31 de jan de 2011

OS DOIS CAMINHOS - E os muitos caminhantes.


Olhe bem para este quadro, e perceba suas características.
O antigo quadro chamado: “os dois caminhos” era quase unânime nas casas dos protestantes nas décadas de 50 e 60 no Brasil. Uma gravura que trazia uma mensagem espiritual para todos. Basicamente são dois caminhos opostos que saem de uma mesma estrada. O quadro simbolizava a decisão que na caminhada da vida, num determinado momento, a pessoa deveria tomar.
Um dos caminhos é estreito, de abstenção e sacrifício, de fidelidade e justiça, mas que leva diretamente para o céu. O outro é um caminho largo, cheio de prazeres e mundanismo, mas que conduz ao fogo eterno. Um olho que enxerga tudo o que acontece nos dois caminhos, não possui pálpebras, pois ele jamais dorme. Simboliza a visão de Deus sobre a impiedade e a santidade das escolhas humanas. Segundo estudiosos e sociólogos, a primeira impressão da idéia deste quadro (ele foi sendo alterado ao longo das décadas) aconteceu em Londres em 1856, intitulada de: Two way of life.
O fato é que de lá pra cá, muita coisa mudou, tanto no mundo, quando na igreja. E o quadro tomou outras proporções. Ao analisar o quadro diante do que vemos acontecendo hoje no meio evangélico, temos certeza que já não saberíamos definir que caminho alguns evangélicos estão tomando.
A mente evangélica está conformada com um evangelho que não prega mais a abstenção, senão a aquisição de bens, como prova de bem-aventurança. A multidão passa a ser o alvo da maioria das igrejas, não importando se eles são transformados a imagem e semelhança de Deus.
O show gospel mudou de lado, e algumas igrejas se transformaram em verdadeiros cassinos cristãos, onde tudo se faz por um pouco mais de dinheiro. Já não se pensa mais no, certo ou errado? Mas no resolve ou não resolve? Tudo está relativisado e os caminhos já estão confusos pra muita gente.
Na pobreza do cenário gospel, o quadro torna a ser uma lembrança de que o Evangelho não mudou, quem mudou fomos nós, e mudamos pra pior. Sempre que o vejo reconforto o meu coração com a seguinte reflexão: “O estreitamento do caminho de Deus, nos serve para o alargamento de nossas metas espirituais, quanto menos ajuntarmos aqui, mais teremos lá, e isso não é um voto à pobreza, mas um chamado a consciência verdadeiramente cristã.”


O PODER DA IGREJA MUNDIAL, É DE DEUS?

A revista “Isto é” desta semana, publicou uma matéria de capa com o apóstolo Valdemiro Santiago, líder maior da Igreja Mundial do Poder de Deus (IMPD). Segundo a reportagem, a igreja que mais cresce numericamente no Brasil (um novo templo por semana).
A reportagem ainda exalta as curas e milagres que ocorrem no templo principal da igreja, que fica no bairro do Brás em São Paulo. Alvo de várias dissertações de mestrado em Sociologia da Religião, Valdemiro tornou-se um ícone evangélico com uma ascensão meteórica. Egresso da Igreja Universal, Valdemiro possui um grande poder de comunicação, onde consegue uma proximidade e identificação com seu público, além de uma grande capacidade de administrar, ao vivo, casos de cura por amostragem, tornando tudo um mega-show da fé. 
Choro, gritaria, emoções afloradas, casos impressionantes de curas através dos depoimentos dos enfermos, e a evocação da “mão divina” operando em “sua” denominação religiosa, fazem com que a sede da IMPD esteja sempre cheia de pessoas em busca de uma “reposta” de Deus para suas mazelas.
A maioria dessas pessoas vieram em grande parte de “outras” denominações evangélicas, principalmente da IURD, e tudo parece muito bem orquestrado para garantir o crescimento da igreja.
Mas a reflexão que quero provocar é: O que torna uma igreja autêntica aos olhos de Deus? Quais seriam os critérios de Jesus para validar uma igreja cristã?
Bem, do ponto de vista humano, a obra desenvolvida por Valdemiro Santiago, é impressionante. Os números do crescimento de adeptos à denominação, a quantidade de dinheiro arrecado, e os milagres testemunhados ali são fantásticos. Mas seriam estas prerrogativas válidas, para autenticar uma igreja onde “Deus opera”? Será que o conceito de sucesso humano, é o mesmo conceito usado por Deus para descrever uma “obra abençoada”? Como seria uma igreja fundamentada nos ensinos de Jesus? Vejamos:
  1. Jesus jamais enfatizou os milagres em seu ministério.
Com raríssimas exceções, Jesus jamais permitiu que as pessoas ouvissem a respeito dos milagres que ele fazia. O quero dizer, é que milagres faziam parte do processo salvífico de Jesus, mas eles não eram o alvo de Jesus. O milagre era parte do todo, mas não a finalidade. Se pensamos em ir para a igreja para “receber um milagre” cometemos um erro gravíssimo, pois nos relacionamos com Deus de maneira utilitarista, Deus torna-se uma ferramenta e não o ferramenteiro. Receber um milagre não faz de você alguém especial. Na história dos dez leprosos que receberam o milagre, a salvação veio apenas para um, este foi aquele que voltou, pois estava vendo além do milagre. (Lc 17: 12-13). O verdadeiro Evangelho é salvação de vidas, os milagres e operações de poder são meros coadjuvantes da pregação que salva.
  1. Jesus jamais enfatizou o dinheiro em seu ministério.
Outra problemática está relacionada com o dinheiro no ministério. Sabemos que dinheiro é necessário para tudo que fazemos no mundo e faz parte do dia a dia de pessoas em todas as classes sociais. O próprio ministério de Jesus tinha tesouraria e tesoureiro, recebia ofertas e quantias voluntárias das pessoas, mas a troca de benção por quantia financeira ou práticas espúrias como “trízimo” criada pela IMPD, são aberrações que mais trazem confusão e promovem a ganância do que libertam os oprimidos por mamom. A benção financeira não é necessariamente um sinal da “mão de Deus”. Pessoas justas como Paulo, Jó, Isaías, Jeremias, Elias ou Rute, tiveram suas finanças ceifadas em momentos críticos de sua vida, e nem por isso a “mão de Deus” ou cuidado divino foram retirados deles.
  1. Jesus jamais enfatizou sua personalidade em seu ministério.
Jesus sabia que todo poder e bondade provinham do amor de Deus. A sacralização do suor de um homem, ou mesmo, um toque dele não torna “o homem” especial, mas glorifica o Poder de Deus que opera na fraqueza humana ou como na metáfora paulina: “em vasos de barro” (2Co 4:7). Líderes impositivos e personalistas são a maior desgraça  para a igreja moderna. Ao mesmo tempo em que pregam a humildade, fazem de seus subalternos capachos e marionete de risos alheios. Jesus jamais desclassificou alguém publicamente, com exceção dos fariseus, que tinham exatamente esta prática. 
  1. Jesus jamais enfatizou um único modelo de igreja.
Ao falar para as sete igrejas do Apocalipse, Jesus se retratava à elas de maneira provocativa, mostrando que a obra ou estrutura física não legitimava uma em detrimento da outra. Aliás, entre as sete igrejas, a que mais chamou a atenção de Jesus, foi a menor de todas e a mais frágil, a igreja de Esmirna (Ap 2:8-11). Esta igreja era a mais perseguida, a mais pobre, a menor entre as sete, e a preferida do Mestre. Estruturas e templos não chamam a atenção de Jesus. Mas a sinceridade e justiça com a qual se administra o dom de Deus. Não é um modelo ou método que está certo, mas o Espírito por detrás da instituição. Qual é a motivação que faz uma igreja ser o que é? O Espírito Santo ou o espírito do líder? A resposta desta pergunta responde todas as perguntas sobre a igreja.
Como disse Ricardo Gondim: “Vivemos em uma geração inebriada pela doutrina do sucesso, e que sufoca a criatividade, patrulhando a liberdade da reflexão, afogando-se na ganância e na complacência.”
Com tudo isso, não quero criticar Valdemiro, pois não tenho esse direito, uma vez que ocupo a mesma classe dele. Seria farisaico da minha parte. Mas não posso viver como um observador distante, achando que ninguém vai copiar a IMPD, porque vai copiar tudo, sua teologia, prática, idiossincrasias, pois ela é tida como um “modelo de sucesso”.
Basicamente se uma igreja enfatiza os milagres que nela acontecem, se enfatizam mais o dinheiro do que Jesus, se crêem no seu líder mais do que no Evangelho, e se acreditam que o seu modelo é o único onde a “mão de Deus” opera: Cuidado, muito cuidado! é possível que o poder que nela opera não seja de Deus!

