A TEOLOGIA DA CEBOLA


Nem todo mundo gosta de cebola, mas todos conhecem uma cebola. Ela é cheia de camadas, e o seu sabor é único. Ela é meio feia por fora, estranha no formato, mas a medida que a despimos de suas camadas, ela fica com uma aparência muito bonita, branquinha, limpinha. Na cozinha, ao tirar essas camadas, na maioria das vezes, é choro na certa!

O rabino Nachaman de Breslov disse: “Nossa vida é como uma cebola, tiramos as cascas e sobram as lágrimas”. Lágrimas são os resultados da luta, cada camada é um nível. “Descebolar”a vida é compreender estes níveis de dificuldade e de luta, de adversidades e de posicionamento diante de tantas batalhas diárias.

Nunca conquistamos aquilo que nunca confrontamos. A vida nos ensina que não podemos queimar etapas. Se esconder da existência não resolve os problemas, é preciso “descebolar”!

Não é diferente na nossa compreensão a respeito de Deus! Deus não é auto-revelado, aliás é um Deus abscôndido, isto é, ora se mostra, ora se esconde. Deus é perceptível em camadas, em níveis de conhecimento, experiência, revelação e teologia. Não podemos totalizar Deus em nosso limitado conhecimento. Aliás, é o não conhecimento Dele, e as suas infinitas camadas que fazem-no Deus.

Por isso a medida que O descobrimos, sobram-nos as lágrimas, o choro, o saber que nas lutas Ele estava lá, imperceptível e soberano ao mesmo tempo. Senhor dos fatos e anônimo na existência, agindo pela mão de alguém, nas palavras do profeta, na expressão do belo, na face da criança, enfim, nas camadas da vida.

Eu quero descascar durante muito tempo essa cebola teológica e existencial, ainda que no fim o que me sobrem sejam lágrimas. Sei que valerá a pena! 

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