20 de set de 2013

UMA REFLEXÃO SOBRE O JUGO DESIGUAL


No meio evangélico o termo “jugo desigual”, geralmente se aplica ao casamento com alguém que não seja evangélico, ou em alguns casos mais fundamentalistas, que não seja da mesma denominação. Bem, o fato é que o princípio desta postura baseia-se em achar que não há jugo desigual entre os membros que professam a mesma fé, pois todos são “crentes” e estão debaixo das mesmas “doutrinas” ou regras. A má compreensão que aborda o tema geraram cabrestos, extremismos, controle asfixiante, emocional e religioso em muitas pessoas. Isto é aquilo que na teologia chamamos de doutrinas neurotizantes.

Vamos usar um texto bem conhecido da Bíblia:
Não se ponham em jugo desigual* com descrentes. Pois o que têm em comum a justiça e a maldade? Ou que comunhão pode ter a luz com as trevas? (2 Coríntios 6:14 - NVI)

Este texto não nos deixa claro a que tipo de relação o apóstolo encara como jugo desigual, e podemos incorrer nos seguintes erros: ou uma leitura superficial ou descuidada nos levará a pensar que ele trata de qualquer tipo de relação. Não obstante, não podemos esquecer o principio hermenêutico que diz: Texto, sem contexto é um pretexto para a heresia. Assim, precisamos analisar este texto a luz do seu contexto, que é tudo quanto há antes e depois do texto, podendo ser os versículos do mesmo capítulo ou o livro todo ou até mesmo toda a Bíblia. É por isso que se costuma dizer que as Escrituras são um todo coerente.

Vamos tomar mais um texto aos mesmos coríntios como contexto ou chave para entendermos a que tipo de relação o apóstolo Paulo reconhece como jugo desigual:

“Já lhes disse por carta que vocês não devem associar- se com pessoas imorais. Com isso não me refiro aos imorais deste mundo, nem aos avarentos, aos ladrões ou aos idólatras. Se assim fosse, vocês precisariam sair deste mundo. Mas agora estou lhes escrevendo que não devem associar- se com qualquer que, dizendo- se irmão, seja imoral, avarento, idólatra, caluniador, alcoólatra ou ladrão. Com tais pessoas vocês nem devem comer. Pois, como haveria eu de julgar os de fora da igreja? Não devem vocês julgar os que estão dentro? Deus julgará os de fora. “Expulsem esse perverso do meio de vocês”. (1Coríntios 5:9-13 - NVI)

De acordo com Paulo se não tivéssemos que ter nenhuma relação com não-cristãos deveríamos sair do mundo, visto que por estarmos no mundo nós sempre teremos contato com eles no trabalho, na escola, na universidade, na rua, na vizinhança, no lazer, etc. Então, com quem não devemos nos relacionar nestas áreas citadas? Com aquele que se dizendo cristão, é imoral, avarento, idolatra, maldizente, alcoólatra, ladrão, entre outras coisas, esta é a orientação paulina. Paulo deixa claro neste versículo que uma pessoa que não crê verdadeiramente em Deus, dificilmente poderá crer no princípio inalienável do amor como base de qualquer relação, seja ela, comercial, afetiva, moral, espiritual ou financeira. Viver com uma pessoa assim torna a vida uma prisão horrível. Paulo está falando aos crentes de crentes desonestos, de irmãos incrédulos, de falsos crentes. Ele não está se colocando como defensor de uniões evangélicas, mas de uniões verdadeiras e pautadas no vínculo do amor cristão.

Portanto quando o Apostólo Paulo fala de “jugo desigual com os incrédulos” (2Co 6:14), ele se refere à um espírito (um jeito de ser, de pensar). Paulo parece deixar bastante claro em outros textos e epístolas que é principalmente dentro da igreja que precisamos tomar o máximo cuidado com o jugo desigual pela sutileza com a qual essa possibilidade se apresenta. Vejamos mais um texto importante para análise:

Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente.” (1 Timóteo 5:8 - NVI)

Claramente Paulo expõe que não é o fazer ou não fazer parte de uma igreja que torna alguém crédulo ou incrédulo, mas o seu modo de pensar, agir, falar e construir suas relações em relação à Deus e ao próximo.  Com quem um verdadeiro cristão pode então ter uma relação saudável, autêntica? Com quem se deve casar, ou namorar?