28 de jan de 2011

REDENÇÃO DO PRIMOGÊNITO: Pidyon haben - פדיון הבן

Este é o nome dado ao ritual onde o pai judeu redimi seu filho primogênito, nascido de parto natural, pagando cinco shekelim (espécie de moedas de prata) ao Cohem (dirigente litúrgico da sinagoga). E geralmente é feito no trigésimo primeiro dia (31) depois do nascimento do menino.
A tradição judaica explica que os primogênitos dos filhos de Israel foram escolhidos para o sacerdócio pelo Criador, devido ao fato de terem sido poupados da última das 10 pragas do Egito. No entanto, quando os israelitas pecaram ao sacrificar ao bezerro de ouro, os sacerdotes assumiram o dever do sacerdócio. Este rito foi então instituído como forma de resgatar o filho mais velho desta obrigação ao sacerdócio.
O Primogênito é o primeiro filho e o primeiro entre os irmãos. Jesus foi o primogênito de Maria (Mt. 1:24-25). Jesus teve quatro irmãos, fora as irmãs (Mt. 13:55-56). A linhagem de um homem era contada pelo primogênito, por isso que a força de um homem estava no primogênito (Dt. 21:15-17). Se morria o primogênito, estava cortada a linhagem e a força do tal homem. O valor dos primogênitos vinha do Eterno. O povo de Israel foi chamado por Jeová de filho primogênito (Ex. 4:22), e o preço pago para resgatá-los era de cinco ciclos de prata (Nm. 3:46-47).
O Deus Bíblico nunca pediu o sacrifício de crianças, mas era necessário que os primogênitos dedicassem sua vida ao serviço do Templo. O pagamento das cinco “shekelim” devolvia o direito aos pais de terem seus filhos integralmente à eles. A primogenitura é um direto de herança. O primogênito de acordo com a tradição judaica é aquele que possui um direito exclusivo de herança.
Sobre o primogênito está delegada uma autoridade superior. Jacó relata isso de Rúben: “Rúben, você é meu primogênito, minha força, o primeiro sinal do meu vigor, superior em honra, superior em poder.” Gn 49:3
O desejo que Deus nutre pelo primogênito mostra que é uma posição de benção, de graça, divina. Ser um primogênito significa carregar uma marca única. Por isso sabemos que: 
* Todo primogênito era consagrado ao Senhor – Nm 3:13
* Todo primogênito tinha uma porção dobrada – Dt 21:17
* A tradição dizia que todo o primogênito na ausência do Pai era o sacerdote da família.
* Todo primogênito tinha um valor diante de Deus – Nm 3:40-41 (Lc 2:22-24)
O Senhor Deus, nos delegou o direito de sermos considerados os primogênitos juntamente com Cristo, mas por falta de sabedoria e entendimento estamos abrindo mão do nosso direito da primogenitura em detrimento de um momento de necessidade passageira. Podemos sim perder esta benção da primogenitura quando nos detemos em uma situação de carnalidade e banalizamos as coisas de Deus em detrimento das coisas temporárias, como foi com Esaú e Absalão. E isso nos custará muito mais caro do que apenas 5 “shekelim”.

