26 de out de 2011

SUA FÉ LEVA JESUS A SÉRIO?


Estamos redondamente equivocados em relação a nossa vida cristã. Muitas pessoas estão confusas no exercício de sua fé. Acham difícil demais ser como Cristo era. Seguir Jesus na maioria das vezes nos parece uma utopia, um fardo pesadíssimo de ser carregado.
Muitas pessoas hoje encaram o cristianismo, mais como uma opção religiosa, do que um estilo de vida, afinal a grande maioria não consegue condensar os ensinos de Jesus no mundo de hoje, globalizado, capitalista e cruel.
Nossa impressão de Jesus, não reconhece a totalidade de sua vida. Somos tentados a enxergar Jesus como “o filho de Deus”, alguém que possuía algo especial, e que para ele tudo “era mais fácil”. Quando encaramos o Jesus dos evangelhos, somos levados a crer que Jesus era incrível. Por isso, para nós “simples mortais”, fazer o que Jesus fazia é algo utópico e impossível.
Mas a vida de Jesus era constituída de muita disciplina, de muito compromisso com a piedade e a espiritualidade autêntica. Para Jesus preparar-se era mais importante que fazer.
Quando vemos um craque jogar, queremos ser como ele, driblar como ele, e dominar a bola como ele. E geralmente quando entramos em campo, tentamos a todo custo copiar esse craque, mas existe uma diferença entre o craque e o admirador. O craque treina, faz dieta, academia, se controla, submete-se a duras horas de exercícios específicos, etc. O campeão é sempre aquele que melhor se prepara para prova.
Na vida espiritual não é diferente. Para ser como o Jesus dos holofotes, dos feitos incríveis, precisamos ser como Jesus em “toda” a sua vida. Queremos ter uma vida “normal” durante toda semana, com uma mentalidade mundana e completamente lógica, e quando nos reunimos na igreja queremos orar e simplesmente achar que vamos sair daqui prontos para amar nossos inimigos, caminhar outra milha, dar a outra face, etc. Isso não vai acontecer mesmo!
Por isso para a grande maioria o jugo de Cristo não é nada leve, e seu fardo nos parece pesadíssimo, pois só estamos dispostos a carregá-lo quando nos convém em certos momentos (quando entramos no jogo sem preparação), e geralmente não estamos prontos para encarar a totalidade de quem Jesus era. Por isso queremos seguir Jesus (o campeão) vivendo apenas como admiradores (platéia).
Essa é a razão porque o cristianismo do nosso discurso é tão diferente do cristianismo da nossa vida prática.

PORTANTO, LEVAR JESUS A SÉRIO É ENTENDER QUE...
Deus não isentou Jesus de uma vida de preparação. Durante toda a sua vida ele foi preparado para enfrentar aquilo que enfrentou. Alguns dizem que a bíblia não relata nada sobre a vida de Jesus dos 12 aos 18 anos (Lc 2:45) – ele estava sendo preparado.
Após receber o batismo, ficou 40 dias sendo preparado no deserto. Passava longos períodos em oração, as vezes noites inteiras, preparando-se antes de receber multidões para curá-los e ensiná-los. E queremos acreditar que basta uma oração e um culto dominical para fazermos aquilo que Jesus fazia? Precisamos estar preparados. Jesus afirmou isso:
Hoje buscamos atalhos na nossa vida cristã.
Diariamente vemos o sucesso que as mandingas evangélicas fazem no meio evangélico. Pra que orar se eu posso ter a rosa ungida que vai limpar a minha casa? Pra que jejuar se o evangelista vai fazer isso e basta apenas eu dar meu dízimo? Pra que me consagrar, se posso somente beber o copo de água de cima da teve já ungido pela oração do bispo? Vou decretar nas regiões celestiais, e pronto! Acreditamos que uma afirmação anula o esforço. Buscamos atalhos.
O amuleto da sorte é o maior símbolo da preguiça espiritual e da indiferença racional que o homem já inventou. Eu não preciso fazer nada, basta apenas ter o amuleto!
Por isso existe um monte de gente que acha que é profeta e apostolo, quando na verdade são meninos na fé, vivem superficialmente, experimentam lampejos de Jesus, e acreditam que estão aptos para serem como ele era. Mas todos, sem exceção, fugiram e abandonaram Jesus!
O que Jesus fazia publicamente nada mais era do que aquilo que ele vivia em sua intimidade com Deus. A grande diferença é que as vezes publicamente “parecemos” como Jesus, mas quando há pressão, nossa mascará cai. Já não conseguimos sustentar a nossa imagem, pois falta-nos a verdade, falta-nos vida íntima com Deus.
Transformamos Jesus num belo ideal teológico. O cristianismo está resumido a um grupo de pessoas com grandes boas intenções, mas a prática não sai da intencionalidade. Por isso dizemos seguimos a Cristo ideologicamente, mas a nossa prática nos distancia constantemente.
Acreditamos que a vida cristã é apenas crer nas coisas certas e pronto. Nossa compreensão de Graça geralmente nos passa a idéia de que nada precisamos fazer. A graça nos dá a condição para fazer, mas para nos envolvermos e aceitarmos a transformação que ela gera, precisamos dos mesmos exercícios e práticas espirituais de Jesus.
Muitas pessoas hoje acreditam que estão vivendo um “avivamento”, apenas por sentirem um arrepio ou possuírem uma revelação no momento do culto, mas isso não é avivamento. Apenas ajuntamento de gente sem mudança prática. O avivamento real muda a sociedade, muda a compreensão e os valores de mundo, família, meio ambiente, pobreza, justiça, etc.

