DIZIMAR É TROCAR A ORDENANÇA PELA ESPERANÇA.

Quando Jesus morreu no calvário, o véu do Templo se rasgou de cima em baixo. Isto simbolizava a nova relação de Deus com o homens, neste instante a lei cerimonial foi cravada na cruz, viveríamos pela Graça de Deus. Deus não mudou, ele estava ampliando o velho concerto. A velha interpretação da Lei. Daquele momento em diante todos os crentes passariam a viver sob a nova aliança.

Jesus era um judeu,  nascido sob a lei (Gálatas 4.4). Ele experimentou a sua tutela, viveu cumprindo em sua vida o rigor da lei. Ele disse, a respeito de si: Disse Jesus: Não cuideis que vim abolir a lei e os profetas, mas vim para cumpri-la, e, nem um jota ou til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido.” (Mateus 5:17-18).

Jesus cumpriu em si a lei. Foi circuncidado ao oitavo dia, apresentado na sinagoga (Lc 2:21-24). Assumiu o sacerdócio aos 30 anos, como ordena a lei (Lc 3:23 / Nm 4:43-47). Mesmo no exercício do ministério aplicava a lei como norma de conduta judaica, pois curou o leproso e mandou-o apresentar ao Sacerdote a oferta que Moisés ordenou (Mt 8:4 / Lv 14:1), além de cumprir outras formalidades da lei. Jesus EM SI, cumpriu toda lei à ele imposta, pela tradição judaica, pela perspectiva do velho concerto.

Mas a Bíblia relata que Ele, Cristo, ao render seu espírito à Deus (Mateus 27:50-51), o véu do templo rasgou, e encerrou-se ali, cumpriu-se ali, todo o rigor da lei, que pesava sobre nós. E como diz as Escrituras: “cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz” (Colossences 2:14), por isso Paulo afirmou categoricamente: “Se a justiça provem da lei,  segue-se que Cristo morreu em vão” (Gálatas 2.21).

Jesus também provocou os religiosos de seu tempo, no famoso Sermão da Montanha, ao dizer: “Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus". (Mateus 5:20). A justiça superior implicava em um caminho mais nobre, isto é, pela Graça de Deus, fazemos pela Graça de Deus. Exceder a Lei, só é possível pela Graça (Efésios 3:9).

Realmente era difícil um judeu desmembrar-se da interpretação rigorosa da lei mosaica. Os fariseus oprimiam o povo com seus ensinos (fardos pesados - Mateus 23:4). Tanto é verdade que o autor de Hebreus, teve que ser claro em sua colocação, ao escrever:
Pois quando há mudança de sacerdócio, é necessário que haja mudança de lei. Ora, aquele de quem se dizem estas coisas pertencia a outra tribo, da qual ninguém jamais havia servido diante do altar, pois é evidente que o nosso Senhor descende de Judá, tribo da qual Moisés nada fala quanto a sacerdócio. O que acabamos de dizer fica ainda mais claro, quando aparece outro sacerdote semelhante a Melquisedeque, alguém que se tornou sacerdote, não por regras relativas à linhagem, mas segundo o poder de uma vida indestrutível. Pois sobre ele é afirmado: "Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque". A ordenança anterior é revogada, porquanto era fraca e inútil (pois a lei não havia aperfeiçoado coisa alguma), sendo introduzida uma esperança superior, pela qual nos aproximamos de Deus. (Hebreus 7:12-19)

Era muito difícil um judeu admitir isso que o autor de Hebreus propõe. Ele propõe que a  nossa fé estava na esperança em Cristo, e não na observância da lei. Não era o que eu fazia que me justificava diante de Deus, mas o que Cristo fizera por mim. Logo já não fazia por ordenança, mas por entendimento e por reposta amorosa ao Ato de Cristo na cruz. Porque o fim da lei é Cristo, para a justificação de todo o que crê. (Romanos 10:4).

Conclusão:
A nossa fidelidade à Deus não pode ser provada por atos externos somente. É claro que muitas de nossas ações demonstram a intenção do nosso coração, mas o contrário também é verdade. Podemos fazer sem crer, sem amar, ou sem a intenção ou vontade legítima. Isto significa dizer que: Nossos atos de “fidelidade” só podem ser fiéis de fato, se fizermos isso integralmente, como determina o seguinte versículo:

“Amá-lo de todo o coração, de todo o entendimento e de todas as forças, e amar ao próximo como a si mesmo é mais importante do que todos os sacrifícios e ofertas". (Marcos 12:33)

Então minha conclusão sobre o dízimo é:

1. Se você é daqueles que questiona se é necessário dar o dízimo ou não? A resposta é simples. Você é um ladrão! Porque tudo o que você possui vem de Deus, e ao compartilhar o mínimo (10%) possível, você estará demonstrando por suas ações que você ama à Deus e ao próximo com força, entendimento e coração, mais do que o dinheiro, que te garante uma boa vida aqui, mas te tira da boa vida além. Dizimar é um ato de amor à Deus, não um ato de obediência ou entendimento. É uma postura de graça e misericórdia com a humanidade e de gratidão com o próprio Deus.


2. Se você é daqueles que se orgulha em ser fiel por dar o dízimo! Minha resposta pra você é: Sua justiça é como um trapo de imundícia diante de Deus. Deus não te devolve por que você lhe dá. Isso é barganha. Até porque você não pode oferecer nada pra Ele sem Cristo. Isto é, ser fiel à Deus não consiste em lhe entregar o dinheiro rigorosamente na medida e em dia, mas em entregar a própria vida, Deus está muito além do dinheiro, Deus está no coração do homem. Ser fiel à Deus é ser como um pequeno Cristo. É fazer a sua vontade e pronto.

Contribuir com uma pequena parte, fortalece toda a comunidade, isso é fato. E o que passar disto é de procedência maligna.