27 de jan de 2011

BENÇÃO SACERDOTAL: Birkat Kohanim - ברכת כהנים

A benção sacerdotal é a famosa oração judaica, também conhecida como benção Aarônica recitada em alguns trabalhos da sinagoga. Uma das traduções para este termo também pode ser: “estender as mãos”. É uma oração de bem-aventurança e felicidade especial para os filhos de Israel. Eis a oração baseada em Nm 6:24-26:
O Senhor te abençoe e te guarde
 - יְבָרֶכְךָ יְהוָה, וְיִשְׁמְרֶךָ  
O Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti 
- יָאֵר יְהוָה פָּנָיו אֵלֶיךָ, וִיחֻנֶּךָּ
O Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz 
- יִשָּׂא יְהוָה פָּנָיו אֵלֶיךָ, וְיָשֵׂם לְךָ שָׁלוֹם 
De acordo com a tradição judaica, a benção sacerdotal  possui três frases e por isso promove uma benção tripla. A bênção sacerdotal é também o texto bíblico mais antigo encontrado em peças arqueológicas. Pêndulos da sorte e camafeus com as três frases inscritas foram encontradas em sepulturas no vale de Hinom, fora da cidade velha de Jerusalém. Todos os dias pela manhã essa benção é recitada nas sinagogas de Jerusalém pelos sacerdotes (kohanim), fora de Israel, ela é recitada somente em datas festivas.
O sacerdote é igual a todos os homens, porém, possui uma responsabilidade sobre os seus ombros; ser um canal, um instrumento de benção divina sobre a vida dos demais. Por isso a “Birkat Kohanim” ao ser recitado diante da comunidade mostra a apreciação que nutrimos pelas dádivas de Deus no nosso cotidiano.
De acordo com a tradição judaica, quando somos abençoados, somos nutridos de um poder benéfico que nos faz jorrar, brotar e fluir paz e felicidade, por isso, esta benção nos delega também autoridade para abençoar outros.
Quando abençoamos outras pessoas revelamos as qualidades da compaixão, da misericórdia, do amor, da bondade e tantas outras virtudes dignas.
Só podemos abençoar quando somos capazes de receber a benção, e só podemos receber a benção quando somos capazes de reconhecer um Deus abençoador.
Portanto a benção sacerdotal nos leva para uma dimensão de vida de dependência e reconhecimento do cuidado de Deus sobre nós, para um estado de gratidão que provém desta ação da Graça Divina, a “Birkat Kohanim”.

25 de jan de 2011

SANTO: Kadosh (קדוש)

Segundo a tradição rabínica, o tempo não é um espaço contínuo, mas possui um sentido diversificado. Não há duas horas iguais, cada hora é única e exclusiva. Esse sentido mítico do tempo torna-o santo. Portanto a primeira coisa, o primeiro objeto que Deus santificou, não foi uma pedra, montanha ou altar, mas foi um dia, um tempo, o “Shabat” é esse tempo separado para dar a importância e a atenção devida ao Todo Poderoso. 
A idéia primordial do Shabat é sair da tirania do tempo cronológico. Seis dias por semana vivemos debaixo da ordem dos horários e datas, mas no Shabat partilhamos do eterno, do espiritual. No Shabat, o judeu cessa o temporal e se dedica ao descanso no Deus Criador de toda a terra.
O termo Kadosh é usado mais de 600 vezes no AT. Mas esta foi a primeira vez que a palavra Kadosh (santo) foi usada: “E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera.” (Gn 2:3). Isso torna o tempo distinto, pois é a única coisa em toda a criação que Deus dota com a qualidade da santidade. Este versículo é significativo porque Deus não criou um lugar sagrado, depois de haver criado tudo. Ele estabeleceu Sua Santidade no tempo. Quando a história começou havia apenas uma coisa sagrada no mundo criado, o tempo, o sábado, o que vem primeiro e antes de tudo.
Portanto, a essência da palavra Kadosh (santo) significa separação, distinção. Aqui precisamos destacar que a palavra separação ou distinção não significa afastamento ou ruptura das coisas, mas elevação e superioridade. 
Quando Deus nos convida para a santidade (Lv 19:2), Ele espera de nós o papel que nos foi encarregado sobre a criação, sermos seres superiores, sairmos da média comum estabelecida pelos sistemas sociais imperfeitos. Ser santo, é estar acima das linhas que nivelam a maioria, é tornar-se um exemplo, um guia, uma referência do Carácter Santo de Deus na terra. É sair do temporal e mergulhar no eterno.
Por isso, quando Deus nos convida a ser kadosh, precisamos olhar para as qualidades Dele, e seguir copiando tudo que Deus faz que o torna Kadosh. Se Deus ama, precisamos desenvolver nosso amor, se Deus é criativo, precisamos desenvolver nossa criatividade, e assim por diante. É a Santidade em Deus que nos inspira para andar em santidade de vida. Santidade não é um alvo à alcançar, mas uma forma  de como se  deve viver, e por isso o apóstolo Pedro quando escreveu sobre a santidade, começou com um verbo imperativo: “Sede Santos, como Eu Sou Santo” (1Pe 1:16).
Termino com as palavras do rabino Abraham J. Heschel, que diz: “Santidade não é um estágio espiritual que desejamos atingir, mas um estilo de vida que nutrimos todos os dias, pensando, sentindo e agindo de modo compatível com os princípios divinos.”

