REDENÇÃO DO PRIMOGÊNITO: Pidyon haben - פדיון הבן

Este é o nome dado ao ritual onde o pai judeu redimi seu filho primogênito, nascido de parto natural, pagando cinco shekelim (espécie de moedas de prata) ao Cohem (dirigente litúrgico da sinagoga). E geralmente é feito no trigésimo primeiro dia (31) depois do nascimento do menino.
A tradição judaica explica que os primogênitos dos filhos de Israel foram escolhidos para o sacerdócio pelo Criador, devido ao fato de terem sido poupados da última das 10 pragas do Egito. No entanto, quando os israelitas pecaram ao sacrificar ao bezerro de ouro, os sacerdotes assumiram o dever do sacerdócio. Este rito foi então instituído como forma de resgatar o filho mais velho desta obrigação ao sacerdócio.
O Primogênito é o primeiro filho e o primeiro entre os irmãos. Jesus foi o primogênito de Maria (Mt. 1:24-25). Jesus teve quatro irmãos, fora as irmãs (Mt. 13:55-56). A linhagem de um homem era contada pelo primogênito, por isso que a força de um homem estava no primogênito (Dt. 21:15-17). Se morria o primogênito, estava cortada a linhagem e a força do tal homem. O valor dos primogênitos vinha do Eterno. O povo de Israel foi chamado por Jeová de filho primogênito (Ex. 4:22), e o preço pago para resgatá-los era de cinco ciclos de prata (Nm. 3:46-47).
O Deus Bíblico nunca pediu o sacrifício de crianças, mas era necessário que os primogênitos dedicassem sua vida ao serviço do Templo. O pagamento das cinco “shekelim” devolvia o direito aos pais de terem seus filhos integralmente à eles. A primogenitura é um direto de herança. O primogênito de acordo com a tradição judaica é aquele que possui um direito exclusivo de herança.
Sobre o primogênito está delegada uma autoridade superior. Jacó relata isso de Rúben: “Rúben, você é meu primogênito, minha força, o primeiro sinal do meu vigor, superior em honra, superior em poder.” Gn 49:3
O desejo que Deus nutre pelo primogênito mostra que é uma posição de benção, de graça, divina. Ser um primogênito significa carregar uma marca única. Por isso sabemos que: 
* Todo primogênito era consagrado ao Senhor – Nm 3:13
* Todo primogênito tinha uma porção dobrada – Dt 21:17
* A tradição dizia que todo o primogênito na ausência do Pai era o sacerdote da família.
* Todo primogênito tinha um valor diante de Deus – Nm 3:40-41 (Lc 2:22-24)
O Senhor Deus, nos delegou o direito de sermos considerados os primogênitos juntamente com Cristo, mas por falta de sabedoria e entendimento estamos abrindo mão do nosso direito da primogenitura em detrimento de um momento de necessidade passageira. Podemos sim perder esta benção da primogenitura quando nos detemos em uma situação de carnalidade e banalizamos as coisas de Deus em detrimento das coisas temporárias, como foi com Esaú e Absalão. E isso nos custará muito mais caro do que apenas 5 “shekelim”.

BENÇÃO SACERDOTAL: Birkat Kohanim - ברכת כהנים

A benção sacerdotal é a famosa oração judaica, também conhecida como benção Aarônica recitada em alguns trabalhos da sinagoga. Uma das traduções para este termo também pode ser: “estender as mãos”. É uma oração de bem-aventurança e felicidade especial para os filhos de Israel. Eis a oração baseada em Nm 6:24-26:
O Senhor te abençoe e te guarde
 - יְבָרֶכְךָ יְהוָה, וְיִשְׁמְרֶךָ  
O Senhor faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti 
- יָאֵר יְהוָה פָּנָיו אֵלֶיךָ, וִיחֻנֶּךָּ
O Senhor sobre ti levante o rosto e te dê a paz 
- יִשָּׂא יְהוָה פָּנָיו אֵלֶיךָ, וְיָשֵׂם לְךָ שָׁלוֹם 
De acordo com a tradição judaica, a benção sacerdotal  possui três frases e por isso promove uma benção tripla. A bênção sacerdotal é também o texto bíblico mais antigo encontrado em peças arqueológicas. Pêndulos da sorte e camafeus com as três frases inscritas foram encontradas em sepulturas no vale de Hinom, fora da cidade velha de Jerusalém. Todos os dias pela manhã essa benção é recitada nas sinagogas de Jerusalém pelos sacerdotes (kohanim), fora de Israel, ela é recitada somente em datas festivas.
O sacerdote é igual a todos os homens, porém, possui uma responsabilidade sobre os seus ombros; ser um canal, um instrumento de benção divina sobre a vida dos demais. Por isso a “Birkat Kohanim” ao ser recitado diante da comunidade mostra a apreciação que nutrimos pelas dádivas de Deus no nosso cotidiano.
De acordo com a tradição judaica, quando somos abençoados, somos nutridos de um poder benéfico que nos faz jorrar, brotar e fluir paz e felicidade, por isso, esta benção nos delega também autoridade para abençoar outros.
Quando abençoamos outras pessoas revelamos as qualidades da compaixão, da misericórdia, do amor, da bondade e tantas outras virtudes dignas.
Só podemos abençoar quando somos capazes de receber a benção, e só podemos receber a benção quando somos capazes de reconhecer um Deus abençoador.
Portanto a benção sacerdotal nos leva para uma dimensão de vida de dependência e reconhecimento do cuidado de Deus sobre nós, para um estado de gratidão que provém desta ação da Graça Divina, a “Birkat Kohanim”.