Vamos elencar algumas considerações:
1. Não podemos simplesmente nos valer da postura ditatorial do “é proibido”, contudo sabemos que cada ato gera sua consequência. Seria ideal que cristãos se envolvessem com cristãos que tenham os mesmos valores e ideais bíblicos, mas vivemos na ambiência de diferentes culturas e percepções, e isso implica em riscos, em misturas, e quando há mistura, todo cuidado é necessário. Foi dentro desta perspectiva que Jesus orou dizendo: Não rogo que os tires do mundo, mas que os protejas do Maligno (Jo 17:15 - NVI). Aqui é necessário o uso do discernimento e bom senso. Pois em nosso tempo uma relação aparentemente confiável pode se transformar em um grande “abacaxi”. Quantos crentes estão se separando nos dias de hoje? São as mesmas estatísticas de não crentes. Quantas pessoas estão vindo para a igreja procurando encontrar pessoais confiáveis, éticas, e com valores morais adequados? Infelizmente, tanto na igreja, como fora dela encontraremos aventureiros, gente desnorteada e com espírito avesso aos princípios cristãos, enviados(as) do Maligno para desgraçar relações.

2. Outro problema é que hoje há um cerceamento principalmente entre os jovens nas igrejas, uma espécie de controle emocional além  daquele que a Bíblia permite entre um pastor/líder e sua ovelha, e que no fundo certas formalidades, ou aparências, ou opiniões, ou conveniências, ou ministérios, ou IBOPE eclesiástico, e os gostos familiares sirvam de pretexto para permitir ou não uma relação de namoro ou casamento, quando nossa postura deveria estar calcada na Bíblia Sagrada, que é o nosso guia, é a Palavra de Deus que ilumina todos os nossos caminhos. 

3. É preciso reconhecer que quando duas pessoas se casam, não podem se casar com total disparidade de espírito e consciência. O casamento não é uma aventura, nem um contrato que pode ser quebrado a qualquer instante, é a constituição de uma nova família, o projeto mais sagrado de Deus. Ninguém deve se prender a desníveis grotescos de vontades e desejos, pois isto jamais terminará em um caminho de harmonia entre as partes. Seja qual for o credo, a raça, a religião ou filosofia de vida. É preciso certas similaridades para desenvolver um casamento possível e responsável. As perguntas que os namorados devem responder no período de namoro são:
  1. Qual é o procedimento desta pessoa com seus pais, familiares, amigos?
  2. Tem ética, ainda que não seja um cristão professo, possui princípios dignos?
  3. Tenho confiança, em Deus, que a santidade da minha vida santificará este namoro e converterá meu conjugue?
  4. Sou capaz de inibir investidas sexuais fora da relação matrimonial? Sei manter o espaço adequado entre o sim e o não?
  5. Amo esta pessoa o suficiente para suportar o aperfeiçoamento de seu caráter?
Paulo exorta (ele dá um conselho em 2Co 6:14) aquele que é verdadeiramente crente à não se colocar em jugo desigual”.  Isto é, assim como tomar a ceia para o cristão é uma responsabilidade pessoal, se colocar em jugo com alguém que não vive os mesmos princípios também é. Seja um cristão professo ou não. Esta é uma decisão pessoal, não comunitária. Nenhuma relação de qualquer casal está aberta para o apreciamento de outros irmãos, o que acham ou deixam de achar, sobre isso ou aquilo nele ou nela. Quem está apto para julgar uma relação? Foi como bem colocou uma vez Robinson Cavalcanti, bispo anglicano num congresso de jovens, quando um rapaz lhe perguntou: “O que o senhor acha de um cristão namorar uma moça do mundo?” A resposta de Robinson foi ótima: “Parabéns por sua normalidade. Estaria preocupado se você estivesse namorando uma ET”.

Pra concluir, casamento é uma profissão de fé e amor, geralmente quando duas pessoas se amam verdadeiramente, o amor pode santificar a fé, é o que Paulo nos ensina quando diz: “Pois o marido descrente é santificado por meio da mulher, e a mulher descrente é santificada por meio do marido. Se assim não fosse, seus filhos seriam impuros, mas agora são santos” (1Co 7:14 - NVI)

Já o namoro é o espaço da avaliação de caráter, de procedimento, do jeito de ser de cada um. Casar com crente ou incrédulo não determinará o sucesso de um casamento, mas o fato de que aqueles que querem casar saibam que o amor deve ser a base de tudo entre eles, para alcançarem inclusive a unidade de uma fé perfeita no casamento. O justo também casa pela fé, porém a precondição para uma relação adequada é o amor.

