O ATIRADOR DA ESCOLA NO RIO - SINAIS DE UMA SOCIEDADE ENFERMA!

A cada ano que passa, vemos a sociedade tornando-se vítima de indivíduos doentes e mentalmente abalados, quando nos deparamos com situações como a que ocorreu no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (7) de Abril.

Um homem armado entrou na escola municipal Tarso da Silveira, em Realengo, e fez inúmeros disparos contra alunos e professores causando desespero e pânico geral. Segundo consta em relatos da internet, posteriormente aos disparos, ele teria se matado com um tiro na cabeça ou ainda teria sido alvejado por policiais. Relatos policiais, dão pelo menos duas versões para a causa de tamanha violência. Ou ele era um ex-aluno da escola, ou era o pai de uma aluna que sofria de bullying.

As chamadas “doenças estruturais” são geralmente ignoradas pela maioria na sociedade. São doenças como, a perda de valores morais, o racismo cultural ou ético, ou qualquer outra forma de desvalorização humana. Há uma síndrome dessas doenças correndo nas veias sociais em larga escala, que não respeita nenhum limite econômico ou educacional. Isso acontece em vários países, e alimentamos a falsa idéia de que não chegará à nós, até o dia em que acontece. O que leva um rapaz, de 25 a 30 anos, cometer um ato tão cruel e insensato como esse? Precisamos nos perguntar, e a resposta parece clara: A sociedade em que vivemos gera isso!

Nossa sociedade está plantando aquilo que está colhendo! É óbvio que isso não responde tudo, mas quero avaliar com clareza alguns pontos. Somos vítimas de nosso próprio descaso moral e ético. Acreditamos que a abertura para novos valores morais e éticos como aborto, homossexualidade, sexo precoce, drogas, não alteram os procedimentos psicossociais, mas estamos enganados. 

A moral de um criminoso não é diferente da de um empresário ambicioso, do funcionário público que se usa do estado para subir cada vez mais na carreira, do político que age em causa própria e não em favor do bem comum. Alguns indivíduos, como esse da escola de Realengo, expõe seus conflitos éticos, do seu tempo e de todos os tempos, através do ato extremo de matar. Num determinado momento, esse indivíduo oprimido se transforma em opressor, e mata com requintes de crueldade, gritando “algo” para a sociedade. 

A satisfação de um doente social, é que o outro não tenha prazer de nenhum modo, seu desejo é impedir que o outro exista e que possa viver e ser livre. E por isso ele mata, mata por satisfação, mata para se ver livre da alegria do outro que vive, mata crianças que simbolizam a esperança de uma “sociedade melhor”, pelo menos teoricamente.

Poder, orgulho, opressão, revelam ainda um estágio imaturo da raça humana, um estágio animalesco que tende a extinção. Esse atirador da escola é apenas um sinal de que nossa sociedade está muito doente, e não serão novos valores que irão libertá-la, mas o ajuste da boa moralidade, do ideal humano-divino de Cristo. Só esse “ideal” poderá salvar o Brasil e o Mundo.

UM CRISTÃO PODE SER CREMADO?

Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão, até que volte à terra, visto que dela foi tirado; porque você é pó e ao pó voltará". (Gn 3:19)
Um corpo usualmente vestido, mas sem nenhuma jóia, desliza dentro de um forno de tijolos em linha, semelhante ao forno de pães. O gás e o óleo do forno são aquecidos ate cerca de 1.700 graus, muito embora o que permanece no forno seja chamado de cinzas, na verdade são fragmentos de ossos. Esses ossos são colocados em um recipiente para resfriamento. Próteses e coroas dentárias, entre outras coisas, são removidos e todo o processo dura cerca de 3 horas. O resultado fica reduzido a aproximadamente 3 Kg. de fragmentos que cabem em uma caixa de sapatos. Este é todo o processo de cremação. A palavra cremação deriva do verbo latino “cremare”, seu significado retrata a “ação de queimar” ou “consumir pelo fogo”. A cremação é o ato de queimar um cadáver até reduzi-lo as cinzas.
A forma como tratamos nossos mortos, parece ser mais uma questão cultural do que religiosa. “Parece” não existirem comandos bíblicos específicos e literais sobre a cremação de mortos na Bíblia. Sabemos que na maioria das culturas vigentes na Bíblia, era bastante comum os corpos serem colocados em tumbas, cavernas ou enterrados no solo, isto é, o sepultamento era a prática mais comum, mas não a única forma praticada para se dispor de um corpo. 
A cremação também é uma prática antiga. Historiadores afirmam que no inicio da era cristã, o paganismo se utilizou desta prática para contradizer a idéia cristã da ressurreição do corpo. Não podemos esquecer que muitos cristãos foram queimados por ordem de César na igreja primitiva. E que o mundo romano foi iluminado com cristãos pregados em cruzes, ou transformados em tochas vivas. A própria Igreja de Roma queimou, na estaca, milhares de pessoas (cristãos bíblicos e judeus) classificadas como hereges. Estas mortes atestam a crueldade humana, mas não limitam a ação do poder de Deus.
Apesar de alguns considerarem que esta prática deva ser discernida conforme a liberdade cristã ou pela escolha da família, um estudo mais acurado na bíblia, nos mostra coisas curiosas e interessantes sobre o assunto. José é um destes casos especiais, vejamos; O corpo de José foi mantido por mais de 400 anos no Egito, e então transportado por 40 anos para ser sepultado na terra prometida. Vemos isso em Gn 50:24-25 e Êx 13:19, além de Josué 24:32. Os israelitas poderiam simplesmente terem cremado e transportado seu corpo em um recipiente, mas quiseram-lhe dar um sepultamento digno. O sepultamento parece ser a prática cristã constante, pois ele simboliza e tipifica a nossa esperança na doutrina da ressurreição. Outros exemplos disso são:
* Abraão foi sepultado (Gênesis 25:8-10)
* Sara foi sepultado (Gênesis 23:1-4)
* Raquel foi sepultado (Gênesis 35:19-20)
* Isaque foi sepultado (Gênesis 35:29)
* Jacó foi sepultado (Gênesis 49:33; 50:1-13)
* Jose foi sepultado (Gênesis 50:26)
* Josué foi sepultado (Josué 24:29-30)
* Eleazar foi sepultado (Josué 24:33)
* Samuel foi sepultado (I Samuel 25:1)
* Davi foi sepultado (I Reis 2:10)
* João Batista foi sepultado (Mateus 14:10-12)
* Ananias e Safira foram sepultados (Atos 5:5-10)
* Estevão foi sepultado (Atos 8:2)
* Jesus foi sepultado (Jo 19: 38-42)
O próprio Senhor Deus parece concordar com o sepultamento, pelo menos isto está implícito neste texto de Deuteronômio: “Assim morreu ali Moises, servo do SENHOR, na terra de Moabe, conforme a Palavra do Senhor. E o sepultou num vale, na terra de Moabe, em frente de Bete-Peor; e ninguém soube ate hoje o lugar de sua sepultura.” (Dt 34:5-6).
A tradição judaica prevaleceu no cristianismo no que concerne ao assunto sobre, o quê fazer com os mortos? Aceitavam o ensino de que o corpo do cristão é o Templo do Espírito Santo e, como tal, deveria ser respeitosamente enterrado e devidamente honrado (I Cor. 3:16 e 6:19). Muitos cristãos primitivos sepultaram seus mortos num mesmo lugar, e deram a esse lugar o título de cemitério, cujo significado é “dormitório” (Mt. 27:52). O fato é que cremados ou enterrados, nada disso poderá impedir o arrebatamento do cristão (I Co 15; I Ts 4.16-17), pois todas as cinzas voltarão à vida (Ap 20.13). Como um ato criativo de Deus. Mas se puder opinar, creio que o sepultamento, seja ainda a forma mais “coerente” de tratar nossos mortos.
"Não fiquem admirados com isto, pois está chegando a hora em que todos os que estiverem nos túmulos ouvirão a sua voz” (Jo 5:28)

O "RACISMO" EVANGÉLICO E O AMOR DE DEUS.