24 de jan de 2011

IMERSÃO ou BATISMO: tevilah (טְבִילָה)

O ritual judaico da imersão na água foi praticado por muitos séculos antes do inicio do  ministério de Jesus. Segundo a tradição, este rito proporciona a purificação, consagração e santidade para o povo judeu. No judaísmo o conceito de pureza e impureza não tem sentido pejorativo, é somente um estado espiritual no qual a pessoa se encontra. E portanto a imersão nas águas, era um rito de limpeza cerimonial. 
Os rabinos entendiam que o “tevilah” era uma imersão ritual de limpeza e purificação. Nessa imersão, o novo membro da comunidade, tinha seu passado e seus pecados apagados. Os rabinos se valiam do exemplo do Egito em que o povo de Israel viveu. Ao saírem e passarem pelas águas, houve uma separação completa das práticas passadas, da idolatria e das impurezas habituais, era uma transição de um estado de morte espiritual (nenhuma relação com o verdadeiro Deus), para um estado de vida espiritual (aceitação no Templo diante de Deus). De acordo com a tradição judaica, sem o batismo, era impossível alguém cerimonialmente impuro se apresentar diante do Eterno. Neste sentido o batismo era praticado todos os dias pelos judeu mais piedosos.
Mas a grande diferença entre o batismo judeu e o batismo cristão, é que no batismo cristão, a maior preocupação não estava na pureza cerimonial do corpo. No início dos Evangelhos, encontramos o ministério de João “o imersor” (Batista), que pregava batismo de arrependimento (Mt 3:1-6), conscientizando o povo à voltar-se para Deus. O batismo de João, tornava-se um recomeço, uma nova realidade de consciência e consagração à Deus. Nos Evangelhos, este batismo é chamado de batismo de arrependimento (Mc 1:4).
O batismo cristão não envolvia apenas o reconhecimento do erro, mas o desejo de acertar e agradar o Senhor. Assim, vemos que Jesus, mesmo sem pecado, foi e batizou-se no Jordão (Mc 1:9), pois o rito envolvia essa consagração ao Eterno. Na grande comissão (Mt 28:19), Jesus não ordenou aos discípulos, apenas o discipulado das nações, mas também a consagração daqueles que eram acrescentados ao Corpo de Cristo, isto é, a sua Igreja. Neste sentido, o tevillah ou batismo torna-se uma expressão pública da fé em Jesus Cristo e na sua obra redentora. Por isso o Novo Testamento refere-se ao batismo como o ato representativo da nossa união e identificação com o Salvador (Mc 16:16). Não é um mero assentimento intelectual, nem um rito cerimonial, mas uma mudança real de carácter. E por isso, o batismo torna-se a admissão ao Corpo de Cristo, pois ele introduz o convertido à um novo estilo de vida.

22 de jan de 2011

CIRCUNCISÃO: b’rit milah (ברית מילה)

B’rit milah significa literalmente “aliança ou pacto da circuncisão”, um rito judaico no qual o prepúcio do menino é cortado no oitavo dia após o nascimento. Segundo a tradição judaica, este rito representa o pacto entre Deus e Abraão. Para o judeu, a circuncisão é tão séria que mesmo que o oitavo dia caia em um Sábado (Shabat) ou no Yom Kipur (Dia do Perdão), ela é praticada.
Abraão foi o primeiro circunciso da história humana. Ele tinha 99 anos quando se auto-circuncidou. Em Abraão, sua circuncisão representou a sua obediência espiritual sobre a compulsão primitiva ou carnal. (Gn 17:1-14) E é por isso que este mitzvá (mandamento) tornou-se o mais importante da Torá, pois ele antecede a própria lei mosaica.
Do ponto de vista científico, além de ser uma medida sanitária, a circuncisão tornou-se um símbolo exterior que liga o menino judeu a sua fé. É o maior símbolo da identidade religiosa do povo judeu, e em toda história judaica este é o mandamento mais respeitado e observado. Toda a família se reúne em volta deste ato que simboliza a marca da Lei na carne do recém nascido. Como revela a oração da circuncisão: “Bendito sejas tu Senhor, que hás consagrado teu bem amado desde seu nascimento. Gravando a lei em sua própria carne e imprimindo nos seus descendentes o selo de sua aliança” (Torá e as Haftarot). Feita por um mohel, que é o rabino treinado para este procedimento. Já o sandak, é o responsável por segurar a criança enquanto a circuncisão é realizada, que, geralmente, cabe ao avô materno ou paterno.
”Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura.” (Gálatas 6:15)
Esta foi a primeira controvérsia teológica entre os apóstolos da igreja. (At 15:6-21). Haviam dois blocos de cristãos; os apegados à exigência incondicional da circuncisão, e os que a consideravam dispensável à conversão ao Cristianismo. Essa polêmica passou a atingir principalmente os gentios (povos pagãos, ou não judeus), que não eram circuncidados, e isso tornou-se um problema sério para que estes povos abraçassem a nova doutrina, já que simpatizavam com ela, mas não aceitavam o rito da circuncisão.
Paulo não teve dúvidas quanto a ineficácia da circuncisão como uma prioridade espiritual. Apesar de ter até circuncidado Timóteo (o que fez para não escandalizar judeus-gregos, segundo ele mesmo afirma). Para Paulo, a circuncisão era simplesmente uma mudança exterior, física. Ela não podia garantir uma mudança interior, nem uma nova realidade espiritual.
É por isso que no Cristianismo, o rito da circuncisão não é observado, pois esta é uma marca clara do povo israelita e da religião judaica. Mas o princípio espiritual é observado. O Espírito da Lei está presente no Cristianismo, pois a obediência é uma marca interna e não externa. Assim como a circuncisão revela uma marca física que estará no judeu desde seu nascimento, e o lembrará todas as vezes que ele urinar (isto é, todos os dias), assim o ser uma nova criatura para Deus é uma marca do verdadeiro cristão desde o seu nascimento espiritual, e um trabalhar diário do Espírito Santo nele tornando-o cada dia mais parecido com Jesus Cristo. Ser um novo homem e nutrir uma nova vida que agrada ao Eterno, é a real circuncisão que fazemos diante de Deus e dos homens.


