O PODER DA IGREJA MUNDIAL, É DE DEUS?

A revista “Isto é” desta semana, publicou uma matéria de capa com o apóstolo Valdemiro Santiago, líder maior da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD). Segundo a reportagem, a igreja que mais cresce numericamente no Brasil (um novo templo por semana).
A reportagem ainda exalta as curas e milagres que ocorrem no templo principal da igreja, que fica no bairro do Brás em São Paulo. Alvo de várias dissertações de mestrado em Sociologia da Religião, Valdemiro tornou-se um ícone evangélico com uma ascensão meteórica. Egresso da Igreja Universal, Valdemiro possui um grande poder de comunicação, onde consegue uma proximidade e identificação com seu público, além de uma grande capacidade de administrar, ao vivo, casos de cura por amostragem, tornando tudo um mega-show da fé. 
Choro, gritaria, emoções afloradas, casos impressionantes de curas através dos depoimentos dos enfermos, e a evocação da “mão divina” operando em “sua” denominação religiosa, fazem com que a sede da IMPD esteja sempre cheia de pessoas em busca de uma “reposta” de Deus para suas mazelas.
A maioria dessas pessoas vieram em grande parte de “outras” denominações evangélicas, principalmente da IURD, e tudo parece muito bem orquestrado para garantir o crescimento da igreja.
Mas a reflexão que quero provocar é: O que torna uma igreja autêntica aos olhos de Deus? Quais seriam os critérios de Jesus para validar uma igreja cristã?
Bem, do ponto de vista humano, a obra desenvolvida por Valdemiro Santiago, é impressionante. Os números do crescimento de adeptos à denominação, a quantidade de dinheiro arrecado, e os milagres testemunhados ali são fantásticos. Mas seriam estas prerrogativas válidas, para autenticar uma igreja onde “Deus opera”? Será que o conceito de sucesso humano, é o mesmo conceito usado por Deus para descrever uma “obra abençoada”? Como seria uma igreja fundamentada nos ensinos de Jesus? Vejamos:
  1. Jesus jamais enfatizou os milagres em seu ministério.
Com raríssimas exceções, Jesus jamais permitiu que as pessoas ouvissem a respeito dos milagres que ele fazia. O quero dizer, é que milagres faziam parte do processo salvífico de Jesus, mas eles não eram o alvo de Jesus. O milagre era parte do todo, mas não a finalidade. Se pensamos em ir para a igreja para “receber um milagre” cometemos um erro gravíssimo, pois nos relacionamos com Deus de maneira utilitarista, Deus torna-se uma ferramenta e não o ferramenteiro. Receber um milagre não faz de você alguém especial. Na história dos dez leprosos que receberam o milagre, a salvação veio apenas para um, este foi aquele que voltou, pois estava vendo além do milagre. (Lc 17: 12-13). O verdadeiro Evangelho é salvação de vidas, os milagres e operações de poder são meros coadjuvantes da pregação que salva.
  1. Jesus jamais enfatizou o dinheiro em seu ministério.
Outra problemática está relacionada com o dinheiro no ministério. Sabemos que dinheiro é necessário para tudo que fazemos no mundo e faz parte do dia a dia de pessoas em todas as classes sociais. O próprio ministério de Jesus tinha tesouraria e tesoureiro, recebia ofertas e quantias voluntárias das pessoas, mas a troca de benção por quantia financeira ou práticas espúrias como “trízimo” criada pela IMPD, são aberrações que mais trazem confusão e promovem a ganância do que libertam os oprimidos por mamom. A benção financeira não é necessariamente um sinal da “mão de Deus”. Pessoas justas como Paulo, Jó, Isaías, Jeremias, Elias ou Rute, tiveram suas finanças ceifadas em momentos críticos de sua vida, e nem por isso a “mão de Deus” ou cuidado divino foram retirados deles.
  1. Jesus jamais enfatizou sua personalidade em seu ministério.
Jesus sabia que todo poder e bondade provinham do amor de Deus. A sacralização do suor de um homem, ou mesmo, um toque dele não torna “o homem” especial, mas glorifica o Poder de Deus que opera na fraqueza humana ou como na metáfora paulina: “em vasos de barro” (2Co 4:7). Líderes impositivos e personalistas são a maior desgraça  para a igreja moderna. Ao mesmo tempo em que pregam a humildade, fazem de seus subalternos capachos e marionete de risos alheios. Jesus jamais desclassificou alguém publicamente, com exceção dos fariseus, que tinham exatamente esta prática. 
  1. Jesus jamais enfatizou um único modelo de igreja.
Ao falar para as sete igrejas do Apocalipse, Jesus se retratava à elas de maneira provocativa, mostrando que a obra ou estrutura física não legitimava uma em detrimento da outra. Aliás, entre as sete igrejas, a que mais chamou a atenção de Jesus, foi a menor de todas e a mais frágil, a igreja de Esmirna (Ap 2:8-11). Esta igreja era a mais perseguida, a mais pobre, a menor entre as sete, e a preferida do Mestre. Estruturas e templos não chamam a atenção de Jesus. Mas a sinceridade e justiça com a qual se administra o dom de Deus. Não é um modelo ou método que está certo, mas o Espírito por detrás da instituição. Qual é a motivação que faz uma igreja ser o que é? O Espírito Santo ou o espírito do líder? A resposta desta pergunta responde todas as perguntas sobre a igreja.
Como disse Ricardo Gondim: “Vivemos em uma geração inebriada pela doutrina do sucesso, e que sufoca a criatividade, patrulhando a liberdade da reflexão, afogando-se na ganância e na complacência.”
Com tudo isso, não quero criticar Valdemiro, pois não tenho esse direito, uma vez que ocupo a mesma classe dele. Seria farisaico da minha parte. Mas não posso viver como um observador distante, achando que ninguém vai copiar a IMPD, porque vai copiar tudo, sua teologia, prática, idiossincrasias, pois ela é tida como um “modelo de sucesso”.
Basicamente se uma igreja enfatiza os milagres que nela acontecem, se enfatizam mais o dinheiro do que Jesus, se crêem no seu líder mais do que no Evangelho, e se acreditam que o seu modelo é o único onde a “mão de Deus” opera: Cuidado, muito cuidado! é possível que o poder que nela opera não seja de Deus!

Um comentário:

Anônimo disse...

Pastor Bruno, sua reflexão é bastante esclarecedora quanto aos procedimentos destas igrejas que enfatizam o místico. Que Deus continua te abençoando.