SANTO: Kadosh (קדוש)

Segundo a tradição rabínica, o tempo não é um espaço contínuo, mas possui um sentido diversificado. Não há duas horas iguais, cada hora é única e exclusiva. Esse sentido mítico do tempo torna-o santo. Portanto a primeira coisa, o primeiro objeto que Deus santificou, não foi uma pedra, montanha ou altar, mas foi um dia, um tempo, o “Shabat” é esse tempo separado para dar a importância e a atenção devida ao Todo Poderoso. 
A idéia primordial do Shabat é sair da tirania do tempo cronológico. Seis dias por semana vivemos debaixo da ordem dos horários e datas, mas no Shabat partilhamos do eterno, do espiritual. No Shabat, o judeu cessa o temporal e se dedica ao descanso no Deus Criador de toda a terra.
O termo Kadosh é usado mais de 600 vezes no AT. Mas esta foi a primeira vez que a palavra Kadosh (santo) foi usada: “E abençoou Deus o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Deus criara e fizera.” (Gn 2:3). Isso torna o tempo distinto, pois é a única coisa em toda a criação que Deus dota com a qualidade da santidade. Este versículo é significativo porque Deus não criou um lugar sagrado, depois de haver criado tudo. Ele estabeleceu Sua Santidade no tempo. Quando a história começou havia apenas uma coisa sagrada no mundo criado, o tempo, o sábado, o que vem primeiro e antes de tudo.
Portanto, a essência da palavra Kadosh (santo) significa separação, distinção. Aqui precisamos destacar que a palavra separação ou distinção não significa afastamento ou ruptura das coisas, mas elevação e superioridade. 
Quando Deus nos convida para a santidade (Lv 19:2), Ele espera de nós o papel que nos foi encarregado sobre a criação, sermos seres superiores, sairmos da média comum estabelecida pelos sistemas sociais imperfeitos. Ser santo, é estar acima das linhas que nivelam a maioria, é tornar-se um exemplo, um guia, uma referência do Carácter Santo de Deus na terra. É sair do temporal e mergulhar no eterno.
Por isso, quando Deus nos convida a ser kadosh, precisamos olhar para as qualidades Dele, e seguir copiando tudo que Deus faz que o torna Kadosh. Se Deus ama, precisamos desenvolver nosso amor, se Deus é criativo, precisamos desenvolver nossa criatividade, e assim por diante. É a Santidade em Deus que nos inspira para andar em santidade de vida. Santidade não é um alvo à alcançar, mas uma forma  de como se  deve viver, e por isso o apóstolo Pedro quando escreveu sobre a santidade, começou com um verbo imperativo: “Sede Santos, como Eu Sou Santo” (1Pe 1:16).
Termino com as palavras do rabino Abraham J. Heschel, que diz: “Santidade não é um estágio espiritual que desejamos atingir, mas um estilo de vida que nutrimos todos os dias, pensando, sentindo e agindo de modo compatível com os princípios divinos.”

IMERSÃO ou BATISMO: tevilah (טְבִילָה)

O ritual judaico da imersão na água foi praticado por muitos séculos antes do inicio do  ministério de Jesus. Segundo a tradição, este rito proporciona a purificação, consagração e santidade para o povo judeu. No judaísmo o conceito de pureza e impureza não tem sentido pejorativo, é somente um estado espiritual no qual a pessoa se encontra. E portanto a imersão nas águas, era um rito de limpeza cerimonial. 
Os rabinos entendiam que o “tevilah” era uma imersão ritual de limpeza e purificação. Nessa imersão, o novo membro da comunidade, tinha seu passado e seus pecados apagados. Os rabinos se valiam do exemplo do Egito em que o povo de Israel viveu. Ao saírem e passarem pelas águas, houve uma separação completa das práticas passadas, da idolatria e das impurezas habituais, era uma transição de um estado de morte espiritual (nenhuma relação com o verdadeiro Deus), para um estado de vida espiritual (aceitação no Templo diante de Deus). De acordo com a tradição judaica, sem o batismo, era impossível alguém cerimonialmente impuro se apresentar diante do Eterno. Neste sentido o batismo era praticado todos os dias pelos judeu mais piedosos.
Mas a grande diferença entre o batismo judeu e o batismo cristão, é que no batismo cristão, a maior preocupação não estava na pureza cerimonial do corpo. No início dos Evangelhos, encontramos o ministério de João “o imersor” (Batista), que pregava batismo de arrependimento (Mt 3:1-6), conscientizando o povo à voltar-se para Deus. O batismo de João, tornava-se um recomeço, uma nova realidade de consciência e consagração à Deus. Nos Evangelhos, este batismo é chamado de batismo de arrependimento (Mc 1:4).
O batismo cristão não envolvia apenas o reconhecimento do erro, mas o desejo de acertar e agradar o Senhor. Assim, vemos que Jesus, mesmo sem pecado, foi e batizou-se no Jordão (Mc 1:9), pois o rito envolvia essa consagração ao Eterno. Na grande comissão (Mt 28:19), Jesus não ordenou aos discípulos, apenas o discipulado das nações, mas também a consagração daqueles que eram acrescentados ao Corpo de Cristo, isto é, a sua Igreja. Neste sentido, o tevillah ou batismo torna-se uma expressão pública da fé em Jesus Cristo e na sua obra redentora. Por isso o Novo Testamento refere-se ao batismo como o ato representativo da nossa união e identificação com o Salvador (Mc 16:16). Não é um mero assentimento intelectual, nem um rito cerimonial, mas uma mudança real de carácter. E por isso, o batismo torna-se a admissão ao Corpo de Cristo, pois ele introduz o convertido à um novo estilo de vida.