Todos os direitos reservados para o autor - Copyright 2011 Pr. Bruno dos Santos

21 de jan de 2011

ישוע אתה הוא המשיח, בן אלקים חיים

Série Mundo Bíblico - Expressões em Hebraico.



O hebraico clássico (Lashon haKodesh) é uma escrita foneticamente impronunciável, pois não possuía vogais, e essa foi a forma escrita que originou a Torá. Como língua, o hebraico possui jargões riquíssimos, porque ele floresceu diante de culturas e ambientes sociais diversificados. Nos estudos sistemáticos da Torá e do Talmude, os rabinos criaram discussões acaloradas (Mishná) sobre a interpretação de determinados termos hebraicos, uma vez que o estudo acadêmico era oral. E por isso, é importante analisar a riqueza de cada expressão hebraica.
A partir da semana que vem postarei em meu blog, certas expressões em hebraico, que vão enriquecer nosso entendimento sobre alguns ambientes bíblicos. Histórias, parábolas e acontecimentos, vistos à luz de uma interpretação mais profunda, nos darão uma completa impressão da Bíblia. Espero que você possa acompanhar cada dia, uma nova expressão e que a sua espiritualidade seja acrescida do Espírito da letra.
Começaremos estes novos post’s a partir do dia 24 de Janeiro de 2011. Que Deus o abençoe ricamente.

20 de jan de 2011

Homossexualidade Infantil - Verdade ou Irresponsabilidade?

Barbara Walters é uma apresentadora famosa nos EUA. Ela foi uma das primeiras mulheres a apresentar um telejornal na rede ABCNews. Neste quadro do seu programa, ela revela a realidade de uma família que é "admirada" pelas pessoas por assumirem ter um filho gay, aos 8 anos de idade. Este vídeo é triste e assustador do começo ao fim, pois revela que estamos diante de um colapso moral sem volta.  Pais que administram erros de formação psicológica, como diferenças que devem ser aceitas pelos iguais. Como pastor, resta apenas minhas orações. Tire suas próprias conclusões e faça seus comentários.

19 de jan de 2011

QUEM ESCOLHE MEU NAMORADO(A)? DEUS OU EU?

Um pensamento que alicia jovens na maioria das igrejas hoje em dia, está relacionado com o namoro: Deus, ou eu mesmo devo escolher meu namorado(a)? Essa pergunta inquieta a maioria dos jovens cristãos, e serve também de força de manobra em muitos ministérios de jovens. Mas qual é a resposta? Que meios ou critérios devemos usar para escolher um namorado(a)? Será que o fulano(a) é a pessoa que Deus escolheu? Ou eu que escolho?
Estas são algumas das inquietações que enchem as agendas pastorais de jovens em nossos dias. Muitos jovens hoje em dia vivem essa crise nos relacionamentos. Gostam de alguém, mas temem que essa pessoa não faça parte dos planos de Deus para a sua vida, e buscam conciliar obediência à Deus com satisfação nos relacionamentos.
Carrego algumas dicas comigo para aconselhar jovens que vivem essa crise. Mas antes gostaria de pensar em pelo menos três perguntas:

1. Onde o meu namoro me levará?
De acordo com a Bíblia, o namoro tem por objetivo nos levar ao casamento. O namoro é um tempo de conhecimento, de descobertas sobre a outra pessoa que está com você. Uma análise das diferenças e similaridades, dos gostos e das vontades. É importante perceber isso para o desenvolvimento de uma relação madura, onde um aprende a gostar do outro, com tudo aquilo que o outro carrega em si. O grande problema do namoro é atropelar as etapas, e ir para a região que só nos diz respeito no casamento (sexo e prazer).
2. Qual a razão pela qual escolhi estar com esta pessoa?
Existem muitos fatores que podemos colocar aqui. Beleza, Intelecto, Carisma, etc. Mas a mais pontual, a mais importante virtude de uma escolha estão nos valores. Que tipo de valores essa pessoa que você escolheu carrega? Como ela se relaciona com seus pais? Com seus familiares? Como ela respeita você? Enfim, estes valores são imprescindíveis para dar coerência em sua escolha. Veja bem que eu não estou falando de religião, mas de valores morais. O uso do bom senso na hora da escolha, é necessário, pois uma pessoa pode ser bonita, elegante, boa de conversa e um(a) crápula na relação!
3. E como meu namoro se relaciona com minha vida espiritual?
Se você é um cristão, é necessário saber que o namoro deve fazer a sua vida espiritual crescer e desenvolver, não diminuir. Se você se torna uma pessoa mais fechada à vida espiritual, então esse namoro não está cumprindo o papel dele.

Agora gostaria de dizer algo muito importante à todos os cristãos. DEUS NÃO ESCOLHE POR VOCÊ, ELE ESCOLHE COM VOCÊ. Isso mesmo, Deus abençoa seu namoro quando você faz uma escolha coerente. E aqui vão algumas dicas para você fazer essa escolha.

Namoro não é um espaço de vida para aprender a beijar, a transar e afirmar sua beleza.
Isso mesmo, o cristão encara o namoro como a ante sala da felicidade (casamento).  E felicidade é coisa séria! Namoro para nós não é uma aventura infantil como o mundo vê. Namoro faz parte de um comportamento que gerará um novo casal. Antes de Deus cuidar de qualquer coisa relacionada a religião, ele cuidou de um casal de namorados (Adão e Eva), e abençoou aquele relacionamento para que eles gerassem uma humanidade abençoada. A troca de prioridades daquele casal fez com que o relacionamento ficasse a deriva do mal. Portanto se as prioridades do namoro forem trocadas pela proposta do mundo, Deus não pode escolher junto com você, essa pessoa que você escolheu. Pois esse tipo de procedimento não está nos planos de Deus para a nossa vida.