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12 de out de 2011

PRA QUEM É O SEU CULTO? PRA DEUS OU PARA AS PESSOAS?


Hoje em dia a logística aplicada nas igrejas para o domingo é quase comparável as grande magazines dos shoppings. Tudo para receber melhor o “cliente”. Um esforço enorme é dispensado pela audiência da platéia, que precisa ser constantemente animada para continuar frequentando o ministério de “estimação”. Milhões são gastos em propaganda e marketing de pessoas, eventos e produtos, mas com qual finalidade? A quem querem agradar?
Sei que existem também pessoas dedicadas à outras pessoas. Que acreditam que servir a Deus é servir o outro. Que encontram no desabrigado, no louco, no viciado, no preso, no faminto e naquele que se prostitui, a possibilidade de serem alvos do amor de Deus e por isso pregam a Palavra que Salva. Ajudam naquilo que se envolvem e investem dinheiro para promover a vida e a dignidade naqueles que nada mais podem perder a não ser a eternidade longe de Deus. Gastam e se gastam, mas com outras finalidades e motivações.
Preciso falar dos cantores/levitas (termo usado erroneamente), que gostam de dizer que deixaram tudo de lado para servirem ao Senhor, mas exigem hotel de alto padrão, cachês altíssimos, e tratamento vip como se fossem celebridades. Ainda temos os pregadores que se valem de livros de auto-ajuda e chavões empresariais para decretar a vitória do povo que quer ganhar o mundo inteiro, mas que vão perdendo a própria alma, enquanto outros “ministros” parecem apresentadores de “stand-up comedy”,  tentando ganhar a simpatia do auditório e sendo animadores de gente infantilizada.
Mas existem também os verdadeiros adoradores, poetas de Deus, que profetizam as mazelas e o pecado em suas músicas, que não tem vergonha de viverem das ofertas de seu material, que conhecem o limite do bom senso e da equanimidade. Do pregadores que se valem da simplicidade da vida atrelada ao conhecimento bíblico, que pregam contra o pecado e a passividade espiritual como doenças crônicas do nosso tempo, contra a busca desenfreada pelo dinheiro e pelo sucesso. Ministros de Deus que nos ensinam como autênticos mestres, afirmando que nem tudo é demônio e pecado. Profundos conhecedores da verdade eterna que nos tornam mais adultos e sadios na alma, e que nos animam a continuar a jornada espiritual, apesar das dificuldades e obstáculos naturais e sobrenaturais.
Não falo de duas igrejas diferentes, mas de uma mesma igreja com pessoas diferentes. O joio e trigo crescem juntos. O bem e o mal andam de mãos dadas dentro dos templos. O fato é que existem dois tipos de igreja dentro da mesma Igreja! Aquele tipo de pessoa que cultua pessoas, e aquela pessoa que cultua Deus. A diferença está na razão pela qual cultuam e porque fazem o quê fazem! 
Aqueles que prestam seu culto para pessoas, são levados pelo orgulho, pela inveja, pela competição e pela idolatria à homens. A verdade e a sinceridade do que se é de fato, jamais são bem vindas para este tipo de gente, geralmente tomados pelo egocentrismo de seus corações e pelo desejo de uma vida terrena feliz e tranquila. A ambição, o misticismo exagerado, o tradicionalismo engessante, e a preocupação com a aparência de uma vida “certinha”, são alguns sinais claros de uma pessoa que vai contra o paradigma bíblico de conversão cristã.
Já as pessoas que cultuam a Deus, são bem diferentes. Há erros e arrependimentos, há o reconhecimento de suas imperfeições e limitações. Há provações de todo tipo. O seu discurso não é idealizado para agradar ninguém que não seja Deus, e mesmo que estes sejam líderes, reconhecem o seu papel de servos e dependentes de Deus, e sabem que a última palavra é sempre da Bíblia, nunca deles ou de homens. Essa turma já não pleiteia grandes coisas terrenas, pois o seu coração busca o que é celestial. Então ao entrar em nossas igrejas precisamos indagar esta pergunta a nós mesmos: Pra quem é o nosso culto hoje? Pra Deus ou para as pessoas?

10 de out de 2011

QUAL ERA A RELIGIÃO DE STEVE JOBS?