BIBLIOGRAFIA (Matthew Henry’s Concise Commentary on the Whole Bible)
  • Jugo desigual: (ἑτεροζυγέω heterozugeō) significa levar uma canga diferente. A idéia aqui é colocar animais de naturezas diferentes para puxar o mesmo peso ou levar a mesma carga. Os comentaristas concluem que jugo desigual significa todo caminhar onde o amor não nivela a caminhada. Onde não há o princípio do amor (os dois serem mútuos ou “um”) será doloroso caminhar.
  • Todos os textos utilizados são da Nova Versão Internacional.

Bruno dos Santos pastor e teólogo da Igreja Apostólica Vida Nova.

19 de set de 2013

MUITO MAIS DO QUE RETETÉ - A IDOLATRIA DOS “MOVERES”


Acho preocupante a maneira como muitos cristãos lidam com aquilo que chamam de “manifestações do Espírito Santo”. Alguns, são tão dependentes destes “moveres”, que chegam a acreditar que Deus não está presente ou não age quando elas não acontecem. O que a Palavra de Deus afirma é que a maior evidência de que um indivíduo está cheio do Espírito, é quando manifesta em sua vida o caráter de Cristo e não quando sapateia, dança, grita ou rodopia. 

A igreja apostólica do primeiro século sabia que ter a plenitude do Espírito Santo é uma ordem de Deus e não o privilégio de alguns, segundo a Palavra, o Espírito habita em nós 24 horas, todos os dias da semana. Quem caminha em verdadeira comunhão com Deus, esse mover do Espírito e suas manifestações acontecem à todo tempo.

Quantos visitantes já foram à igrejas, onde estes moveres são frequentes e relataram terem visto lá o que viram em reuniões de umbanda e candomblé, com rituais, invocações, mantras, movimentos e danças? Sem falar das “bizarrices” como fogueira santa, sal grosso, banho de descarrego, toalha mágica, meias que abrem caminhos quando vestidas, unção da cola...e vai até onde a imaginação e a ignorância bíblica permitirem. Parece que a fé não é suficiente pra essas pessoas, é necessário sentir, ver, cheirar, provar, tocar. São sub-ídolos, por detrás da idolatria desses “moveres espirituais”.

Alguns destes idólatras chegam a dizer que o culto não foi completo, porque não houve nada demais, além da palavra, dos louvores e das orações. Esquecem que a fé é a certeza daquilo que ESPERAMOS e a prova das coisas que NÃO VEMOS.  Para Paulo andar no Espírito estava longe do reteté..., era preciso manifestar o seu fruto, constituído de amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio

Essa idolatria ao “mover” gera gente descontente e desconfiada dentro da igreja, faz mais feridos e iludidos, do que crentes de verdade firmados na Palavra de Deus. A igreja precisa se desintoxicar um pouco de algumas porcarias e voltar ao Evangelho mais simples e puro de Jesus. Mais próximo da dor do outro, da humanidade do outro, da dura realidade do mundo. Uma fé mais pé no chão e menos cabeça nas nuvens. Uma fé que deseja mais salvação de pessoas, do que visões de anjos, uma fé que deseja mais tirar alguém das ruas e das drogas, do que apenas brigar com o “espírito de Jezabel”. Isso pra não dizer de gente que só faz correr atrás de profecia, revelação, oração de poder, promessas de Deus, etc.

Gostaria apenas de colocar um ponto importante aqui no final do texto. Já presenciei momentos inesquecíveis e pessoais com Deus de profundo mover espiritual. Já vivi intensas reuniões de fé e sobrenaturalidade, e ainda hoje vejo Deus agir de uma maneira sobrenatural incrível, mas esse mover espiritual genuíno, tem que se transformar em ardor, paixão pela Palavra, amor pelas vidas, misericórdia, pregação fervorosa e muito desejo de servir a Deus e ao próximo, este é o caminho certo. 

Aprendi a usar o seguinte critério: Tudo o que eu vejo nos Evangelhos sendo praticado por Jesus, considero como modelo a ser seguido. O que eu não vejo nos evangelhos como prática de Jesus, eu tolero nos limites do bom senso. Bom senso é uma palavra chave em nossos dias. Continuo aceitando em minha vida a ordem da grande comissão, que não foi buscar “moveres” mas: “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos". Mt 28:19-20.