Diferenças religiosas são as mais difíceis de serem resolvidas entre um casal de namorados.
É muito complicado quando um cristão namoro com alguém que não seja. Geralmente são muitos os conflitos gerados no relacionamento, pelo simples fato de que os valores são outros, e as escolhas do que se deve ou não fazer torna-se agonizante. Um velho adágio diz:  “Urubu jamais voa com pomba”. Isso significa que a diferença religiosa torna a relação muito mais pesada e difícil de ser conciliada. Tempo e desgaste desnecessário para um jovem, que já carrega tantos outros problemas para resolver. (faculdade, compra do primeiro carro, etc.)

O seu namoro deve glorificar a Deus.
Paulo diz aos Coríntios: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co 13:31). Tudo que fazemos, devemos carregar o princípio do louvor e da exaltação de Deus. Se o namoro exalta a Deus, fique em paz com ele. Se esse namoro realça os valores de Deus no mundo, Deus é com você e o está abençoando, mas se for o contrário disso, fuja! Corra dessa relação, pois ela é um laço que prenderá a sua vida. A glória de Deus, é a sua alegria, e um relacionamento que glorifica a Deus gera contentamento, satisfação e paz.

18 de jan de 2011

O VENENO DA RE-ENCARNAÇÃO.

A reencarnação é um veneno social, uma doutrina maléfica para a humanidade pelo simples fato de que gera a esperança de uma segunda, terceira, quarta... possibilidade de uma vida melhor.
A diferença básica entre o veneno e o remédio é a sua dose. A reencarnação é um veneno, porque ela carrega uma dose excessiva de esperança. Ela dá uma esperança para além desta existência, a possibilidade de viver sempre errando para poder acertar na próxima. E é nesta vida que precisamos acertar, é nesta existência que precisamos resolver nossas diferenças e aperfeiçoar nossos defeitos. Deus não nos deu uma vida para ensaiar e outra vida para atuar, é uma só existência e uma só chance de viver a vida de maneira piedosa e correta.
Uma das falácias da reencarnação é jogar as mazelas desta vida no ombro de pessoas que jamais conheci, e que são responsáveis pelas dificuldades ou acertos de vidas futuras. É como se toda responsabilidade de ser quem eu sou fosse de outro. Estranho?Outra falácia básica na doutrina da reencarnação reside na impossibilidade de lembrarmos das experiências da vida passada. Se não podemos lembrar de nossos erros passados, como poderemos corrigí-los na vida que se segue? Enfim, são muito pontos incongruentes. Não precisamos de outras existências, esta já nos basta. Uma só vida já é suficiente para nos trazer consequências eternas, sejam elas boas ou ruins.
Em cada dia que vivemos as responsabilidades das escolhas são nossas mesmo. Não somos somente aquilo que plantamos e colhemos, somos também fruto de uma vida que possui propósitos divinos. Cada dia, eu mesmo posso encarnar um novo jeito de ser, sem sair de mim, e sem tirar de mim as responsabilidades diárias de ser cada dia melhor por escolher sempre a vida, e não o que pensam que a vida é.
Do mais, tenho que dizer que não existe só propósito no morrer, existe propósito no nascer. Nascemos para a Glória de Deus, e essa é a razão pela qual também vivemos, vivemos para a Glória de Deus. E somente nele coloco a minha esperança. Se o meu Deus não vive encarnado em Cristo, então nenhuma esperança há para a vida depois da morte!

17 de jan de 2011

DEUS ACREDITA EM VOCÊ?

Vivemos um tempo de grandes paradoxos. Todos exigem seus direitos, anulando o direito dos outros. A abundância de coisas neste século gerou uma humanidade insatisfeita por não ter aquilo que não precisa, mas acha que é necessário. Temos milhares de seguidores nas redes sociais e quase nenhum amigo de verdade. A idade madura é tida como velhice traumática, a a imbecilidade juvenil é a grande aposta do mundo que virá. Os grandes nomes da literatura mundial escrevem livros para o atender o consumo, e não para mudar pessoas. Enfim, esse é o século do Anticristo.
O século do Anticristo é o século da confusão, da bagunça institucionalizada do homem e da fé em Deus. Os liberais que me perdoem, mas já estamos vivendo o século do Anticristo. Um falso ecumenismo esconde as verdadeiras intenções políticas da unidade religiosa. Uma religião mercadológica que atende uma demanda de consumo, e usa terminologias bíblicas para vender seus “produtos”. Os oradores de hoje preparam a mente das pessoas para aceitar a apatia de uma espiritualidade fria que enxerga Jesus, como “um cara legal”, tipo um gerente de banco do céu, que vai “liberar” muita prosperidade a juros baixíssimos, que custam apenas a nossa fidelidade financeira a instituição. A igreja de hoje parece bastante com o mundo de hoje, ela já não é mais uma supracultura, mas esta misturada e levadada com toda sorte de modismos. E é por isso que a igreja vira sal pra ser pisado, e não pra ser usado para dar sabor a vida. A igreja pode ter errado muito na história, mas a Bíblia jamais errou!
E é diante desse quadro desanimador, que a Bíblia é sistematicamente atacada pelos chamados “pensadores” que se valem de uma filosofia feita com cacos históricos. As falsas lógicas usadas pelos ateus, que acreditam nos quatro jumentos do Apocalipse: Richard Dawkins, Christopher Hitchens, Sam Harris e Daniel Dennett. Servem apenas para mudar a fé na religião pela fé na ciência e na razão. Mas que deixam o homem no mesmo labirinto metafísico: Porque existimos? Os que crêem tanto na razão, devem no mínimo saber que existimos por “alguma” razão. Uma razão fora da nossa existência, e é essa “razão”, que os que crêem chamam de Deus, portanto a pergunta que eu tenho em mente agora é: Será que Deus acredita em mim?
Essa pergunta, depende diretamente da minha resposta à outra pergunta: Será que eu acredito em Deus? Bem, se eu acredito em Deus, então não vou viver uma vida mentirosa e farsante, vou me submeter aos valores claros expressos na Palavra de Deus para normatizar minha vida e portanto, Deus terá fé em mim também, pois vivendo de maneira bíblica poderei ser uma semente de esperança para um mundo colapsado. Isso é buscar uma razão superior a você mesmo, isso é viver pela fé.
Já, se eu não acreditar em Deus, (não me refiro aqui a uma energia cósmica e pulsante, impessoal e imperceptível pela racionalidade, pois isso não é Deus, mas uma idéia de Deus) então viverei a minha vida acreditando em mim mesmo, e na minha capacidade de ser quem eu sou, determinando a minha vida com valores e idéias que “creio” estarem certas, sem seguir nenhum parâmetro ou ordem moral acima de mim mesmo. Fazendo do meu "eu" o próprio deus, e o problema é que eu não me garanto!
Assim é o mundo que vivemos hoje, este é o mundo sem Deus, e o século do Anticristo, esse é o mundo chato dos racionalistas e ateus. Esse é o mundo cruel dos homens que se fazem deuses de si mesmos. Eu já fiz a minha escolha: Creio em Deus, e espero que Deus também creia em mim! E você, Deus acredita em você?

