Onde estão os "Jonas" do Rio de Janeiro?

"E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que há mais de cento e vinte mil pessoas, que não sabem discernir entre a mão direita e a mão esquerda, e também muitos animais?" (Jn 4:11)
Inúmeros textos bíblicos revelam a preocupação de Deus com certas cidades do tempo bíblico, sejam estas cidades pagãs ou escolhidas por Ele para um propósito. Em nosso tempo o coração de Deus está sobre o Rio de Janeiro, cujo símbolo é um Cristo Redentor.
Jesus chorou ao contemplar Jerusalém de fora, e creio que hoje chora pelo Rio de Janeiro. O Rio está vivendo um tempo terrível e calamitoso. A cidade maravilhosa parece estar debaixo de grande juízo. Gente sóbria e querida sofre com a artilharia das milícias dos morros e da corrupção generalizada que tomou conta do Rio de Janeiro.
De acordo com as mais recentes estatísticas, é necessário entender que o crescimento da Igreja Evangélica no Rio de Janeiro trouxe apenas uma subtração para as outras religiões, sem todavia gerar mudanças substanciais para a cidade. É a salvação da alma e a perdição do corpo. Por isso vemos mesmo em morros, favelas, ou nos grandes centros urbanos do Rio de Janeiro, inúmeras igrejas, mas quase nenhum efeito social/moral de maior impacto.
Com isso, não quero dizer, que não exista um trabalho sério executado por algumas pessoas sérias, e realizado por igrejas sérias. Mas esse crescimento da religião evangélica no Brasil de modo geral e especificamente no Rio de Janeiro, não surte efeito avassalador como alguns alardeiam.
Mas este não é o momento de discutir erros e acertos da igreja. Quero me unir aos irmãos que anseiam por um Rio de Janeiro restaurado. Que o número de orações para a cidade seja maior que o número de mortos e desgraçados por esse momento que se abateu sobre o Rio. Que Deus também levante alguém como Jonas neste tempo, para pregar arrependimento e intercessão pela cidade maravilhosa, que esta semana chora sua dor e angústia.

Deus ama quem não merece!

O quê você faria com um amigo que o traísse todas as vezes que você precisasse contar com ele?
E com uma pessoa que você nunca negou um favor, ao pedir um único favor a ela, ela o negasse?
O quê você faria com um funcionário que sempre fizesse o contrário das suas ordens?
O quê você faria com alguém, em que todas as vezes que você desejasse conversar com ele, ele procurasse uma desculpa para não conversar com você?
O quê você faria com alguém maltratasse os seus filhos, quando você os deixou ao cuidado dessa pessoa?
O quê você faria com uma pessoa, se descobrisse que ela te usou apenas por interesse, para obter alguma coisa, e jamais voltaria a te procurar?
O quê você faria com alguém que todos os dias diz que te ama, mas no fundo ela se prostitui facilmente com seus amantes?
O quê você faria com alguém que gosta mais daquilo que você tem, do que daquilo que você é?
Com certeza nenhuma resposta destas perguntas seria: “Eu amaria essa pessoa mesmo assim!”
Mas é exatamente isso que Deus faz conosco. Mesmo traindo-lhe, mesmo buscando Ele por algum outro interesse, Ele nos ama incondicionalmente. 
Deus ama quem não merece o seu amor. Esse é o amor incompreensível de Deus. Por isso o deus da religião não pode contemplar o Deus do Amor. Deus ama e isso está acima das cadeias eclesiásticas, das performances espirituais. Deus nos ama, e o seu amor supera qualquer barreira.
Deus amou uma prostituta mentirosa como Raabe, Deus amou um mentiroso contumaz como Jacó, Deus amou um perseguidor assassino como Paulo, Deus amou um traidor como Judas Iscariotes, Deus amou um adúltero como Davi, Deus amou um endemoninhado como o homem de Gadara, Deus amou um ladrão como aquele que foi crucificado com Jesus, Deus amou uma impura como a samaritana, e uma meretriz como Maria Madelana. Deus ama! E esse amor não está condicionado aquilo que oferecemos a Ele, mas ao fato de Deus ser amor.
Seu amor não espera, seu amor realiza. Seu alvo de amor está em pessoas imperfeitas, perdidas, algozes, viciados, desiludidos, rejeitados, doentes, presos, enfermos na alma e no corpo. Seu alvo é o mundo que perece e as pessoas que o rejeitam. Deus ama quem não merece!  E isso é Graça!

Deus não é "evangélico"!

O termo evangélico tem suas raízes etimológicas na palavra grega “Evangelho” ou "Boa Notícia" - ευαγγελιον (evangelion). Nesse sentido, ser evangélico significa ser aquele que crê no Evangelho, que é a mensagem de Jesus Cristo.

Durante um bom período histórico, o termo "evangélico" foi usado para referir-se a tudo o que concerne ao Evangelho de Jesus. Principalmente após a Reforma Protestante, esse termo passou a ser usado de uma maneira crescente pelas denominações que surgiram posteriormente, e então identificavam os membros de tais denominações como "evangélicos".

Ser evangélico, no sentido real da palavra, era crer e obedecer ao Evangelho de Jesus. Porém, atualmente, em virtude da apostasia (desvio da fé) generalizada nestes tempos finais, o termo "evangélico" foi banalizado à uma outra concepção na mentalidade das pessoas. Em função disso, o termo "evangélico" perdeu seu significado real e sentido original na compreensão geral.

Hoje o termo está identificado com aqueles que salientam um determinada marca da política, uma abordagem moralista e freqüentemente legalista da vida, e um certo tipo de imitação "cafona" do estilo de vida do “popstar gospel”, seja ele um pregador famoso ou cantor e artista. Para alguns o termo compreende um emocionalismo exagerado que eles vêem nos canais religiosos, ou ainda “algo” ligado a “dar muito dinheiro para a igreja”. Para outros ainda o termo compreende hipocrisia, falsidade e justiça própria.

Os “evangélicos” de hoje, refletidos na cultura e sociedade mais ampla, estão intimidados por um deus que não é Deus! Louvar ao deus de uma experiência pessoal, ou o deus de preferência pessoal ou denominacional é louvar um ídolo. E então a fé se torna um reflexo do mercado de consumo. É uma fé para o consumo  rotulado “gospel” e não uma fé para a transformação da vida. Neste caso ser “evangélico” é cultuar um ídolo e não o Deus da Bíblia, tornando-se um produto  desassociado da história da Igreja e do propósito divino. Neste ponto Deus deixa de ser “evangélico”, pois ele está distante de tudo isso que “hoje” chamam de “evangélico”!