Se nessa caminhada aconteceram manifestações sobrenaturais e gloriosas, amém! Mas o meu foco e transformar a vida de uma pessoa, de um discípulo através do ensino das Palavras do Mestre. É uma caminhada que está muito além do encontro do templo, leva tempo, compreensão, exortação e amor. É preciso conhecer, conviver, se alegrar e chorar junto. É muito mais do que uma reunião cheia de “unção”, é muito mais do que reteté...

11 de set de 2013

QUATRO FRASES MENTIROSAS SOBRE LIDERANÇA.


  1. “Eu posso fazer isso melhor”
Até certo ponto e em determinadas situações podemos fazer melhor muitas coisas, mas não tudo. Nem tudo que fazemos dá pra fazer melhor do que estamos fazendo. Somos pessoas finitas, limitadas, e precisamos saber delegar para outros se desenvolverem também. Um bom líder é aquele que consegue enxergar suas limitações.

  1. “Se der resultados é porque Deus aprovou o que estou fazendo.”
Isso é uma ilusão. Nem tudo que fazemos para Deus dará resultado. Nossa arena é o mundo e muitas pessoas não darão respostas positivas para nossos trabalhos. Precisamos saber lidar com frustrações ao longo da caminhada cristã. Houve pessoas que não responderam positivamente para o Apóstolo Paulo e até mesmo para Jesus, e nem por isso eles se sentiram desaprovados por Deus.

  1. “Eu fui chamado para o ministério!”
Na verdade, nosso chamado é para ser discípulo, independentemente da posição ou responsabilidade que ocupamos nas organizações eclesiásticas. Seja você um voluntário, um pastor ou apóstolo, precisamos ser discípulos. Se creditamos mais no nosso chamado do que em sermos cristãos, poderemos incorrer no erro de achar que o nosso ministério é deus, e não termos Deus no nosso ministério, por não sermos discípulos verdadeiros. Lembre-se, Deus busca adoradores que o adorem em espírito e verdade.

  1. Eu não preciso dos outros, apenas de Deus.
Outra mentira que soa como verdade. Nossos relacionamentos são importantes para a construção da obra. Ninguém sobrevive na solidão do ministério. É verdade que as vezes nos sentimos sozinhos, mas não podemos estar sozinhos, precisamos nos relacionar e abrir nossos corações com pessoas de nossa total confiança. Precisamos dos outros não para aprovar ou desaprovar nossas ações, mas para compartilhar dores e recompensar daquilo que fazemos em nosso ministério.

7 de set de 2013

PR. UBIRATAM - UM ILUSTRE DESCONHECIDO NA TERRA E UM GRANDE HOMEM NO CÉU.

Pois é, o tempo das estrelas acabou!  Deus está usando cada vez mais os anônimos, os desconhecidos, aqueles que não são pastores de multidões, mas que conhecem cada um pelo nome, conhecem a vida de suas ovelhas. Se entregam na obra, pedalando, dando a vida pelo Evangelho. Quero ser inspirado por estes homens, minha oração é que este exemplos cheguem até nós todos os dias. Se você está triste com o que anda acontecendo nos arraiais gospel, lembre-se Deus continua sendo o Senhor da sua Igreja. Assista esta história e glorifique o nome do Eterno Deus pela vida destes desconhecidos como o Pr. Ubiratam.


Pedalando No Sertão from Pedalando no Sertão on Vimeo.

6 de set de 2013

POLE DANCE PRA JESUS!...PODE ISSO PASTOR?

Que o mundo ando muito esquisito, todo mundo já sabe, porém nem mesmo os arraiais evangélicos estão fora dessas novas modas. Como pastor, já vi quase tudo, desde unção da cola e da urina, até revelações da própria trindade (sim, os três falando ao mesmo tempo com o indivíduo que teve a visão) para um “ungidão” de Deus por ai, porém, podemos nos surpreender a cada momento, com as esquisitices gospel.