13 de jan de 2011

Que Deus abençoe o Rio de Janeiro e Dilma Rousseff. Sem Ele, nada podemos fazer!

Na primeira semana de mandato da recém eleita presidente da república, Dilma Rousseff, ela ordenou tirar os dois maiores símbolos cristãos do gabinete presidencial. Haviam ali um crucifixo e uma bíblia, ambos mantidos nos anos de administração de Lula e de presidentes anteriores.
Esse gesto sofreu várias interpretações da mídia, mas algo ficou pontuado, depois de sofrer um ataque ferrenho por parte da ala religiosa politizada, ela deixou claro que não permitirá qualquer ingerência dos princípios cristãos ou bíblicos em seu mandato. Talvez seu senso religioso tenha ficado abalado depois de ser considerada ateia, e ela mesmo admitiu em 2007, em uma entrevista a Folha de São Paulo, andar meio descrente. Com esse ato de retirar os símbolos cristãos, Dilma também deixou claro que o estado é laico, assim como a Constituição Brasileira afirma.
Apesar do estado ser laico, e a nossa atual presidente não permitir a “intervenção de Deus” em seu governo, o povo brasileiro é um povo religioso e em sua grande parte aceita os princípios cristãos como necessários para a vida social. É por isso que em terras tupiniquins, nenhuma religião é rejeitada, e todas elas convivem sem problemas. sejam judeus e muçulmanos, católicos e evangélicos, espíritas e budistas, etc.
No primeiro mês de mandato e em sua primeira viagem oficial fora de Brasília, Dilma Rousseff, teve que lidar com o maior desastre climático na história do Brasil. O Rio de Janeiro (do seu pupilo Sérgio Cabral), foi o estado mais devastado das últimas chuvas que açoitaram o Brasil. 
Por mais que a mídia procure culpados, eles não existem. Esse clima é fruto de décadas e décadas de abusos com a natureza e uma boa dose de descaso das autoridades públicas e da população. Hoje só nos resta ajudar os desabrigados e atingidos, e “orar” pedindo as bençãos do Senhor sobre nossa nação e sobre a nossa presidente, que se demonstrou incapaz de mudar o quadro que a região serrana do Rio se encontra.
Dilma, por mais que esteja chateada com a igreja e os cristãos, precisa aprender que um bom governo não depende apenas de uma boa administração e de bons ministros, mas de uma grande dose da ajuda daquele Deus que escreveu a Bíblia que ela mandou retirar do seu gabinete, e é nestas horas de dor e pesar que a leitura dela torna-se indispensável. Que Deus abençoe o Brasil, o Rio de Janeiro e Dilma Rousseff. Sem Ele, nada podemos fazer! (Jo 15:5).

SOS Rio de Janeiro.

      Infelizmente e novamente, vemos os últimos acontecimentos com pesar. A mídia procura um culpado, como a chuva, o governo, o acúmulo de lixo, mas a verdade do que vemos é um fato de proporções mundiais. No Rio de Janeiro, São Paulo, Austrália, e em vários outros lugares, a fúria da natureza e o descaso de todos com ela, já é uma marca tangível de nossa geração. Agora só nos resta reeducar nossos filhos e netos, e investir em políticas públicas que mudem a mentalidade das próximas gerações para que não vivam este mesmo dilema.
       Além de lamentar a perda de muitas vítimas, podemos ajudar naquilo que formos capazes. Postei algumas dicas de como podemos ajudar as vítimas do Rio de Janeiro.

 - O Programa de Voluntariado Viva Rio também disponibiliza uma conta corrente para doações (Banco do Brasil, agência 1769-8, conta-corrente 411396-9 e CNPJ: 00343941/0001-28).

 - Estabelecimentos particulares do estado fluminense também estão arrecadando doações para as vítimas. O grupo de supermercados Pão de Açúcar montou postos em todas as 100 lojas da rede. Os interessasos podem se dirigir aos estabelecimentos Pão de Açúcar, ABC Compre Bem, Sendas, Extra Supermercados e Assaí. Também é possível fazer doações na sede do Viva Rio (Rua do Russel, 76 - Glória).

 - As doações podem ser entregues na sede da Cruz Vermelha de São Paulo, que fica na avenida Moreira Guimarães, 699 - Indianópolis (próximo ao aerporto de Congonhas), das 8h às 18h. Mais informações no telefone (11) 5056-8667 ou pelo e-mail voluntariado@cvbsp.org.br

10 de jan de 2011

CRISTOFOBIA - Uma nova doença.

