NESTA ELEIÇÃO, VAMOS CONFESSAR NOSSOS ERROS E CORRIGIR NOSSA ROTA?

Como pastor de uma congregação local tenho a responsabilidade de ensinar meus irmãos e amigos, à serem cidadãos e a honrarem seus votos. Ainda que as pessoas gostem ou não, a política afeta todos nós, inclusive os que professam a fé. Por isso como pastor e mentor não posso permanecer alheio aos acontecimentos e alienado aos desdobramentos sociais e atuais do Brasil.
Prego que o Reino de Deus deve ser vivido em todas as dimensões da existência, e isso significa que devemos ser sal e luz também dentro da realidade política de nosso país. Precisamos lutar politicamente pelos direitos dos que não possuem voz e nem vez na sociedade. Pelas minorias sociais, pelos ”orfãos e viúvas” de nossos dias, pelos valores inalienáveis da justiça social que o Reino propõe. E o voto é uma grande ferramenta de ajuste social.
Mas é preciso destacar também, que a maioria esmagadora dos evangélicos brasileiros não conhecem as tradições protestantes e nem possuem os relatos das raízes históricas de mudança social a partir da matriz da reforma. O pensamento político, cultural e ético de reformadores como Thomas Müntzer, João Calvino, e Abraham Kuyper, influenciaram pessoas como Martin Luther King e outros, alterando a história e a política de nações inteiras.
Outro fato assombroso, é que dentro da igreja evangélica brasileira há pouca política e muita politicagem! A política de verdade é feita por vocacionados, não aproveitadores. A politicagem feita pelos evangélicos dentro dos arraiais denominacionais é insana. E é essa malandragem que deturpa a essência da política. É o abuso daqueles que, “em nome de Deus” instrumentalizam rebanhos para alavancar sua ambição pessoal.
A bancada evangélica no congresso nacional é mais conhecida pelos roubos, desvios, escândalos, e polêmicas pessoais, do que pela luta dos excluídos e marginalizados. Mostram-se escandalizados pelas questões morais como “bons religiosos”, mas não possuem sensibilidade pelos problemas sociais graves e de impunidade e exploração em diferentes regiões do Brasil. Esse tipo de discurso torna-se religioso, moralista e vazio.
Bem, o fato é, que a igreja não precisa de um defensor público. Já temos o nosso Senhor e suficiente Salvador em todas as áreas, à saber, Jesus de Nazaré. Por isso, não podemos votar em alguém que professa apenas a fé, sem mostrar as suas obras. Fé sem obras é morta! E na vida pública, não é diferente. Não queremos políticos que defendam a igreja evangélica, queremos políticos que façam desta nação um país mais justo, que combatam a opressão estrutural e a maldade social, e que sinalizem os valores do Reino de Deus aos homens. Termino citando Robson Cavalcanti: "A missão da Igreja é manifestar aqui e agora a maior densidade possível do Reino de Deus que será consumado ali e além".

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