Demócrito de Abdera, filósofo contemporâneo de Sócrates, dizia que: “quando buscamos prejudicar nossos inimigos, esquecemos de nosso próprio interesse”. Cada vez mais, atitudes racistas são recorrentes entre os evangélicos. Principalmente entre a classe política de nosso país, e lideranças de várias denominações, que deixam publicamente claras suas opiniões sobre assuntos como homossexualidade, raças e etnias denominadas satânicas, e até mesmo religiões ou crenças diferentes.
O que nos deixa profundamente tristes, é que as opiniões explicitadas pela mídia parecem tornar generalizada a opinião de todos os evangélicos, mas isso não é verdade. Nenhuma classe ou denominação pode responder interinamente. Afinal estamos unidos numa mesma fé, mas não em uma mesma ética. Isso ainda é um celeuma no meio cristão. A postura adotada por algumas denominações ou lideranças não reflete a opinião “evangélica” nacional.
É claro que estamos recorrendo no erro de “estereotipar”, classes, etnias e práticas, com nossas declarações superficiais, e estamos incorrendo em um erro gravíssimo para a conduta cristã: o preconceito. Sutilmente vamos absorvendo essa cultura de discriminação em nosso meio. Consideramos o “pobre” inferior, o “negro” inferior, o “gay” inferior, o “deficiente” inferior, e assim por diante. Não entendemos os mecanismos racistas de nossa sociedade e ao declarar a inferioridade, aceitamos inconscientemente ou não a nossa “superioridade”, o inimigo ideológico máximo do Evangelho.
Jesus abominava o discurso farisaico, não porque o discurso estava errado, mas porque as pessoas que discursavam, eram tão necessitadas de Deus, quanto as que ouviam. E aqui faço minha a voz de Ariovaldo Ramos, que bem disse sobre a ética praticada nos rincões evangélicos:
  • A igreja ao invés de denunciar a desigualdade e injustiça social, propondo viver uma economia solidária, passou a pregar a teologia que sustentava a desigualdade, afirmando que a riqueza e o bem estar é o único alvo do crente.
  • Que a fé está atestada pelo nível financeiro de contribuição pela capacidade de arbitrar por decreto que Deus deve ou não fazer.
  • A igreja ao invés de denunciar a miséria e a dívida do Estado para com os excluídos sociais, passou a apontar a provável fé dos desgraçados como causa de estarem onde estão.
  • A igreja ao invés de socorrer os enfermos e prestar-lhes atenção e cuidados. Passou a apregoar uma cura instantânea desde que tenham um certo tipo de fé e façam parte de um determinado ministério.
  • A igreja ao invés de combater o racismo, passou a estigmatizar como maligno tudo que está relacionado com a cultura negra. Como se o demônio fosse e negro e tudo que é negro fosse demônio.
  • A igreja ao invés de pregar que a graça foi derramada abundantemente por meio de Cristo, passou a demandar ainda mais sacrifícios e doações constrangedoras, para que o fiel se tornasse apto para receber mais.
  • A igreja ao invés de pregar a espiritualidade do Cordeiro, promoveu a esquizofrenia do Leão, que tenta transformar o “ainda não” em “já”. Quando na verdade desse jeito o ”já” será “nunca”.
Concluo dizendo que a ética do Reino, não é só uma ética de valores contrários aos pregados pelo mundo, mas o seu fundamento é o amor. Todo discurso que exclui, não pode vir do trono da Graça, que é o lugar da “inclusão” por excelência. Não aceito e nem desejo nenhuma prática oriunda do mundo, mas os alvos da misericórdia de Deus continuam sendo as pessoas. 

Não atesto os valores pregados que são contrários ao Evangelho, mas não excluo do alvo de Deus, as pessoas que os praticam. O pecador sempre será o alvo da Graça, dos quais um dia cada um de nós também foi, continua sendo ou será! Toda mudança e transformação, vem sempre depois da experiência do Amor de Deus, nunca antes. Preguemos o amor Dele, e deixemos de lado nossa pretensa "superioridade". Quem assim age é racista, não evangélico!

A Ele toda a Glória!