Vi recentemente um vídeo que chama a atenção. Uma americana chamada Crystal Deens, resolveu inovar na adoração e adotou o pole dance (dança no poste) para louvar a Deus. Ao invés de música de boate, louvores e hinos cristãos, ao invés de danças sensuais, um momento de adoração. Ela afirma ainda que o exercício do pole dance deixa as mulheres com melhor tonicidade e mais fortes para lidar com os problemas do dia a dia. Ela ainda declara numa entrevista para a Fox News: "Eu acho que não há nada de errado com o que eu faço. Eu ensino mulheres a se sentir bem consigo mesmas, ensino elas a sentirem-se poderosas.”

O que quero enfatizar, é que muitos estão perdendo o limite do bom senso. Logo logo vamos ter preservativo ungido, vibrador pentecostal, e outras baboseiras típicas do universo imaginativo evangélico. Alguns chegam a afirmar que é uma tentativa de adaptar o cristianismo ao mundo moderno. E ai está o problema! O cristianismo não é uma alternativa de vida, mas uma vida alternativa que não carrega nenhum dos valores ou vontades deste mundo, no sentido de que nossa satisfação está em Cristo, em Deus e na sua palavra. Não precisamos andar alienados do mundo, mas não precisamos moldar o cristianismo à ele para sermos aceitos pelo mundo. 

O pole dance, com certeza, não deve ser um caminho ideal para o desenvolvimento espiritual de alguém, nem mesmo uma desculpa para a evangelização. Se a idéia está nos benefícios do exercício, existem outras modalidades como a corrida, a aeróbica, e a bicicleta. Enfim, pode não haver nenhum mal na intenção, porém esta é uma modalidade que está diretamente ligada a promiscuidade e ao sensualismo, e nos dias de hoje, é preciso fugir da aparência do mal.

3 de set de 2013

LEIA E ORE. A GUERRA DA SÍRIA PODE SER O INÍCIO DO FIM!

A intervenção americana na Síria e as profecias do AT.

Damasco é conhecida como uma das cidades mais antigas do mundo habitada continuamente, e é a capital da atual Síria. Pais que sempre teve uma importante participação no conflito árabe-israelense. Presidida por Bashar al-Assad, e predominantemente composta de muçulmanos sunitas e uma pequena parcela cristã. O país vive uma violenta guerra civil desde 26 de janeiro de 2011. Já morreram mais de 70 mil pessoas e quase um milhão de pessoas vivem em campos de refugiados.

Isso aconteceu por causa da chamada Primavera Árabe, que começou no final de 2010, quando o ditador da Tunísia foi derrubado e incentivou vários outros países a fazer o mesmo – como, por exemplo, o Egito. Uma grande mobilização nacional e midiática exigiu maior liberdade de imprensa, direitos humanos e uma nova legislação. O conflito deixou de ser político e chegou as vias de fato, o governo reagiu colocando o exército nas ruas e grupos de oposição ao regime de al-Assad se armaram e começaram a combater o governo.

Quando viajamos para Damasco, ainda é possível ver vestígios da velha cidade romana, bem como uma via pública que segue o mesmo trajeto da antiga Via Recta (Rua Direita), romana. Foi numa casa que ficava nesta rua que Ananias encontrou Saulo após a miraculosa conversão deste ao cristianismo, perto de Damasco. (Atos 9:10-19) Embora a rua hoje seja bem diferente do que era nos tempos romanos, foi ali que o apóstolo Paulo iniciou sua brilhante carreira como apóstolo de Cristo.

No entanto, há uma profecia no livro de Isaías, no capítulo 17 (vs 1-2) contra Damasco, capital de Arã (atual Síria). Segundo estudiosos, esta profecia se cumpriu na história, e a destruição de Damasco já teria acontecido, porém, há um texto posterior, que nos surpreende e parece se conectar com a atual tensão política internacional, onde está escrito:

“Ah! O bramido das numerosas nações; bramam como o mar! Ah, o rugido dos povos; rugem como águas impetuosas! Embora os povos rujam como ondas encapeladas, quando ele os repreender, fugirão para longe, carregados pelo vento como palha nas colinas, como galhos arrancados pela ventania. Ao cair da tarde, pavor repentino! Antes do amanhecer, já se foram! Esse é o destino dos que nos saqueiam, essa é a parte que caberá aos que roubam.” (Isaías 17:12-14 NVI)

Curiosamente os estudiosos muçulmanos citam um hadith que fala sobre a ligação da cidade de Damasco com a segunda vinda de Jesus, o Livro de Sahih, 41, cuja Hadith 7015 diz: “Allah enviará o Messias filho de Maria. Ele então descerá perto do minarete oriental branco de Damasco, vestido com dois mantos amarelos, apoiado nas asas de dois anjos.”

