípios bíblicos devem ser observados acerca do divórcio.

Revista CELEBRE: Pr. Bruno, o que o Senhor pensa a respeito do divórcio? E por que apesar da maioria das igrejas evangélicas não o aceitarem, cresce o número de divorciados no meio evangélico?
Bruno dos Santos: Creio que a igreja está isolada em um paradigma que já não responde a realidade social presente. A igreja não trabalha mais a premissa da prevenção nos relacionamentos. Eu pessoalmente, não enxergo o divórcio como uma possibilidade qualquer, mas como a última instância de uma relação falida, em que a dureza do coração de um ou de ambos, rompeu com o respeito e até mesmo com o amor próprio, inerentes em uma relação saudável. A Igreja deveria possuir uma posição de prevenção nos relacionamentos investindo pesadamente em cursos e programas para casais e novos casais, evitando assim ter que trabalhar esta questão, e não permitindo que seus membros cheguem a última instância da relação, que é o divórcio.

RC: Realmente existem textos bíblicos que evidenciam essa “liberdade” para se divorciar?
Bruno dos Santos: Aqui precisamos salientar alguns pontos importantes que esta pergunta envolve. Todos os textos que falam do divórcio possuem um objetivo direto, a moralização do tema entre os homens. Precisamos compreender que as civilizações antigas, em sua maioria eram patriarcais e davam apenas ao homem a oportunidade de escolha. Não posso simplesmente pegar um texto fora do contexto como pretexto, para afirmar aquilo que penso. Além da pesquisa do texto em si, preciso analisar conceitos e valores culturais. As civilizações mais antigas não davam a mulher qualquer chance de sobreviver longe do casamento. Uma mulher repudiada era uma pessoa morta, socialmente falando, sua vida estava sempre a mercê daquele que a podia repudiar. Os homens se separavam por motivos banais, como por exemplo, uma comida fria ou sem sal. Imagine o número de casamentos que terminavam por puro egoísmo masculino. O que Deus faz é colocar normas para a separação e não negar essa possibilidade. Até Deus, de uma forma alegórica, afirma ter dado uma carta de divórcio ao reino do Norte (Jr 3:8). Isso demonstra que a possibilidade de uma relação falir é um fato real para Deus.

RC: Algumas igrejas impõem que só deve haver separação se uma das partes cometer adultério, outras exigem que se perdoe e que em nenhum caso deve haver separação. Permanecer casado e infeliz, não é “errado” tanto quanto se divorciar?
Bruno dos Santos: Veja bem, o alvo do casamento segundo a perspectiva bíblica não é a minha alegria, mas a alegria do outro. Minha felicidade é fazer o outro feliz. Se na minha relação, eu priorizo a minha felicidade na frente da felicidade do outro, então sempre estarei infeliz, pois como posso desejar colher algo que não planto. A diferença básica do namoro para o casamento, é que no namoro o amor sustenta a relação, enquanto que no casamento a relação sustenta o amor. Todo casamento atravessa crises de compreensão, sem crise nenhuma relação pode amadurecer. Creio que nenhum líder ou igreja está autorizado a determinar o que é certo ou errado, uma vez que a relação envolve apenas o casal, e apenas o casal consegue ponderar a gravidade da relação que vive. O nosso papel como comunidade terapêutica é apoiar a decisão do casal e levá-los ao melhor desfecho possível, seja ele qual for.

RC: E em sua opinião, quais motivos justificariam um divórcio?
Bruno dos Santos: Essa é uma pegadinha! (risos...) – Na verdade essa foi à pergunta feita para provar Jesus, pois ele estava desenvolvendo seu ministério na jurisprudência de Herodes Antipas, que havia decapitado João Batista por acusar o seu adultério com Herodias. Os fariseus fizeram essa pergunta a ele no Evangelho de Marcos, no capítulo 10. Essa pergunta tinha o propósito de prejudicar Jesus diante de Herodes e do povo. Enfim, não existe uma lista ou mesmo um parâmetro bíblico. Todas as tradições apóiam a idéia de um antigo raboni chamado Hilel, em que a única razão plausível era o da infidelidade conjugal. Mas creio que uma justificativa mais coerente com o ideal bíblico seja quando o casal deixa de ser “uma só carne”, segundo Gn 2:24. Essa expressão unifica o vínculo da relação, uma só carne é mais do que sexo, uma só carne é alma entrelaçada, é unidade de pensamento e de propósito. Quando o adultério acontece, é porque a plenitude da relação já se esvaiu a muito. O adultério é apenas o sinal de que tudo já estava mal.

RC: E como saber se o divórcio é certo ou não em algumas situações não citadas?
Bruno dos Santos: O divórcio não é uma questão do que ocorreu ou não com o casal, mas uma questão da dureza do coração. Aplicar o divórcio não depende do ocorrido, mas do coração de quem sofreu ou sofre por algum motivo. Já tratei casais em que apesar do adultério dele, a mulher o perdoou e a relação deles foi ainda melhor do que antes, a relação foi despertada por este incidente, que evidentemente produziu algumas feridas, mas os dois prevaleceram sobre o ocorrido, mas também já apoiei uma separação, pois sabia que se a relação continuasse os dois poderiam chegar a se agredirem fisicamente, eram apenas rancor um com o outro e não houve nenhum sinal de reconciliação. Portanto não depende de quem errou, mas de quem está disposto a perdoar, se esta possibilidade não acontecer então o divórcio é a única alternativa. O divórcio é o ajuste para a fraqueza humana quando ela desrespeita a vontade de Deus. Pois sabemos que se ele não for aceito em nosso meio precisaremos conviver com conseqüências ainda mais cruéis.

Deus Abençoe cada um ricamente. A Ele toda a Glória.