Como teólogo cristão, tenho encontrado certa dificuldade para falar sobre Jesus Cristo em alguns meios sociais. Claramente vejo pessoas se sentindo incomodadas quando testemunho de minha fé em Cristo, ou falo da vida dentro da igreja. Em algumas palestras ou reuniões acadêmicas que envolvem diferentes linhas de raciocínio ou fé, sinto-me veementemente atacado por aqueles que dizem serem “liberais”.
Grupos gays, ateus, e toda sorte de movimentos modernos são fortemente cristofóbicos. Eles rejeitam qualquer idéia sobre Jesus Cristo no meio deles. Uma discriminação clara contra a expressão da fé cristã e do seu Cristo.
No EUA, um forte movimento cristofóbico tem tomado a cabeça dos jovens e de outros grupos sociais, gerando inclusive frentes sociais e eventos que rejeitam a expressão cristã em qualquer instância. Se isso acontecesse contra outros grupos, as pessoas chamariam de intolerância, mas contra cristãos ou Jesus, isso parece não surtir efeito negativo.
Jesus predisse essa perseguição (Jo 15:20), e sabemos que a expressão da fé em um único Deus que não se molda a vontade humana gera inconformidade com o humanismo e o existencialismo moderno. Vivemos em um mundo, onde o homem se coloca como um deus, e qualquer divisão nesta ordem acaba em protesto, ódio social e perseguição.
Continuarei falando do meu Cristo e da minha fé, pregarei os valores que acredito e que estão pautados nas Escrituras. Quanto a perseguição e os perseguidores..., não os culpo em nada, afinal um dia já estive do outro lado, mas hoje penso como o Apóstolo Paulo, o maior perseguidor da igreja do primeiro século, que escreveu: “A mim, que dantes fui blasfemo, e perseguidor, e injurioso; mas alcancei misericórdia, porque o fiz ignorantemente, na incredulidade”. (1Timóteo 1:13)

9 de jan de 2011

Qual deve ser o salário de um Pastor?

Ainda existe grande tensão ao assunto relacionado sobre a remuneração da atividade pastoral. Ser pastor é uma profissão ou não? Um sacerdote possui uma vocação, ou a profissionalização é real e o reconhecimento da profissão, imprescindível? Como devemos classificar o salário dos pastores hoje em dia?
Ao consultar a carta de Paulo à igreja de Éfeso, ele declara o seguinte: Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo. Por isso diz: Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, E deu dons aos homens. E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. (Ef 4:11-15)
Esta passagem é regularmente usada para identificar o desenvolvimento e crescimento correto dos membros da Igreja (Corpo de Cristo). Existem pelo menos cinco funções diferentes que precisam ser exercidas diretamente pela liderança eclesiástica: A pastoral, evangelística, profética, apostólica e a pedagógica. Estas cinco funções foram exercidas por Jesus Cristo na condução e no estabelecimento da Igreja na terra e posteriormente pelos apóstolos. Jesus instituiu estas funções na igreja para o “aperfeiçoamento dos santos”. Isto é, Cristo capacita sobrenaturalmente “certas pessoas” para exercerem funções específicas para toda a igreja, funções estas também chamadas de “dons”. Estes homens ou mulheres, são os vocacionados ao ministério para tempo integral, isto é, precisam se dedicar totalmente aquele trabalho para o desenvolvimento mais adequado da igreja. Entre estes estão apóstolos, pastores, professores (teólogos) e bispos em sua grande maioria, que administram igrejas, congregações e até denominações inteiras.
É preciso notar que essa passagem não visa gerar nenhuma ordem eclesiástica de cargos, nem torna um mais importante que o outro, mas o fato é que certos membros vão ter uma responsabilidade maior no desenvolvimento do Corpo de Cristo. Portanto existem pessoas vocacionadas “na” e “para” a igreja, que precisam ser assistidas em suas necessidades pessoais e sociais. Não podemos ser injustos com os líderes que exercem bem sua função e por falta de cuidado ou dinheiro, precisam ocupar-se com outras coisas que não dizem respeito, diretamente à sua vocação. Paulo era um fazedor de tendas, como Áquila e Priscila (At 18:3), mas essa função só foi exercida porque Paulo não queria ser um peso financeiro enquanto morava na casa de Áquila e Priscila (At 18:5).
Toda igreja precisa e deve honrar e cuidar de líderes que sejam idôneos e aptos para desenvolver o caráter e o aperfeiçoamento espiritual dos membros da igreja do Senhor. Portanto, o salário não profissionaliza, apenas reconhece a vocação pastoral ou qualquer outra função ou dom que seja necessário para a igreja.
Paulo sabia que a religião era um mercado lucrativo (1Tm 6:6) e era necessário sempre cautela e cuidado com assuntos financeiros, mas isso jamais impediu a igreja de abençoar seus líderes (Fp 4:16), Paulo foi ajudado muitas vezes pela igreja e ele mesmo acreditava que isso era um mérito diante de Deus para a igreja, e não um peso (Fp 4:17).
Quanto ao valor do salário, é preciso ser coerente. O salário deve ser de acordo com a capacidade entre a condição que a igreja oferece e aquilo que o líder necessita para prover as necessidades de sua família dentro do ambiente em que está inserido socialmente. Esse valor deve ser sempre decidido por uma junta de pessoas comprometidas com o trabalho da igreja e em concordância com o líder local. Jamais um pastor ou líder pode ser pesado para igreja e jamais a igreja pode negligenciar as necessidades e possibilidades de seu líder. A vida cristã deve sempre ser uma “vida piedosa” (sem ostentação). Esse equilíbrio deve ser a base para formular o salário do líder local. Saúde, alimentação, moradia, transporte e investimento nos estudos, não devem ser considerados “itens de luxo”, mas necessários para que o líder possa formular um trabalho mais adequado. Como o escritor de Hebreus afirmou:

Eles (os líderes) cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Orem por nós. Estamos certos de que temos consciência limpa, e desejamos viver de maneira honrosa em tudo. (Hb 13: 17-18)

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SAIR DA IGREJA LOCAL OU LUTAR POR ELA?

Há uma grande realidade acontecendo todos os domingos em milhares de igrejas no Brasil e quiça no mundo. Pessoas estão saindo de um mini...