IMERSÃO ou BATISMO: tevilah (טְבִילָה)

O ritual judaico da imersão na água foi praticado por muitos séculos antes do inicio do  ministério de Jesus. Segundo a tradição, este rito proporciona a purificação, consagração e santidade para o povo judeu. No judaísmo o conceito de pureza e impureza não tem sentido pejorativo, é somente um estado espiritual no qual a pessoa se encontra. E portanto a imersão nas águas, era um rito de limpeza cerimonial. 
Os rabinos entendiam que o “tevilah” era uma imersão ritual de limpeza e purificação. Nessa imersão, o novo membro da comunidade, tinha seu passado e seus pecados apagados. Os rabinos se valiam do exemplo do Egito em que o povo de Israel viveu. Ao saírem e passarem pelas águas, houve uma separação completa das práticas passadas, da idolatria e das impurezas habituais, era uma transição de um estado de morte espiritual (nenhuma relação com o verdadeiro Deus), para um estado de vida espiritual (aceitação no Templo diante de Deus). De acordo com a tradição judaica, sem o batismo, era impossível alguém cerimonialmente impuro se apresentar diante do Eterno. Neste sentido o batismo era praticado todos os dias pelos judeu mais piedosos.
Mas a grande diferença entre o batismo judeu e o batismo cristão, é que no batismo cristão, a maior preocupação não estava na pureza cerimonial do corpo. No início dos Evangelhos, encontramos o ministério de João “o imersor” (Batista), que pregava batismo de arrependimento (Mt 3:1-6), conscientizando o povo à voltar-se para Deus. O batismo de João, tornava-se um recomeço, uma nova realidade de consciência e consagração à Deus. Nos Evangelhos, este batismo é chamado de batismo de arrependimento (Mc 1:4).
O batismo cristão não envolvia apenas o reconhecimento do erro, mas o desejo de acertar e agradar o Senhor. Assim, vemos que Jesus, mesmo sem pecado, foi e batizou-se no Jordão (Mc 1:9), pois o rito envolvia essa consagração ao Eterno. Na grande comissão (Mt 28:19), Jesus não ordenou aos discípulos, apenas o discipulado das nações, mas também a consagração daqueles que eram acrescentados ao Corpo de Cristo, isto é, a sua Igreja. Neste sentido, o tevillah ou batismo torna-se uma expressão pública da fé em Jesus Cristo e na sua obra redentora. Por isso o Novo Testamento refere-se ao batismo como o ato representativo da nossa união e identificação com o Salvador (Mc 16:16). Não é um mero assentimento intelectual, nem um rito cerimonial, mas uma mudança real de carácter. E por isso, o batismo torna-se a admissão ao Corpo de Cristo, pois ele introduz o convertido à um novo estilo de vida.

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