NÃO PROCURO GENTE PERFEITA, PROCURO GENTE SÉRIA!

Esse tem sido meu lema nos últimos meses. Uma das coisas mais óbvias do cenário evangélico nacional é a sua total falta de compromisso com a palavra unidade. Usada tão frequentemente na igreja do livro de Atos, a unidade da igreja moderna é uma piada. Tem muto gente brincando com a Unidade da igreja cristã. Reuniões e conselhos de pastores espalhados pelo Brasil tentam sem nenhum sucesso desenvolver os chamados “cafés de comunhão”, com que propósito? Comunhão com quê ou o quê? Ninguém sabe. No fim tudo tem fundo político, promocional de cantores e “levitas”, ou pra mesmo vender planos de saúde, financiamentos, e outras bugigangas gospel.

Unidade fala principalmente de RELACIONAMENTOS. Isso não existe! O que existe são interesses escusos e promíscuos nas relações interministeriais. Os pastores transformaram-se em zumbis solitários, defendendo seu ganha pão ao custo de muito politicagem nos bastidores das igrejas. Ora elogiando aquele membro safado que possui três amantes, mas que dá um dízimo que “sustenta” o pastor, ora enxotando aquele pobre coitado que dá muito trabalho e não dá lucro nenhum. As vezes chego a pensar que o mago Simão (aquele que Pedro amaldiçoou porque queria dar dinheiro em troca do dom no livro de Atos) seria ciceroneado pelos pastores da nova era capitalista da igreja evangélica.

Saiba de uma coisa: no Reino de Deus não existem pessoas perfeitas, mas creio que existem pessoas sérias, e é esse tipo de gente que devemos procurar para andar juntos. Mas generalizações a parte, amado pastor, você que já sofreu tanto na mão de lobos. Faça uma coisa a si mesmo e a sua família: Não continue andando com alguém que só demonstra interesse por aquilo que você pode oferecer, pelas ovelhas que você tem, ou pelo dízimo que você dá. Construa relacionamentos verdadeiros, encontre amigos, não apenas uma “cobertura”, mas um homem de carne e osso, com problemas que podem ser compartilhados, alguém que você possa falar abertamente das suas limitações e principalmente alguém que goste de quem você É, e não do que você DÁ. Isso é unidade, isso é verdadeira comunhão, o que passar disso procede do Maligno.

Um exercito de um homem só.

Existem muitas variantes da igreja evangélica hoje. Descaracterizadas na sua identidade, muitas igrejas locais vivem a dificuldade de exercerem os mesmos ministérios que no princípio a igreja exercia. Hoje existe um “mix” ministerial. Uma confusão na aplicação das normas e princípios estabelecidos pelos apóstolos do primeiro século. Talvez seja por isso que Jesus exclamou aos discípulos: “Contudo, quando o filho do homem vier, encontrará fé na terra?” (Lc 18:8). Essa indagação é propositiva, eu explico:

Hoje, todas as igrejas possuem um corpo de obreiros, a chamada diaconia, mas já não possuem um crivo para a escolha de seus diáconos e obreiros. Sem querer ser legalista, qualquer um (literalmente) pode fazer qualquer trabalho na igreja. Já não se exige que tenham vida com Deus, que sejam “cheios” do Espírito, e que suas obras sejam “obras dignas” de arrependimento.

O que falar então da escolha de pastores? Do ser marido de uma só esposa? De possuir uma vida piedosa? De conhecer bem a Palavra da Verdade? O nível pastoral nunca foi tão baixo na história da igreja, seja esse nível, intelectual ou moral. A igreja vive o tempo áureo dos lobos em pele de cordeiros.

O renascimento do ministério apostólico, o ressurgimento do ministério profético e a ênfase na Carta de Paulo aos Efésios foi um marco na igreja moderna, pois pretendia trazer de volta a identidade da igreja do primeiro século, mas isso adoeceu ainda mais a igreja, criando gente doente e egos inflados pelo peso da ”unção”. O termo “servo de Deus” encheu-se de pompa e glamour, e assim criamos os papas evangélicos.

O que dizer da divisão dos ministérios? Diferentemente do que aconteceu entre Jerusalém e Antioquia, hoje as igrejas nascem como fruto de vingança e divisão. Bispos e Reverendos precisam de cura sem seus corações. Já perderam o sentido da palavra “perdão” em seus dicionários pessoais. Esse chamado “avivamento moderno” é resultado de igrejas divididas e dilaceradas pela falta de bom senso, respeito bi-lateral e entendimento.

O cenário é triste. A igreja precisa de uma poderosa revolução. Reformas já nos serviram, mas hoje não servem mais. Mais do que reciclar, a igreja precisa se revolucionar. Toda revolução é uma resposta radical. Jesus jamais consentiu com a religião se sua época. Lutou, brigou e viveu intensamente aquilo em que acreditava. Que o amor de Deus poderia alcançar toda criatura que recebesse sua mensagem e testemunho.

Se você já perdeu a esperança de lutar pela sua denominação, pela igreja, pelo cristianismo, lute por esse mesmo ideal de Cristo, de que Deus amou o mundo de maneira tão radical que deu o seu único Filho para que todo aquele que acredite em sua mensagem não morra eternamente. Deus ainda está convocando um exército de revolucionários. Não para lutar, mas para viver e impactar aqueles que estão a sua volta. Ainda que sejamos poucos. Somos um exercito de um homem só: Jesus Cristo, único e suficiente Salvador.