Jobs chegando no céu com
Pedro olhando em seu IPAD

Alguns símbolos representam uma era, e este é o caso da famosa “maçã mordida” da Apple. Steve Jobs, com sua maçã mudou o nosso jeito de viver o mundo, suas inovadoras invenções ditaram regras no mercado da tecnologia e na vida diuturna de milhões de pessoas. Como disse um jovem no twitter na semana da morte de Jobs, talvez depois da maça de Adão e Eva, e a de Isaac Newton, o símbolo da marca Apple, seja a maçã mais famosa de nosso tempo.
Houve muita especulação quanto a religião de Jobs, se ele era cristão, budista, ou mesmo ateu. Alguns chegaram a afirmar que um gênio como ele não se preocupava com assuntos ligados a religião. Acho difícil! Se ele era realmente alguém com um senso crítico tão exigente. Alguns sites americanos afirmam que ele chegou a usar métodos alternativos na cura do câncer de pâncreas. Portanto ele cria em algo, em uma possibilidade de sobrevivência, na esperança de atrasar o inevitável.
Cada religião tem sua própria teoria sobre o que acontece depois da morte. Judeus, católicos, cristãos, espíritas, cada um responde de acordo com suas convicções religiosas. Porém a morte é uma certeza inexorável e triste, não importa se você é um gênio mundialmente famoso, ou um morador de rua anônimo. Ela chega pra todo mundo de uma forma ou de outra.
A Apple e seus produtos são quase uma religião e Steve Jobs é o seu sumo sacerdote. A marca está atrelada a um estilo de consumidor que se torna um aficcionado depois que experimenta a excelência de seus dispositivos, sejam celulares, tablet’s ou computadores. Os fãs dos produtos Apple fizeram uma peregrinação nas lojas, trazendo maçãs e acendendo velas, deixando cartões de condolências. Não sei se Jobs acreditava em alguma religião organizada? O que sei é que ele era uma gênio da tecnologia e um líder com uma personalidade surpreendente. Ele acreditava no poder que o homem tem para mudar o mundo, mas isso não é suficiente para salvar a própria alma.
Jobs transformou o símbolo mitológico da queda (a maçã mordida) em um símbolo de progresso e eficiência tecnológica. Mas queda é queda, e o fruto proibido trouxe a morte ao mundo, que ceifou a vida de um visionário como Jobs. Podemos melhorar tudo o que somos, mas sem Deus não podemos mudar a nossa natureza. Seja gênio ou louco, todos precisam de Deus, algo que a tecnologia jamais poderá reproduzir.

5 de out de 2011

RAFINHA BASTOS, A LÍNGUA E O TIAGO DA BÍBLIA


A língua é um pequeno órgão. No entanto, concentra alta capacidade pasra abençoar ou maldizer. Com ela o homem é capaz de elevar ou destruir, trazer vida ou matar, agregar ou desagregar. No entanto, todos dependemos dela de uma ou outra forma.
Nas redes sociais, nenhum outro assunto foi tão comentado quanto as infelizes declarações do apresentador Rafinha Bastos, integrante do CQC, na rede Bandeirantes de televisão. Em uma enxurrada de declarações infelizes, ele vem sendo alvo de várias críticas e reflexões sobre o que diz em rede nacional.
O fato é que Rafinha Bastos se tornou vítima daquilo que Tiago expões no Novo Testamento, que a língua faz tropeçar. “Um pequeno membro que se gloria de grandes coisas” (Tg 3:5). 
O uso inadequado da língua fere sentimentos e emoções, a língua modela idéias, cria movimentos. É um instrumento, quando mau usado de intensa força e magnitude. Precisamos tomar cuidado com a língua e a linguagem, fruto direto do uso da língua. Comentários discriminatórios e preconceituosos geram forte repúdio social, e é isso que aconteceu com Rafinha Bastos, ele não é só culpado do que diz, mas a própria vítima do que diz, pois a sua língua o condenou, e não a sociedade como ele afirma!
A língua é capaz de realizar mudanças profundas em nossa vida e na vida de outras pessoas. As palavras são pequenas sílabas com poder destruidor que pode ser comparado com uma bomba atômica. O funcionamento da bomba atômica é similar. Composta com urânio, essa explosão de átomos é deflagrada a partir da fissão nuclear, um átomo que entra em fissão multiplica-se em dois, os dois em quatro até chegar em milhões de milhões causando todo o poder de destruição da bomba. Nossa língua tem o mesmo poder, nossas palavras podem abençoar ou amaldiçoar a vida de uma pessoa,  e destruir muitas coisas. O livro de provérbios também destaca: "A morte e a vida estão no pode da língua" (Pv 18.21), isto é, em nossas palavras há a capacidade de transformar  uma situação em positiva ou negativa. Retorno a Tiago: “A língua também é fogo, como mundo de iniquidade, a língua está posta entre os nossos membros, e contamina todo o corpo, e inflama o curso da natureza, e é inflamada pelo inferno” (Tg 3.6).
Aquele que é guiado pela concupiscência, quando alcança uma posição de destaque, os deslizes com as palavras e os erros conceituais são inevitáveis. Rafinha é vítima da fama e da irresponsabilidade no uso das palavras. Sua língua é o seu mentor. Ele fala e depois pensa, faz o uso inadequado da capacidade divina de ser responsável. Estão prontos a falar e tardios em ouvir. 

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COBERTURA ESPIRITUAL E APOSTOLADO MODERNO