Citei o Corão para lembrar que a Síria é aliada do Irã, um dos, senão o maior opositor declarado de Israel. Acreditam que uma de suas missões proféticas é aniquilar Israel do mapa. Isso foi admitido pessoalmente pelo então presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Isso parece estar registrado no Salmo 83, quando lemos:

“Ó Deus, não te emudeças; não fiques em silêncio nem te detenhas, ó Deus. Vê como se agitam os teus inimigos, como os teus adversários te desafiam de cabeça erguida. Com astúcia conspiram contra o teu povo; tramam contra aqueles que são o teu tesouro. Eles dizem: "Venham, vamos destruí-los como nação, para que o nome de Israel não seja mais lembrado! Com um só propósito tramam juntos; é contra ti que fazem acordo as tendas de Edom e os ismaelitas, Moabe e os hagarenos, Gebal, Amom e Amaleque, a Filístia, com os habitantes de Tiro. Até a Assíria a eles se aliou, e trouxe força aos descendentes de Ló.” (Salmos 83:1-8)

Uma liga árabe desta guerra com interesses políticos, financeiros e religiosos, poderia ser composta por: Irã, Sudão, Rússia, Arabia Saudita, Egito, Líbia. Juntos suas iniciais, formam a palavra: ISRAEL. Ainda não sei dizer com absoluta certeza o que tudo isso significa, mas há uma sinalização característica do fim dos tempos.

Infelizmente, Damasco também é a casa para muitos dos principais terroristas do mundo. Com grupos como o Hamas e o Hezbollah, entre outros, que montaram seu QG na capital Síria. Por fazer fronteira com Israel, existem indícios de que há um ataque nuclear preparado contra Israel em caso de uma guerra global. O que culminaria no extermínio de Damasco como citado em Isaías. E o tempo final da cidade envolvida nas guerras modernas contra Israel como profetizado por Amós. (Guerras de 48 - 67 e 73)

“Advertência contra Damasco: "Damasco deixará de ser cidade; e se tornará um monte de ruínas.” (Isaías 17:1)

“Assim diz o SENHOR: "Por três transgressões de Damasco e ainda mais por quatro, não anularei o castigo. Porque trilhou Gileade com trilhos de ferro pontudos.” (Amós 1:3)

A tradição escatológica cristã pressupõe que Damasco deve ser destruída antes da volta de Jesus. É interessante saber que muçulmanos concordam com a volta do Messias e possuem profecias relacionadas com Damasco. Mas na escatologia islâmica, a guerra é necessária para a vinda do Messias. 

O oriente-médio é um barril de pólvora. O extremismo religioso e ideológico impera naquele lugar. Não se encontrará paz por meio da guerra, como professam os americanos. Obviamente essa guerra local se tornará numa guerra global, pois há muitos, muitos interesses em jogo. Internamente, só a guerra civil já matou quase 100 mil pessoas. Parece que o último cavaleiro do apocalipse, o cavaleiro da morte já anda solto, e ceifa suas vítimas. A nós igreja do Senhor, resta orar e discernir os maus dias que virão.

Pra mim, é bem claro o vazio da retórica de Obama! Washington quer enfiar pela goela do mundo abaixo que eles fazem estas intervenções militares para combater o terrorismo, disseminar a democracia e defender os direitos humanos. Pura balela política e demente, típico da ideologia americana. Enfim...

Que Deus tenha misericórdia do mundo, dos sírios, e de todos os envolvidos na guerra, além de todos nós é claro. Seria esta a guerra do fim dos tempos? Difícil dizer, mas o momento é crítico. Quando penso no contexto global e em todos os sinais e circunstâncias, sou levado a considerar que sim! Tempos difíceis, tempos de tribulação. Levantemos as nossas cabeças, pois a nossa redenção se aproxima. MARANATA SENHOR!

BRUNO DOS SANTOS (SP 03/09/2013) (Pastor da IAVN e teólogo com especialização em NT e Liderança Ministerial. Professor, conferencista, casado com Silvia e pai do Lucas, da Laís e da Ana Luiza).

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COBERTURA ESPIRITUAL E APOSTOLADO MODERNO